Com direção de Antônio Rodrigues, “Que Muito Amou” é uma livre adaptação de “Os Dragões Não Conhecem o Paraíso”, obra emblemática de Caio Fernando Abreu. A remontagem integra as comemorações dos 25 anos da Cênicas Cia. de Repertório e revisita um dos espetáculos de maior circulação da trajetória do grupo, apresentado em diversas cidades brasileiras. Durante a pandemia, a obra ganhou uma versão audiovisual concebida dentro de um apartamento. Agora, retorna aos palcos em uma nova encenação, com estreia nacional no Porto Alegre em Cena. As sessões ocorrem neste sábado e domingo (19 e 20 de setembro), às 19h, no Teatro Oficina Olga Reverbel (Riachuelo, 1089). Os ingressos estão esgotados.
A apresentação integra a Ocupação Caio F, programação criada pelo festival para marcar os 30 anos da morte do escritor gaúcho. O espetáculo reúne três contos de “Os Dragões Não Conhecem o Paraíso”, “Sapatinhos Vermelhos”, “Praiazinha” e “Dama da Noite”, interpretados por Barbara Brendel, Antônio Rodrigues e Guga Patriota.
Segundo Rodrigues, a experiência da pandemia foi decisiva para a nova montagem. “A partir da pandemia, quando a gente foi atravessado por aquele momento e experimentou esses personagens com outras perspectivas, em outro local, a gente descobriu tantas outras camadas que decidiu: se um dia voltar, a gente voltaria com a montagem nova. E aí, por isso, estamos indo estrear essa montagem em Porto Alegre, a terra do Caio, tão importante para nós.”
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“Caio Fernando Abreu é um autor que fala do humano com uma poética potente e única e uma verdade avassaladora. É impossível ler sua obra e não sair impactado por tudo aquilo que ela provoca”, comenta o diretor.
A nova montagem também representa um momento de retomada para a companhia. Em 2025, a sede da Cênicas foi invadida e o grupo perdeu anos de trabalho. “Por isso, construir ‘Que Muito Amou’ a partir de uma montagem que foi tão importante para a história do grupo foi, ao mesmo tempo, muito desafiador e muito significativo”, afirma Rodrigues.
A encenação ainda rompe com o espaço cênico original. “Na primeira montagem, a peça acontecia no palco em formato italiano. Agora, quisemos apostar na proximidade, na intimidade com a plateia”, explica. O cenário foi construído em formato de corredor, aproximando o público dos personagens. O chão vermelho representa “o território das paixões, do amor, do ódio, de toda a intensidade das sensações” presentes na obra de Caio.
Para Rodrigues, “Que Muito Amou” também celebra a trajetória da companhia. “Depois de tudo o que aconteceu, voltar a estrear um espetáculo adulto de repertório é também um gesto de resistência, de permanência e de amor ao nosso ofício.”