A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, por meio de nota, informou nesta segunda-feira que o diretor do Departamento Geral de Polícia Especializada (DGPE), Ronaldo Oliveira, determinou à Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI) a instauração de um inquérito para apurar o crime de racismo que envolve a atriz Taís Araújo. Ela será ouvida e os autores identificados serão intimados para depor.
Na tarde de domingo, comentários em apoio à atriz, vítima de racismo no Facebook, ganharam destaque nas redes sociais. A hashtag #somosTodosTaisAraujo ficou entre os trend topics, assuntos mais tuitados em um determinado momento, no Brasil. Ela agradeceu os internautas em seu perfil no Facebook.
Os ataques racistas aconteceram na noite de sábado. No domingo, Taís divulgou um texto no qual diz que não irá apagar os comentários, tudo será registrado e enviado à polícia. No Facebook, diz que denunciou, junto com outros usuários da rede, os perfis dos agressores.
“Faço questão que todos sintam o mesmo que senti: a vergonha de ainda ter gente covarde e pequena nesse país, além do sentimento de pena dessa gente tão pobre de espírito. Não vou me intimidar, tampouco abaixar a cabeça. Sigo o que sei fazer de melhor: trabalhar. Se a minha imagem ou a imagem da minha família te incomoda, o problema é exclusivamente seu!”, escreveu, dirigindo-se aos autores das postagens racistas.
Taís Araújo acrescentou que, por coincidência, no momento em que tais postagens foram feitas, ela estava encenando “O Topo da Montanha”, um texto sobre Martin Luther King que trata de afeto, tolerância e igualdade. “Quero que esse episódio sirva de exemplo: sempre que você encontrar qualquer forma de discriminação, denuncie. Não se cale, mostre que você não tem vergonha de ser o que é e continue incomodando os covardes. Só assim vamos construir um Brasil mais civilizado”.
Ao longo do dia, Taís Araújo recebeu mais de 40 mil comentários de apoio. Muitos internautas trocaram as fotos do perfil por fotos da atriz. O racismo é crime no Brasil e, por lei, quem praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional pode ser condenado a reclusão de um a três anos, além de pagar multa.
Denúncias de racismo podem ser feitas pelo 156, opção 7, ou em telefones específicos definidos em cada localidade. No Rio de Janeiro, a delegacia responsável é a Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática.
Polícia Civil vai ouvir Taís Araújo sobre caso de racismo
Atriz afirmou que enviará registros de comentários às autoridades