Além do áudio, o detetive Scott Smith, da Polícia de Los Angeles, foi ouvido, na segunda semana do julgamento de Murray por homicídio culposo do rei do pop. Na gravação, Murray diz aos detetives Scott e Orlando Martínez que trabalhava em tempo integral para Jackson havia dois meses quando este morreu aos 50 anos, em 25 de junho de 2009, por uma overdose de Propofol. No entanto, já o atendia "intermitentemente" desde 2006.
É a primeira vez que a voz do cardiologista de 58 anos é ouvida no julgamento que deve durar mais três semanas e que poderá enviá-lo à prisão por quatro anos. Murray diz aos investigadores que, quando Jackson o contatou para oferecer a ele o emprego e lhe pediu que ajudasse a dormir, perguntou se tinha testado remédios como Lorazepam ou Valium e que o artista respondeu que nenhum deles funcionava.
Jackson "me perguntou então que tal o Diprivan, esse funciona", disse Murray. "Diprivan é outro nome para o Propofol, que é o 'leite'", explica o médico aos detetives na reunião realizada com eles em 27 de junho na Marina del Rey, oeste de Los Angeles. O rei do pop estava tão familiarizado com o poderoso sedativo (utilizado como anestésico em intervenções cirúrgicas) que se referia a ele como seu "leite", pela cor branca.
"Eu disse a ele: 'mas isso não é um remédio, é necessário encomendá-lo, não sei como conseguir. Não posso te ajudar porque não tenho acesso a esses produtos'", garantiu Murray. Jackson pediu então que ele conversasse com o médico David Adams, que tinha ministrado Propofol a Jackson várias vezes em Las Vegas, ainda conforme o acusado de homicídio. A informação auxilia o argumento da defesa, que alega que o artista era viciado nos remédios e auto administrou a overdose que o matou.