Para quem não está habituado à carreira do cantor e compositor carioca Marcelo Falcão, a vontade de comparar as canções solo ao sons de O Rappa, ou de pedir para que ele só toque as canções antigas, acaba se dissipando aos primeiros acordes das faixas de sua carreira solo. Foi assim na noite de sexta-feira, 4 de setembro, no Auditório Araújo Vianna, com o show da turnê do disco “Legado”, diante de público de 2,5 mil pessoas. Foram cerca de 30 músicas durante 2h30min para um público fiel e que participou de todas as canções com palmas, mãos no sentido horizontal para cima e para baixo (ao estilo rap) e muita energia catártica.
Apesar de ter atrasado um pouco seu início, 21h47min, o show já começa com uma mensagem em vídeo de Falcão pregando a força da música, do social, da paz e da crença, pois a primeira canção é “Crença e Fé”, do disco “Legado” (2025) e depois com uma canção do primeiro disco “Viver (mais leve que o ar”, “Quando Você Olhar pra Mim”. Somente na quarta música veio uma canção ligada ao Rappa, “Minha Alma”. E já dava para identificar a intensidade da banda com Negralha (DJ), Cleber (bateria), Davi e Vine Bone (sax), Ferinha (teclado), Arimatéa (trompete), Valladão (baixo) e Mari (guitarra). Nesta canção, destaque para os metais que dão uma brasilidade para uma canção que fala de “paz sem voz, não é paz é medo”. Outro destaque os videografismos no telão, com imagens de favelas e de armas, da realidade que Falcão viveu nos morros do Rio de Janeiro e que passa ao público.
O disco "Legado" e a homenagem a Chorão
As canções foram se seguindo e há que se destacar faixas do disco mais recente, como “Saudade Corrói” e “Visitantes” até chegar em “Legado”, na qual Falcão explica que acionou Alexandre, o filho de Chorão, para conseguir um HD com registros do vocalista do Charlie Brown Jr. e construir uma música em torno do amigo morto em 2013, que dá nome ao disco.
Grandes sucessos do Rappa animam o público
Do Rappa, tivemos uma sequência boa com “Lado A Lado B”, “Auto Reverse”, “Pescador de Ilusões”, “Hey Joe”, “Vapor Barato”, “Rodo Cotidiano”, com o público pulando e cantando, com direito ao cantor jogando o refrão para o público entoar. No momento em que Falcão saía alguns segundos do palco, o DJ Negralha parecia estar em um concerto de música eletrônica dialogando com a luz e fazendo uma apresentação ao estilo circense: “Gente, vamos aplaudir o cara. O rasta está entre nós, Marcelo Falcão”.
Alternando entre o solo e o Rappa
E foi neste clima que o músico carioca foi alternando as canções solo com as do Rappa, sempre causando um grande êxtase na plateia. E assim foram “Refletir”, “Fela Kuti” e “Viver” da carreira solo com a apoteose de “Anjos (pra quem tem fé)! e “Me Deixa”, que coroaram a apresentação impecável de um músico que conduz a carreira solo com tanto brilho quanto no tempo em que estava no Rappa. Longa vida a Marcelo Falcão!