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"Leite em Pó" apresenta o cinema experimental de Carlos Segundo

Protagonista é vivido por Vinicius de Oliveira, ex-ator mirim de “Central do Brasil”

Equipe do longa-metragem brasileiro “Leite em Pó”, de Carlos Segundo
Equipe do longa-metragem brasileiro “Leite em Pó”, de Carlos Segundo Foto : Cleiton Thiele / Ag.Pressphoto / Divulgação / CP

O longa-metragem brasileiro "Leite em Pó" foi exibido na noite de terça-feira no Festival de Cinema de Gramado. Dirigido por Carlos Segundo, foi rodado em Natal (Rio Grande do Norte).

A entrada no tapete vermelho foi emocionante para a equipe, mas especialmente para o ator Vinicius de Oliveira. Há 28 anos, ele, ainda criança, vinha ao Festival pela primeira vez para a exibição do filme "Central do Brasil", de Walter Salles (1998).

Agora, retorna adulto como protagonista de "Leite em Pó". Ele também atua no curta-metragem "Pão Doce", exibido na mesma noite. O Correio do Povo conversou com o ator sobre este momento de sua carreira.

Além das homenagens que foram feitas na sessão noturna de terça-feira para as atrizes Laura Cardoso e Gloria Menezes, que faleceram no dia, o diretor Carlos Segundo também fez menção à Titina Medeiros, artista potiguar, que atuou no filme, mas não pôde vê-lo pronto, pois morreu em 11 de janeiro deste ano em decorrência de um câncer.

O longa começa mostrando bases norte-americanas que foram instaladas em Natal no período da Segunda Guerra Mundial. Em entrevista coletiva, a diretora de Arte Ana Paola Ottoni comenta que este período deixou reminiscências na cidade. "Há uma arquitetura ainda daquela época", comentou, e ela foi incluída no filme em algumas cenas.

Vinicius interpreta um homem de quase 40 anos, Vicente, que mora com a avó (Zezita Matos). É um músico limitado, que canta em bares, mas não ganha o suficiente para se manter. Para o ator, cantar foi um dos maiores desafios do filme. "Como o personagem é um músico que canta mal, entreguei o que o eu tinha", confessa o ator sorrindo.

Após a morte da avó, Vicente se vê obrigado a sair de sua comodidade para buscar sustento. "Meu personagem vivia no mundinho dele e começa uma transformação", explica Vinicius.

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Além de novas conexões, ele também faz descobertas sobre a avó ao ler seus diários. "Ela não era feliz apesar de viver dentro dos padrões", comenta a atriz Zezita. O elenco conta também com Antonio Pitanga, como um dono de bar da vizinhança que ajuda Vicente.

Dos longas de ficção exibidos até agora, "Leite em Pó" é o que mais foge de narrativas tradicionais, pela maneira como conta a história, com um percurso labiríntico e muitos silêncios, que mostram a solidão de mais de um personagem. O próprio diretor admite que quis fazer um filme "contra a corrente". "Meu cinema não é de certezas, mas de perguntas", definiu. "Meu filme tem muitas sutilezas, não tem uma estrutura clássica, tem mais uma estrutura de colagem. É um filme simples e que tem um risco", completa o diretor.

Documentário

O concorrente na categoria de longas documentais exibido na terça foi "Empeleitada", sobre a luta do povo indígena Xucuru (PE). Um dos diretores, Chico Ludermir, conta que o título se assemelha à palavra empreitada, mas para o grupo representado tem um significado mais abrangente, como o de uma missão. A construção de uma casa de taipa resgata a memória de como faziam seus ancestrais, além ser feita em um mutirão que integra toda a aldeia. Também digirem o documentário Micaele Xucuru e Sérgio Borges.

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