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“Pânico 7” e “Sirāt” chegam aos cinemas

Crítico de cinema Marcos Santuario comenta, em poucos minutos, as produções que podem ser conferidas, a partir desta quinta-feira, dia 26 de fevereiro

Crítico de cinema Marcos Santuario
Crítico de cinema Marcos Santuario Foto : Youtube / Reprodução / CP

Nesta quinta-feira os cinemas se transformam num campo de batalha de sensações. Do terror metalinguístico ao drama intimista, da animação futurista ao thriller ácido sobre poder e ganância. As estreias da semana disputam não apenas bilheterias, mas a própria atenção de um público cada vez mais fragmentado. Em comum, todas trazem uma pergunta incômoda: o que nos move a sair de casa para encarar a tela grande?

Confira o vídeo:

O grito mais alto vem de “Pânico 7”, dirigido por Kevin Williamson e estrelado por Neve Campbell e Courteney Cox. O novo Ghostface retorna para lembrar que o medo nunca envelhece, apenas muda de endereço. Agora, Sidney Prescott tenta proteger a filha numa cidade pacata, enquanto enfrenta os traumas que a franquia ajudou a eternizar na cultura pop. Aqui, o terror não é só faca e máscara, é herança emocional. É a repetição cíclica da violência. Para as audiências, a promessa é dupla e traz nostalgia e adrenalina. O slasher entende que seu público quer reconhecer códigos, mas também deseja ser surpreendido.

No extremo oposto da excitação pop está “Sirāt”, de Oliver Laxe, indicado ao Oscar de Filme Internacional. Polêmicas à parte, o longa mergulha num drama árido e espiritual. Pai e filho atravessam raves no sul do Marrocos em busca de Mar, desaparecida em meio à música eletrônica e à promessa de liberdade. O deserto aqui não é cenário, é estado de espírito. Diferente do terror norte-americano que grita, “Sirãt” silencia e sufoca. Seu público é outro. É aquele que busca cinema como experiência sensorial e reflexão, disposto a encarar o desconforto e a ambiguidade moral.

HISTÓRIAS

Também pautado pela memória está “A História do Som”, de Oliver Hermanus, com Paul Mescal e Josh O'Connor. O filme troca o susto pela delicadeza. Dois homens percorrem o interior dos EUA registrando canções de ex-soldados da Primeira Guerra. Entre gravações e paisagens rurais, nasce algo contido, quase sussurrado. É um drama que aposta na escuta, literal e metafórica. Se “Pânico 7” acelera o coração, aqui o cinema pede silêncio, atenção, entrega.

Já “Arco”, animação de Ugo Bienvenu, fala com o público jovem sem subestimar sua inteligência. Um menino do ano 2932 viaja ao passado por meio de um arco-íris e descobre um mundo dependente de androides e redomas climáticas. A fantasia colorida esconde uma advertência ecológica e tecnológica. É entretenimento com consciência, à famílias que querem mais do que distração e querem debate.

Por fim, “Manual Prático da Vingança Lucrativa”, de John Patton Ford, aposta no cinismo. Com Glen Powell no papel de um herdeiro disposto a matar para recuperar fortuna bilionária, o filme provoca até onde vai a obsessão por status? Aqui, o terror é corporativo, a violência é estratégica e o vilão veste terno. Entre máscaras, desertos, canções, arco-íris e heranças sangrentas, os filmes oferecem um cardápio plural. O público decidirá se prefere gritar, refletir, se emocionar ou se indignar. Talvez o verdadeiro suspense esteja fora da tela. E para seguir acreditando que o cinema é o melhor lugar para sentir tudo isso ao mesmo tempo.

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