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“Hip Hop Hamlet” mostra releitura de Shakespeare no Poa em Cena

Sessões do espetáculo ocorrem neste sábado, 19, às 21h, e no domingo, 20, às 17h e 21h, no Teatro Renascença

Espetáculo tem criação e direção artística de Guilherme Leme Garcia e Núcleo Bartolomeu de Depoimentos, e produção da Aventura
Espetáculo tem criação e direção artística de Guilherme Leme Garcia e Núcleo Bartolomeu de Depoimentos, e produção da Aventura Foto : Caio Gallucci / Divulgação / CP

Quem nunca ouviu a frase clássica da literatura: “ser ou não ser”? Há quem tenha a lido no clássico livro Hamlet, do escritor William Shakespeare, ou visto recentemente no Oscar 2026, com o filme estrelado por Paul Mescal, “Hamnet”, do qual arrancou lágrimas de muitos que o assistiu. Caso ainda não tenho escutado ao vivo e a cores, a oportunidade chega com a 33ª edição do Porto Alegre em Cena.
Criada a partir da ideia original de Monique Gardenberg, a montagem desembarca em Porto Alegre para três apresentações dentro do festival, com sessões neste sábado, 19, às 21h, e no domingo, 20, às 17h e 21h, no Teatro Renascença (Av. Erico Verissimo, 307 - Menino Deus). Ingressos seguem à venda pelo site.

Em cena, estão 10 artistas que dão vida aos personagens do clássico escrito há mais de quatro séculos. Hamlet, Ofélia, o Rei Claudio, a Rainha Gestrudes, Yorick e os dois coveiros. A essência do enredo está mantida, porém a trama foi transportada.

“A festa e a celebração não camuflam nem relativizam problemas nem angústias. Elas fazem frente às iniquidades humanas como alta tecnologia de sobrevivência e resistência. Foi assim que o hip-hop surgiu dos escombros e ganhou o mundo rimando, ‘contando a sua história na contramão’, como diz uma musica da peça”, avalia a Claudia Shapira, encarregada do texto e figurino da peça.

Para ela, ao utilizar diversos dispositivos de arte, como a rima e a música, é “uma forma de confrontar ideias a partir de um dispositivo que pensa ‘a vida’, como encruzilhada”.

O ponto central da montagem foi encontrar a brecha entre o texto rimado de Shakespeare e a linguagem do Teatro Hip-Hop. Segundo Claudia, foram desenvolvidas várias versões até chegar ao produto final, que tem poucas falas do texto original mas mantém boa parte da história. “É uma versão onde a narrativa inicial está na voz das coveiras, e as mulheres têm a possibilidade de rever sua trajetória dentro da trama original”.

Com trilha sonora assinada por Eugenio Lima, a dramaturgia musical é central na narrativa. As vozes passam por Aretha Franklin (“Baby Baby Baby”), Racionais MC’s (“Vida é um Desafio”), Kanye West (“All Falls Down”), Jorge Ben Jor (“Moça’), Toni Tornado (“Pode Crer Amizade”) e Tim Maia (“Sossego”). O mosaico sonoro é fiel a trajetória da cultura hip-hop, construída ao longo dos seus 50 anos, unindo “soul music brasileira, o início da cultura hip-hop no Bronx, o bombaap, o gangsta rap, o hip-hop soul, o hip-hop nacional e outros elementos musicais, que vão da música experimental, passando pelo samba rock até o rock psicodélico dos anos 70” como explica do diretor.

*Sob supervisão de Marcos Santuario

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