A Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (Ospa) executa programa que aproxima a música brasileira do repertório sinfônico europeu. A apresentação ocorre nesta sexta, 30, 20h, no Complexo Cultural Casa da Ospa (Borges de Medeiros, 1501). Sob regência do maestro norte-americano Michael Repper, a Orquestra recebe pela primeira vez o Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo, convidado para interpretar o “Concerto para Quarteto de Cordas e Orquestra”, de Radamés Gnattali, compositor gaúcho cujo centenário é celebrado em 2026. Após o intervalo, a Ospa executa a “Sinfonia nº 9 em mi menor, op. 95, "Do Novo Mundo"”, de Antonín Dvorák. Os ingressos estão à venda pelo Sympla. As entradas dão direito a conferir a palestra Notas de Concerto, às 19h, na qual o violista da Ospa João Senna analisa o repertório da noite.
Fundado em 1935, o Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo tem uma trajetória dedicada à difusão da música de câmara e ao estímulo à criação musical brasileira. Atualmente, é um grupo artístico fixo do Theatro Municipal de São Paulo e reúne os violinistas Betina Stegmann e Nelson Rios, o violista Marcelo Jaffé e o violoncelista Rafael Cesario. Ao longo de sua história, o conjunto recebeu os prêmios Carlos Gomes e APCA de Melhor Conjunto Camerístico, consolidando sua atuação no cenário musical brasileiro. O quarteto paulistano completou 90 anos em 2025. Em Porto Alegre, o grupo interpretará junto à Ospa o “Concerto para Quarteto de Cordas e Orquestra”, de Radamés Gnattali (1906-1988), um dos principais compositores brasileiros do século 20, dono de linguagem própria que incorporava sonoridades populares brasileiras à tradição da música de concerto. Na peça, dois violinos, viola e violoncelo alternam momentos em que atuam como uma unidade, dialogando com a orquestra, e passagens de maior destaque individual.
A Sinfonia do Novo Mundo e regência de Michael Repper
Após, a Ospa interpreta a “Sinfonia n° 9”, de Dvorák (1841–1904) conhecida como a “Sinfonia do Novo Mundo”. Composta em 1893, durante o período em que o músico tcheco viveu nos Estados Unidos e dirigiu o Conservatório Nacional de Música de Nova York, a obra reflete seu interesse pelas tradições musicais que encontrou no País, especialmente os spirituals afro-americanos e expressões musicais dos povos originários. Essas referências se combinam à formação europeia do compositor e à sua identidade musical tcheca. Após a estreia, com a Filarmônica de Nova York, no Carnegie Hall, a melodia expressiva do segundo movimento inspirou a canção “Goin" Home”, com letra de William Arms Fisher.
A regência do concerto será de Michael Repper, em sua segunda semana como regente convidado da Ospa. Diretor musical da Orquestra Sinfônica de Ashland, da Orquestra Sinfônica do Meio-Atlântico e da Orquestra do Northern Neck, nos Estados Unidos, o maestro também conduziu a Sinfonía por el Perú e a Orquestra Juvenil de Nova York no Carnegie Hall. Repper foi o mais jovem maestro norte-americano a vencer o Grammy de Melhor Performance Orquestral, por uma gravação com a Orquestra Juvenil de Nova York, e também recebeu duas indicações ao Grammy.