O curitibano Dalton Trevisan, um dos maiores escritores do Brasil, que vivia recluso há muitos anos em Curitiba, morreu nesta segunda-feira (9) chuvosa. Dono de um dos textos mais viscerais da literatura brasileira, ele contou como poucos a rotina da noite da capital paranaense, com personagens marcantes, texto rico e personalidade ímpar. Trevisan tinha 99 anos e morreu em casa. A causa da morte não foi divulgada.
A Secretaria de Cultura do Paraná prestou uma homenagem ao artista e o definiu como o "Mestre do Conto". "[Ele] desvendou como poucos as complexidades humanas e as angústias cotidianas da vida urbana. Dalton retratou com crueza a solidão, os dilemas morais e as contradições da classe média, com um olhar atento para os excluídos e marginalizados", escreveu a instituição.
Nascido em 1925, em Curitiba, Dalton usou como berço a cidade que, posteriormente, viraria personagem de muitos de contos escritos por ele. Mesmo formado em Direito, a paixão pela literatura era o que o revigorava. Foi assim que o contista começou a carreira literária com a novela "Sonata ao Luar" e ganhou destaque nacional com "Novelas nada exemplares".
Entre 1946 e 1948, ele editou a revista Joaquim, em homenagem aos "Joaquins brasileiros". Foi na publicação que vários contos e poemas de autores como Mario de Andrade e Carlos Drummond de Andrade foram publicados pela primeira vez.
Além de "O Vampiro de Curitiba", Dalton foi autor das obras "Cemitério de Elefantes" (1954), "Mistérios de Curitiba" (1968), a "A Polaquinha" (1985) e as mais recentes "A mão na nuca" e "Beijo na nuca", ambas de 2014.
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