O Noite dos Museus acontece neste sábado, dia 7, a partir das 18h e vai até a meia-noite. Este ano, abrirá 25 instituições de Porto Alegre promovendo a visitação gratuita a mais de 35 exposições.
A maratona cultural também contará com mais de 80 atrações de música, teatro, circo, dança, literatura e cinema, com apresentações dentro dos espaços culturais participantes e em dois grandes palcos na Praça da Alfândega e no Cais Embarcadero.
São tantas atrações que é fácil não saber por onde começar, é por isso que o Correio do Povo separou alguns destaques na programação para te ajudar a se locomover e aproveitar ao máximo.
Para começar, a primeira dica é: vá com um sapato confortável, o ideal é fazer um percurso a pé, aproveitando a movimentação das ruas, além disso, é bem provável que o preço dinâmico dos carros de aplicativo estejam em alta. Então, se prepare para explorar. Se você quiser fazer um percurso mais longo, a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) divulgou o esquema de trânsito e transporte especial para a realização do evento Noite dos Museus, com uma linha especial de ônibus que foi criada para atender o público do evento, confira mais detalhes aqui.
Outro fator que preocupa é o clima. Ainda está muito cedo para dizer se realmente irá chover no sábado, o Metsul vem acompanhando as mudanças no clima e aponta que no sábado, uma frente fria traz chuva forte a intensa com temporais no Noroeste e no Norte gaúcho, mas na maior parte do território gaúcho o tempo melhora ao longo do dia com ingresso de ar frio que se dará com rajadas de vento Sul. A organização do Noite dos Museus indicou que mesmo com chuva o evento irá continuar e que, caso fosse necessário, os palcos ao ar livre seriam realocados para locais fechados, porém não especificou endereços.
Os ingressos para as visitas mediadas já estão esgotados, mas o público ainda poderá entrar nos locais e fazer a visitação das exposições e apreciação das atrações.
- Ronda Cultural: especial Noite dos Museus
- Linha de ônibus especial circula neste sábado para a Noite dos Museus
- Ao vivo: acompanhe a Noite dos Museus em Porto Alegre
O Correio do Povo também criou um mapa com todas as localizações e atrações:
Confira sugestão de roteiro e detalhamento das exposições disponíveis:
- Mercado Público (Largo Jorn. Glênio Peres, 1 - Centro Histórico)
O local histórico e turístico de Porto Alegre, o Mercado Público representando o museu vivo da capital - um local democrático e ecumênico por onde circulam diariamente pessoas das mais diferentes origens, classes sociais e raças - e que agora carrega marcas recentes da história da cidade em suas paredes. O espaço, que estará com grande parte de suas lojas abertas à noite, terá atrações cheias de brasilidade, como Samba do Feitiço, Negra Jaque + Bloco das Pretas e Bibiana Petek & Grup.
- Museu de Arte de Porto Alegre (Praça Montevidéu, 10 - Centro Histórico)
O Museus está com sete exposições, confira mais sobre cada uma:
“Doações Rolf Zelmanowicz”, com curadoria de Ana Laggazio, Victor Dalagnol e Magnólia Leão. São 114 obras de arte pertencentes ao casal Rolf Zelmanowicz e Elisabete de Medeiros Zelmanowicz. composta por pinturas, gravuras, desenhos e esculturas de artistas, em sua maioria, do Rio Grande do Sul. Os trabalhos são datados, principalmente, a partir da segunda metade do século XX, e são de autoria de nomes como Alice Brueggemann, Alice Soares, Antonio Caringi, Angelo Guido, Carlos Tenius, Frederico Scheffel, Glênio Bianchetti, Danúbio Gonçalves, João Fahrion, Francis Pelichek, Leopoldo Gotuzzo, José Lutzenberger, Libindo Ferrás, Oscar Boeira, Pedro Weingaertner, Vasco Prado e Xico Stockinger.
“Doações Heitor Bergamini”, com curadoria da Equipe do Acervo Artístico. A exposição reúne parte significativa das doações efetuadas pelo colecionador, consistindo em duas dezenas de obras de arte, em especial aquarelas, mas também agregando técnicas como pintura à óleo, gravura e escultura. Nos últimos anos, Heitor Bergamini realizou doações para a Pinacoteca Aldo Locatelli e, recentemente, para a Coleção Rolf Zelmanowicz, com destaque para um conjunto de aquarelas de Carlos Mancuso, além de obras de outros artistas atuantes no Rio Grande do Sul ao longo do século XX e da sua própria produção escultórica.
“AUTO retrátil”, com curadoria de Gustavot Diaz, as artistas visuais Liana d’Abreu e Tuchi Niederhageböck criam autorretratos com técnica e inventividade buscam diálogo com o público. “Meu trabalho com autorretrato é uma conversa íntima, um autoconhecimento num processo que vem se desdobrando desde 2013, vivendo um luto tardio, que foi surgindo em trabalhos artísticos, através de retratos misturados com a minha mãe. No processo acabei dissolvendo essa associação e atualmente me retrato numa tentativa de reflexão sobre as minhas fragilidades. A fragmentação está sempre presente na construção dos meus autorretratos, um construir e desconstruir constante”, diz Liana. Já Tuchi, formada pelo IA/UFRGS, conta, por sua vez, que nos últimos tempos perdeu pessoas queridas e os filhos tomaram seu rumo. “A casa que estava sempre cheia de repente ficou vazia. Bateu a ‘síndrome do ninho vazio’, libertadora e ao mesmo tempo opressora e angustiante. As pinturas tentam transmitir a opressão e os desenhos a carvão são alegorias dos sentimentos de angústia. Percebi que meu ninho nunca será vazio, pois é composto de todos os afetos que de alguma forma contribuíram para ser quem sou”.
“Imersão”, com curadoria da própria artista, Manon Diemer. A mostra faz parte da residência cruzada que acontece no âmbito do 7º Prêmio Aliança Francesa de Arte Contemporânea. Traz a realidade paralela das paisagens de Porto Alegre, inspirada na obra de Iberê Camargo, Manon trabalhou na representação de 14 paisagens da Capital gaúcha entre o imaginário e a realidade, carregadas de uma visão ao mesmo tempo utópica e distópica. A artista, que começou sua residência em outubro, transmite em sua obra o verdadeiro amor pela beleza crua e selvagem da natureza. Ela articula traços da realidade e fantasia, dedicando-se a contemplar e observar, a fim de abrandar o ritmo frenético do mundo urbano.
“Superfícies: da rigidez à flexibilidade”, com curadoria de Luis Chico Vargas. Apresenta obras produzidas por Leonardo Loureiro entre 2014 e 2020, a exposição, traz a público um conjunto de objetos tridimensionais onde o artista explora em superfícies rígidas e flexíveis o relevo, a repetição, o movimento, a tensão e o equilíbrio, tomando como matéria-prima perfis de molduras fatiados.
“Alemanha, uma vez”, com curadoria de Hans-Georg Flickinger. A exposição apresenta as aquarelas do livro “Alemanha , uma vez”, do mesmo autor, lançado na Feira do Livro de Porto Alegre no ano passado. O livro traz a busca do autor pelas origens dos imigrantes alemães que se fixaram no sul do Brasil trazendo o registro de duas viagens feitas pelo artista em 2010 e 2015. Dentre os lugares registrados, estão Hannover, Bremen, Ulm, Stuttgart, Frankfurt , Main e Düsseldorf, entre outros.
- Memorial do Ministério Público e Memorial do Judiciário (Praça Mal. Deodoro)
A próxima opção de parada no roteiro são os memoriais, aproveite e confira as projeções imersivas na fachada do prédio do Memorial do Judiciário, com o tema TJRS 150 Anos Diante dos Seus Olhos - uma experiência memorável, será possível visualizar nos seguintes horários: 19h30min, 19h45min, 21h30min, 22h e 22h30min.
Já no Memorial do Ministério Público a exposição “IArte - Fotografia”, fruto de uma colaboração entre o Fotoclube Porto-alegrense e o Memorial do Ministério Público, que juntos trazem uma mostra inovadora, onde a inteligência artificial (IA) e a fotografia se encontram de maneira instigante. Os(as) artistas expositores(as) trazem diferentes abordagens sobre o impacto da IA no processo criativo, cada um(a) com uma visão própria, explorando como essa tecnologia transforma a forma de criar e perceber imagens. O resultado é uma exposição que provoca reflexões sobre os limites e possibilidades da arte contemporânea.
Além disso, o Memorial do Ministério Público recebe diversas atrações no pátio como, a peça teatral “Trapos e Farrapos – Negrinho”(18h30min(, o shows Camila Balbueno & Banda (19h30min) e Luana Maia (20h30min), também trará um espetáculo circense intitulado “Cabarezin (21h30min).
- Pinacoteca Ruben Berta (Rua Duque de Caxias, 973 - Centro Histórico)
Na Pinacoteca Ruben Berta está com a mostra coletiva “Articulações” em cartaz. A exposição traz resultados das pesquisas poéticas de artistas locais vinculados ao Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da UFRGS, que estendem seus olhares sobre algumas obras selecionadas do acervo histórico da Pinacoteca Ruben Berta. Reunindo processos em desenho, cianotipia, vídeo e instalações provisórias, os trabalhos realizam uma aproximação com algumas obras do acervo. Entre elas estão a da artista nipo-brasileira Tomie Ohtake e outras da ítalo-brasileira Maria Bonomi e do vanguardista Flávio de Carvalho.
Na programação artística há apresentações de Mariana Stedele e Banda Odomode (18h), Sarau das Inquietas (19h), Thays Prado (20h) e Mari Kerber Quarteto (21h).
- Cinemateca Capitólio (Rua Demétrio Ribeiro, 1085 - Centro Histórico)
A Cinemateca Capitólio participa do Noite dos Museus com uma programação em parceria com o Delfos - Espaço de Documentação e Memória Cultural da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e traz duas exposições, a primeira é a mostra permanente sobre a história do prédio, com do Centro de Documentação e Memória da Cinemateca Capitólio e outro com o acervo Caio Fernando de Abreu, com curadoria do Delfos/PUCRS.
Haverá uma performance teatral de Deborah Finocchiaro dedicada à obra do escritor Caio Fernando Abreu, às 21h45min, e atividades dedicadas ao cinema, como uma sessão maldita do filme O Massacre da Serra Elétrica (1974), que invade a madrugada de domingo.
- Espaço Força e Luz (Rua dos Andradas, 1223 - Centro Histórico)
No EFL são três exposições, confira detalhes sobre cada uma:
“Observatório Estético do Clime (OEC)”, com curadoria de Gabriel Cevallos. A mostra, criada especialmente para o Kino Beat 15 anos, foi desenvolvida com uma série de obras que visam criar e aplicar modos materiais e audiovisuais de representação para as mudanças climáticas agenciadas pelo Antropoceno. Em OEC, o coletivo Animal Autotune se propõe a fazer a ponte entre 1) a arte contemporânea, operada por som, vídeo e outros materiais físicos; 2) dados científicos que registram historicamente temperatura, quantidade de chuvas,velocidade dos ventos e outros eventuais dados climáticos; e 3) contextos políticos, dinâmicas existenciais e eventos históricos. Sendo assim, o objetivo central dessa proposta é evidenciar a relação das mudanças climáticas com os modos de vida na Terra, demonstrando como a aceleração produtiva é uma dinâmica humanista destrutiva ao planeta e como existem modos existenciais mais alinhados à preservação e desenvolvimento de um ecossistema diverso, multiespécie e multiculturalista.
“Em toda a parte a ausência das mãos de Ítalo”, com curadoria de Alec Lisboa, artista e curador. A mostra apresenta dez cartas ficcionais da personagem Júlia, que compartilha como a família e a casa se modificaram ao longo dos sete anos sem Ítalo. Irmão mais velho de Júlia, Ítalo saiu de casa ao se assumir transgênero e não encontrar suporte na família. Com um olhar sensível, a caçula segreda como tudo à sua volta se transformou, com o silêncio tomando espaço ao ponto de culminar na mudança de endereço. Invertendo a lógica dos trabalhos que focam no sofrimento vivido por pessoas trans, “Por toda parte a ausência das mãos de Ítalo” expõe como a violência dirigida a uma pessoa respinga de diferentes formas em quem está por perto.
“Fio Condutor: Retratos da Energia”, com curadoria de Marina Feldens e Marcelo Scheffer. A mostra busca contar a história do processo de eletrificação do estado. A mostra inclui fotografias, negativos e objetos do acervo do Museu. Entre os itens expostos, está um mosaico com 48 fotografias ampliadas sobre os processos de geração, transmissão e distribuição de energia do estado, datadas entre as décadas de 1920 e 1970. Elas fazem parte de um acervo de mais de 10 mil imagens da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), que costumava registrar cada etapa dos trabalhos. Muitas imagens não possuem autoria registrada por terem sido produzidas pela equipe de comunicação social da empresa.
Na programação artística, que acontece no Auditório Barbosa Lessa, há apresentações musicais e de sarau de Mythopoiesis (18h30min), Madblush (19h30min), Ovo Frito (20h30min), recreio (21h30min) e da peça teatral “Velha D+ Cenas” (22h30min).
- Clube do Comércio (Rua dos Andradas, 1085 - Centro Histórico)
No local estão duas exposições, inauguradas na 70ª Feira do Livro de Porto Alegre, a primeira é “Clube do Comércio, a exposição”, com curadoria de Pedro Haase. E “Grande Sertão”, com curadoria da própria artista, Graça Craidy. retrata, em 52 obras, os principais personagens, a flora e a fauna do romance Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa (1908/1967). Em óleo, acrílica e aquarela, Graça faz sua releitura pictórica de personagens como Riobaldo, Diadorim, Joca Ramiro, Hermógenes, Zé Bebelo, Otacília, Nhorinhá; da flora e da fauna do Cerrado, além do próprio Guimarães Rosa, que se embrenhou no sertão para captar a linguagem dos nativos e anotar tudo que via e ouvia a fim de conceber este que é considerado o maior romance brasileiro do século 20.
A programação artística, no Salão de Espelhos, trará a performance de dança “Engrenagem” (18h30min), a leitura de textos da obra Grande Sertão: Veredas, com Zé Adão Barbosa e alunos da Escola Casa de Teatro de Porto Alegre (20h) e os shows de Julio Reny Quartet (19h30min), Juliano, Nenung & Albo (20h30min), Fantomaticos (21h30min), Metanóia (22h30min) e Ianaê Régia (23h30min).
- Shows na Praça da Alfândega
Por fim, para quem gosta de multidões, a dica é aproveitas os shows no palco da Praça da Alfândega, que tem diversas apresentações musicais, com Maracatu Truvão (18h30min), Funkalister (19h), Sopre Suas Feras (20h), Clarissa Ferreira e Banda (21h), Guará (22h) e Edu K e Banda (23h).