Arte & Agenda

Painel instalado na CCMQ homenageia 120 anos de Mario Quintana

Obra de Claudio Ramires foi instalada nesta sexta-feira, 2, no Jardim Lutzenberger

Painel foi projetado com alumínio e pigmentos minerais para suportar as intempéries
Painel foi projetado com alumínio e pigmentos minerais para suportar as intempéries Foto : Larissa Har / Especial CP

No ano em que Mario Quintana completaria 120 anos de existência, as homenagens são diversas. Oficinas, leitura, música e teatro. Até mesmo um longa-metragem que retrata a amizade do poeta com a fotógrafa Liane Neves transportou quem passava pelos sets de filmagens para a Porto Alegre de 1986, mostrando os caminhos por onde Quintana passou. Caminhos estes que foram enraizados na cultura gaúcha; e Mario Quintana considerado um dos maiores poetas brasileiros.

Nesta sexta-feira, 2, o local que também é uma homenagem a ele, a Casa de Cultura Mario Quintana (CCMQ), recebeu uma obra de arte que o celebra. Concebido pelo artista visual Claudio Ramires, o painel “Eu Passarinho” mescla a figura de um pássaro sabiá e uma das fotos mais conhecidas de Quintana. O nome da obra faz referência ao “Poeminho do Contra”:

“Todos esses que aí estão.

Atravancando meu caminho,

Eles passarão…

Eu passarinho!”

Apesar de ter concebido a obra em um ano, a história dos artistas começou há muitos anos. Claudio conta que ainda jovem “matava aula” para ir ao Museu de Arte do Rio Grande do Sul (Margs) e, ironicamente, no caminho, encontrava Quintana. “Encontrava o poeta nos seus passeios matinais nesse eixo do Hotel até a Praça da Alfândega, a Livraria do Globo... eu tinha contato, mas era um moleque muito tímido quando falava com ele”, lembra.

A ideia inicial da homenagem partiu do furto da placa de bronze que continha o poema “O Mapa”, localizada na Praça da Alfândega, em 2025. O fato motivou o diretor-presidente do Banrisul, Fernando Lemos, a tentar reparar a situação. “Foi quase um atentado ao nosso poeta. Fiquei tão envergonhado com isso que pensei em fazermos alguma coisa.”. Assim, Beatriz Araújo, coordenadora do Banrisul Cultural, entrou em contato com Cláudio Ramires e começaram a definir o que seria o projeto.

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Ao entrar no Jardim Lutzenberger, no 5º andar da CCMQ, o painel está à direita, composto por 60 perfis em “L” que totalizam 120 faces, uma para cada ano de existência. O numeral também permeia a obra de outra maneira, como forma de homenagem, mas a ideia é que os visitantes contemplem e busquem os detalhes pensados pelo artista. “Quintana era o mais pintor dos poetas. Tanto na construção das imagens, através do eu lírico, quanto na citação literal, na qual ele mostra profundo conhecimento das cores, da luz”, explica Claudio, além de apontar a presença de referências evidentes a Johannes Vermeer (1632-1675), responsável pela criação de “Moça com Brinco de Pérola”, e a Vincent van Gogh (1853-1890) com seus girassóis.

Para produzir a homenagem, a equipe liderada pelo pintor utilizou o espaço do Museu de Arte Contemporânea (MACRS) instalado na CCMQ e, por dias e noites, trabalharam para captar a essência do poeta em seu local mais marcante. “Me senti o próprio fantasma do Majestic”, brinca Claudio.

Em função da exposição aos eventos climáticos, o alumínio é o principal atuante na não degradação da obra, mas também foram usados pigmentos minerais para suportar os raios ultravioleta, já que o painel está em orientação leste, ou seja, a favor do Sol. À noite, a iluminação do Jardim vai favorecer a pintura com cores que tornam a experiência ainda mais imersiva. Além disso, o Banrisul Cultural também criou a “poesia aumentada”, uma espécie de realidade virtual que contém poemas escritos por Mario Quintana ao longo dos anos. O acesso se dá pelo QR Code instalado na obra e só funciona para quem estiver na Casa de Cultura.

*Sob supervisão de Adriana Androvandi

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