Arte & Agenda

Uma cidade em cena, recebe o Brasil e além em seus palcos

Porto Alegre em Cena começa nesta quinta-feira, dia 10, com 51 espetáculos que ocupam 13 espaços de Porto Alegre

Festival reúne artistas de diferentes regiões
Festival reúne artistas de diferentes regiões Foto : Laura Testa / Divulgação / CP

Há coisas que o tempo não transforma em rotina. No palco, uma voz ainda pode surpreender, uma história pode abrir uma janela inesperada e um encontro entre artistas pode fazer uma cidade olhar para si mesma de outro jeito. É dessa matéria, feita de descoberta, emoção e encantamento, que o Porto Alegre em Cena se alimenta há 33 edições.

“É muito importante que a gente envelheça vivo, vivendo todas as sensações, todas as emoções que a vida nos oportuniza. E o Porto Alegre em Cena é uma fonte inesgotável de emoção”, afirma Luciano Alabarse, coordenador-geral do festival, que acompanha a trajetória do evento desde sua primeira edição.

Nesta quinta-feira (10), o festival abre oficialmente sua 33ª edição e, até 20 de setembro, ocupa 13 espaços de Porto Alegre com 77 apresentações de 51 espetáculos, além de mais de 30 atividades formativas. A programação reúne teatro, dança, circo e música, com artistas do Rio Grande do Sul, de diferentes estados brasileiros e também da Argentina e do Canadá. Os ingressos podem ser adquiridos no site oficial do evento.

A magia da surpresa em cada edição

Para Alabarse, a capacidade de continuar provocando surpresa é justamente o que mantém o festival vivo. “A cada edição, tudo é novo. Espetáculos surpreendentes, pessoas encantadoras, artistas talentosos. Isso é o que mantém viva a chama do Em Cena.” E a primeira dessas surpresas acontece já na abertura, com “La Pampa Grande”, espetáculo criado especialmente para o festival.

A apresentação reúne nomes como Dolores Solá, Liliana Herrero, Carlos Villalba, Hique Gomez, Arthur de Faria, Vitor Ramil, Pedro Longes e Nina Nicolaiewsky em um encontro musical entre Rio Grande do Sul e Argentina. O espetáculo, marcado para esta quinta-feira, às 20h, no Palco Petrobras, no Teatro Simões Lopes Neto (Riachuelo, 1089), terá caráter único. “É muito difícil juntar todos esses ícones, essas grandes estrelas”, comenta Alabarse, que assistiu a um dos ensaios antes da estreia. “Fiquei paralisado pela beleza das vozes, do arranjo.”

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Recorde de público e sessões extras

A forte procura pelos espetáculos também aparece como um dos destaques desta edição. Segundo Alabarse, 14 montagens esgotaram os ingressos já no primeiro dia de vendas. O festival começou com mais de metade dos espetáculos com lotação esgotada e precisou abrir sessões extras para atrações como “Mudando de Pele”, com Taís Araújo, e “Auto da Compadecida”, dirigida por Gabriel Villela. “Significa que a cidade acompanha a divulgação prévia do festival e realmente quer participar, quer estar presente. É muito lindo ver a adesão, a comunhão, a empatia entre o festival e a cidade”, afirma.

Diversidade e homenagens literárias

Para além da diversidade regional, que é uma das marcas da programação de 2026, há duas importantes homenagens literárias: os 70 anos da publicação de “Grande Sertão: Veredas”, de Guimarães Rosa, e os 30 anos da morte de Caio Fernando Abreu. A programação dedicada a Guimarães Rosa inclui a trilogia teatral de Gilson de Barros, dirigida por Amir Haddad, com “Riobaldo”, “No Meio do Redemunho” e “O Julgamento de Zé Bebelo”.

A ocupação também conta com apresentações musicais e conversas com convidados. Já a homenagem a Caio Fernando Abreu passa por produções como “Pela Noite”, do grupo pernambucano NOZ Produz, e por um sarau dedicado ao escritor. Para Alabarse, aproximar literatura e teatro é uma escolha coerente com a própria essência da linguagem cênica. “A base do teatro é a palavra, com todas as possibilidades teatrais que o palco oportuniza. Ainda acho que a palavra é o centro do pensamento do fazer teatral.”

Encontro de gerações no palco

Já é tradição aproximar artistas consagrados a nomes e companhias de diferentes trajetórias. Entre os destaques estão Taís Araújo, Camila Pitanga, Bete Coelho, Danielle Winits, Grace Gianoukas, Laila Garin e Juliana Linhares, ao lado de grupos e artistas de diversas regiões do País e da produção local. Para Alabarse, essa mistura é uma das funções centrais do festival. “Juntar grandes nomes, nomes consagrados, com essa galera que está chegando é uma das funções mais bonitas do Em Cena. Misturar as novas gerações com as de maior maturidade, diferentes linguagens e tudo isso também com amostra local.”

Depois de 33 edições, a intenção, segundo o coordenador, não é reinventar o festival a cada ano, mas preservar sua função principal: oferecer ao público um conjunto diverso de espetáculos e experiências. “Um festival, por definição, é uma amostragem das peças que podem vir à cidade. Um cardápio que dê vontade de experimentar”, resume.

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