Com uma programação que aposta em experiências sensoriais e linguagens inclusivas “para democratizar o acesso à cultura”, começa nesta terça-feira, dia 20, a 19º edição do Palco Giratório. A partir deste evento, a capital gaúcha recebe novamente um dos maiores eventos das artes cênicas do país. Neste ano, o Festival Palco Giratório Sesc em Porto Alegre, além de atrações estreladas pelo talento de pessoas com deficiência, coloca um de seus principais focos na ampliação da acessibilidade.
Pela primeira vez, o evento contará com visitas táteis aos espetáculos com audiodescrição. A proposta é que pessoas cegas, com baixa visão ou surdocegas possam explorar cenários e figurinos por meio do tato, com a orientação de profissionais especializados. Sem a necessidade de agendamento prévio, esses grupos acessam os espaços culturais uma hora antes de cada apresentação, onde têm a oportunidade de imergir mais no universo proposto por cada espetáculo. Além disso, algumas apresentações contarão ainda com tradução simultânea em Libras, a Língua Brasileira de Sinais.
“Mais do que assistir a um espetáculo, queremos que todas as pessoas possam vivenciar a arte. A acessibilidade está no centro desta edição porque acreditamos que a cultura deve ser um direito de todos”, afirma a coordenadora de Artes Cênicas, Visuais e de Arte Educação do Sesc/RS e curadora do Circuito Nacional do Palco Giratório, Jane Schoninger.
Esta 19ª edição vai até dia 08 de junho, com 64 sessões de espetáculos apresentados por 52 grupos artísticos - sendo 24 do Rio Grande do Sul - que tomam conta de 22 espaços culturais da Capital Gaúcha.
Outro destaque desta edição é a inclusão, do ponto de vista dos artistas em cena. O palco se torna espaço de expressão plural e acessível com espetáculos que evidenciam a potência criativa de artistas com deficiência. Em “Azul Marítimo”, por exemplo, o premiado ator, diretor e roteirista Victor Di Marco apresenta primeiro solo autoral. Ativista pelos direitos das pessoas com deficiência, ele traduz em cena seus medos e fascínios pelo mar. Constrói performance em que palavras retas e estáveis se contrapõem ao movimento instável das ondas, revelando dança marcada por tropeços, tremores e desequilíbrios. Resulta em narrativa fluida, que desafia a rigidez e celebra o delírio.
Também é destaque o espetáculo mineiro “Aptá”, que explora as relações humanas por meio da dança-teatro. A criação é inspirada na convivência do ator e bailarino Bernardo Gondim com seu filho autista.
A partir dessa vivência, o espetáculo reflete sobre o olhar da infância neurodivergente, abordando temas como o hiperfoco, a sensorialidade e o afeto entre gerações. Além de proporcionar a acessibilidade nos palcos e na plateia, o festival ainda oportuniza a educação como fomento à inclusão com a presença do artista Subtu, grafiteiro e muralista conhecido por sua atuação em projetos inclusivos.
A programação completa do festival pode ser conferida no site. Há atrações gratuítas e outras que cobram ingresso.