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Para Laura Linney, filme sobre Parkinson marca ponto de virada

Atriz americana diz, no Festival de Cinema de Toronto, que experiência em "Onwards and Sideways" a transformou e a deixou abalada de forma positiva

Laura Linney comparece à estreia de "Onwards and Sideways" durante o Festival Internacional de Cinema de Toronto de 2026
Laura Linney comparece à estreia de "Onwards and Sideways" durante o Festival Internacional de Cinema de Toronto de 2026 Foto : Savion Washington / Getty Images via AFP / CP

Laura Linney costuma deixar seus papéis no set de filmagens, mas não conseguiu fazer isso com "Onwards and Sideways", um drama com uma pitada de humor que acompanha duas pessoas diagnosticadas com Parkinson no mesmo dia.

"Saí do filme como uma pessoa diferente. Fiquei muito abalada... no bom sentido. A experiência ainda está presente", disse a atriz americana em entrevista à AFP no Festival Internacional de Cinema de Toronto.

Dirigido por John Madden ("Shakespeare Apaixonado"), o longa-metragem se concentra em como os caminhos de Emma (Linney) e Tony (Rhys Ifans) se cruzam quando, no mesmo dia, ambos são diagnosticados com Parkinson por um neurologista que lhes prevê "cinco bons anos".

O filme, que estreou no domingo no festival, não pretende ser "uma lição sobre o que a condição pode ser", explicou seu diretor, mas sim abordar "o que pode acontecer com estas duas pessoas (...) porque, de repente, você fica fisgado por essa relação", ressaltou o cineasta britânico.

Madden, que recebeu o primeiro roteiro da obra anos atrás, destacou que um diagnóstico de Parkinson ainda carrega um forte estigma. "Quando você recebia essa informação, a reação sempre era "ah, não!" porque, na época em que eu cresci, ninguém queria falar ou ouvir sobre isso, porque significava o fim da sua vida. Mas Parkinson não é isso", disse.

O cineasta inicialmente desistiu de trabalhar no projeto quando uma pessoa próxima a seu círculo havia sido diagnosticada. Mas, ao recebê-lo novamente anos depois, não conseguiu resistir ao manuscrito de Paul Mayhew-Archer, que sofre da doença.

"O roteiro era divertido (...) era como se ele tivesse uma espécie de desafio diante da situação que tinha vivido", comentou.

Para Mayhew-Archer, que também atua na produção, as "doenças graves não precisam ser tratadas de forma séria o tempo todo". "Há comédia nisso, e se mantivermos apenas uma atitude miserável, só acabamos nos machucando", disse à AFP no tapete vermelho.

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Responsabilidade

A história também marcou Rhys Ifans, que interpreta um professor de escola que, ao contrário de Emma, esconde seu diagnóstico.

"Isso me mudou. Não sei se me suavizou, mas certamente me deixou mais consciente da minha sensibilidade inata", afirmou.

Para ambos os atores, o roteiro também representou desafios físicos para mostrar a transformação corporal de seus personagens ao longo dos anos.

"De um jeito curioso, dissemos que sim a isso, e de repente você percebe (...) a grande responsabilidade que tem, porque sabe que está representando pessoas que foram diagnosticadas com Parkinson", afirmou Ifans.

"Queríamos representar uma comunidade de maneira adequada e respeitosa", acrescentou Linney.

Mayhew-Archer, um dos apresentadores do premiado podcast "Movers and Shakers", sobre o cotidiano do Parkinson, disse que o filme não buscou apenas fortalecer a voz dessa comunidade, mas também dar incentivo às pessoas diagnosticadas com a doença.

"Espero que as pessoas com Parkinson ganhem confiança e força com este filme, e que possam rir", adicionou.

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