Aos 74 anos, faleceu o artista plástico Flávio Scholles, que marcou a história de Novo Hamburgo e de cidades do Vale do Sinos, visto que dedicou sua vida para narrar a história da região.
A notícia foi divulgada na página do ateliê do artista (@f.scholles): “Comunicamos com pesar o falecimento de Flávio Scholles, o velório terá início às 08h30min do dia 6/11/2024, na Capela 4 do Crematório e Cemitério Parque Jardim da Memória. A cerimônia de cremação ocorrerá às 17h do dia 6/11/2024, no mesmo local.”
O artista lutava contra um câncer e estava internado no Hospital São José, em Dois Irmãos.
Nascido em 1950, Flávio foi o último dos 11 filhos do casal Anna Kieling e Carlos Scholles. Perdeu o pai cedo, com 3 anos de idade. Desde muito pequeno, Scholles se mostrou um grande artista. Nascido em Morro Reuter, ainda pequeno já era homenageado “como um colono que se destacou”, por pinturas que retratavam a vida no interior do Vale. E o talento foi se reverberando - tanto que na adolescência e início da fase adulta, passou por escolas de todo o país por tamanho talento.
Aos 23 anos, Flávio se mudou com a família para São Paulo, para cursar Artes na PUC-Campinas. Também teve passagens pela UFRGS, na mesma graduação.
O artista voltou ao Vale em 1975, e aí começou a história que adota como “a história da minha família que era, por extensão, a história da maioria dos habitantes da minha aldeia: o Vale do Sinos”. Começou o movimento Casa Velha, que revolucionou a arte na região. Foi deste movimento que Scholles teve a ideia de criar o Monumento ao Sapateiro, o mais tradicional da cidade, na rótula que liga as avenidas Nações Unidas e Nicolau Becker.
Outra obra que marcou a vida do artista foi “Ritzeletas”, que retrata casas de pouquíssimos metros quadrados, geralmente de madeira.
Nascido e criado em Morro Reuter, Flávio Scholles se destacou como pintor, escultor e defensor da cultura. Ao longo de sua carreira, criou um universo artístico próprio, explorando temas que vão desde a imigração alemã até cenas rurais e urbanas, sempre impregnadas de uma identidade visual marcante. Suas obras, carregadas de simbolismo e crítica social, são apreciadas tanto por seu valor estético quanto por seu compromisso com questões de identidade cultural e pertencimento.
Scholles era mais do que um artista: ele foi um cronista visual, documentando em suas telas e esculturas as histórias, lutas e alegrias de comunidades inteiras. Suas exposições, que passaram por importantes galerias e espaços culturais no mundo, deixaram uma marca inconfundível, proporcionando reflexão e emoção a todos os que tiveram o privilégio de admirar sua obra.
A prefeitura de Morro Reuter decretou Luto Oficial por três dias. E destaca que, entre suas obras mais conhecidas, está a série "Recordações", que explora a beleza e a simplicidade do cotidiano, transformando cenas comuns em experiências emocionais. Um dos quadros dessa série, “Situações Poéticas”, foi doado por Scholles para a sede da Prefeitura de Morro Reuter, além de uma réplica, que está exposta no Receptivo Turístico Belvedere.
O artista realizou exposições em Porto Alegre, como "Os Quadros que falam", em 2021, e uma individual em 2011, na Galeria Bublitz, apenas para citar algumas.
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