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“O Último Azul”, com Rodrigo Santoro, chega aos cinemas

Crítico de cinema Marcos Santuario comenta, em poucos minutos, as produções que podem ser conferidas, a partir desta quinta-feira, dia 28 de agosto

Crítico de cinema Marcos Santuário
Crítico de cinema Marcos Santuário Foto : Youtube / Reprodução / CP

Na abertura do 53° Festival de Cinema de Gramado vive-se um daqueles momentos que definem não só uma edição, mas um tempo histórico. A sessão de abertura trouxe à tela o aguardado “O Último Azul”, novo longa-metragem do pernambucano Gabriel Mascaro, que estreia nesta quinta-feira nos cinemas.

Em Gramado, o que se viu e ouviu foi mais que uma estreia, foi um arrebatamento. A plateia aplaudiu, longamente, como quem reconhece a força de uma obra que escancara feridas com lirismo, coragem e beleza bruta.

Vencedor do Urso de Prata, Grande Prêmio do Júri na 75ª Berlinale, o filme não chegou a Gramado como promessa, mas como consagração. Já foi selecionado para mais de 40 festivais ao redor do mundo, tem distribuição garantida em 65 países e carrega na bagagem um histórico que beira o inédito. Escancara 100% de aprovação no Rotten Tomatoes, o topo do jury grid do do Screen International (com a maior média de notas entre todos os concorrentes da Berlinale), além de dois prêmios paralelos no festival alemão, o Prêmio do Júri Ecumênico e o Prêmio do Júri de Leitores do Berliner Morgenpost.

“O Último Azul” não se contenta em ser apenas cinema. É uma provocação estética e política que parte do coração da Amazônia brasileira, onde se desenrola uma distopia perturbadoramente plausível: o governo, num futuro não tão distante, decide realocar idosos para uma colônia habitacional, sob o pretexto de que ali poderão “desfrutar” os anos finais com dignidade. Mas o que se apresenta como cuidado é, na verdade, abandono institucional, eufemismo para exílio. No centro da trama, Tereza (em atuação monumental de Denise Weinberg, que rendeu a ela o Prêmio Maguey de Melhor Interpretação no Festival de Guadalajara), aos 77 anos, decide fugir antes de seu embarque obrigatório rumo ao fim. Guiada por um último desejo, ela embarca em uma jornada pelos rios da Amazônia que é também um mergulho na própria vida: memória, medo, desejo, resistência.

O elenco afiado inclui Rodrigo Santoro, Adanilo, a atriz cubana Miriam Socarrás e a amazonense Rosa Malagueta, além de mais de 20 atores do Amazonas, compondo um retrato autêntico e visceral da região. O filme foi rodado em Manaus, Manacapuru e Novo Airão, locais que aparecem na tela não como paisagem exótica, mas como corpos vivos que respiram junto com os personagens.

Depois de Gramado, o filme segue sua rota internacional: em setembro, participa da 50ª edição do Festival de Toronto (Tiff), dentro da prestigiada mostra Centrepiece, voltada a diretores contemporâneos aclamados. Também passou pelo Melbourne International Film Festival, pelo New Horizons, na Polônia, pelo Festival de Cinema de Lima, pela competição do Sydney Film Festival e pelo Festival Internacional de Xangai, onde Mascaro esteve presente. “O Último Azul” é mais um capítulo de uma filmografia que já entregou obras como “Boi Neon” e “Divino Amor”.

Confira as estreias da semana:

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