As sessões lotadas do 33º Porto Alegre em Cena, entre os dias 10 e 20 de setembro, refletem o sucesso de um dos principais festivais de artes cênicas da América Latina. Ao todo, cerca de 30 mil pessoas ocuparam as plateias e mais de 700 profissionais estiveram envolvidos diretamente no evento, entre artistas, produtores e técnicos.
“Esta edição mostrou a força do Porto Alegre em Cena. Tivemos sessões extras, salas lotadas, aplausos de pé e uma circulação muito grande de público entre os espaços. Acredito que um festival se realiza de verdade quando ultrapassa os limites dos palcos e passa a fazer parte da vida da cidade, com as pessoas comentando os espetáculos, se encontrando nas plateias e verdadeiramente maratonando teatro, indo de uma sala para a outra”, comemora Luciano Alabarse, coordenador-geral do Porto Alegre em Cena.
Nos bastidores, outros números reforçam o impacto econômico e cultural do festival apresentado pela Petrobras. Cerca de 300 pessoas vieram de fora da capital gaúcha para trabalhar em atividades do evento. Entre elas, estavam artistas da Argentina e do Canadá, além de profissionais de diferentes Estados brasileiros, como São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Pernambuco, Bahia, Ceará, Rio Grande do Norte, Goiás e Minas Gerais. Do interior do Rio Grande do Sul, nomes vindos de Canela, Caxias do Sul, Ivoti e Pelotas estiveram na capital gaúcha para participar da programação.
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Toda essa movimentação também teve impacto na economia. Mais de 250 passagens aéreas foram emitidas, e foram utilizadas cerca de 750 diárias de hotel, em seis hotéis envolvidos. No setor da gastronomia, mais de 1,5 mil refeições foram servidas em 29 restaurantes conveniados diretamente com o festival.
Conexões artísticas
Outra característica do Porto Alegre em Cena são as conexões artísticas formadas a partir de encontros proporcionados pelo evento. Um exemplo é uma ação conjunta que está sendo planejada por Hblynda Morais e Lauro Ramalho após conversas nos bastidores do evento. A artista pernambucana não binária veio à cidade com a montagem autobiográfica "Hblynda em TRANSito”, em sessões na Sala Álvaro Moreyra; e o ator gaúcho participou com o espetáculo “Jurassic Queens”, no Ponto de Encontro Petrobras, na Zona Cultural.
O Em Cena também proporciona conexões para que espetáculos gaúchos possam circular em outros Estados. Entre elas está a parceria que prevê a presença de duas montagens gaúchas na próxima edição do festival pernambucano: “Janeiro de Grandes Espetáculos: Todas as Minhas Mortes”, montagem com texto e atuação de Júlio Conte e direção de Marcelo Restori; e “A Vingança é um Jardim Selvagem”, solo de Priscilla Colombi, assinado pela Cia Rústica, com direção de Patricia Fagundes. O diretor do festival, Paulo de Tarso, veio ao Rio Grande do Sul para assistir às montagens e confirmou os dois convites.
“Também fico muito feliz com a aproximação que conseguimos estabelecer com a produção do Nordeste. É um movimento de cruzar o Brasil, colocar diferentes territórios em diálogo e criar conexões que não terminam com o festival. Acho que acertamos ao apostar em uma programação potente e cheia de esperança, que mostra a força da nossa produção cultural”, acrescenta Alabarse.
Preparação para 2027
Para os organizadores, a edição de 2027 entrou em fase de planejamento. Entre as atividades confirmadas, está o lançamento do 12º volume da série "Gaúchos em Cena”, iniciativa histórica do Porto Alegre em Cena que reúne biografias de importantes nomes das artes cênicas.
Neste ano, o projeto homenageou a diretora Adriane Mottola, com um livro de autoria da atriz, historiadora e pesquisadora Juliana Wolkmer, publicado pela editora Libretos. O homenageado em 2027 será Dilmar Messias, ator, diretor e dramaturgo com mais de 50 anos de carreira. Fundador do icônico Circo Girassol, o artista tem mais de 60 espetáculos em seu currículo, entre teatro adulto, infanto-juvenil e comédia, além de homenagens em festivais como o próprio Porto Alegre em Cena.
Outro fator que contribui para antecipar o planejamento e tornar a 34ª edição ainda mais expressiva é a oficialização da Petrobras como apresentadora de mais uma edição. A renovação do patrocínio possibilitará que a organização do festival faça com mais tranquilidade e antecedência o mapeamento de espetáculos e convites para a próxima edição, que já começou a ser preparada.
Destaques de 2026
Em 2026, a 33ª edição do Porto Alegre em Cena ocupou 13 palcos da capital gaúcha com 77 apresentações de 51 espetáculos, além de mais de 30 conexões formativas, como oficinas e bate-papos, ultrapassando a marca de cem atividades realizadas. O festival reuniu montagens de teatro, circo, dança e música.
Passaram pela capital gaúcha espetáculos de sucesso de público e crítica, como "Hip Hop Hamlet”, releitura musical, contemporânea e urbana do clássico de Shakespeare, com criação e direção artística de Guilherme Leme Garcia; e “As Centenárias” em versão musical protagonizada por Juliana Linhares e Laila Garin. Também estiveram presentes montagens como “Lia Lia”, com Bete Coelho e Camila Pitanga; e “Choque! Procurando Sinais de Vida Inteligente”, atuação solo de Danielle Winits dirigida por Gerald Thomas, trazida à cidade em parceria com a PUCRS. Outros destaques foram “Dora”, comédia escrita por Thereza Falcão, protagonizada por Grace Gianoukas, com direção de Gilberto Gawronski; e “Mudando de Pele”, com Taís Araújo e direção de Yara de Novaes. Também fizeram sucesso as ocupações em homenagem a Guimarães Rosa e a Caio Fernando Abreu, e a leitura dirigida por Gabriel Villela para o clássico Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna.
A música ganhou destaque na programação, com homenagens a João Gilberto, Gonzaguinha e Waly Salomão, e apresentação do trabalho da artista potiguar Juliana Linhares, que recebeu a indicação ao Grammy Latino enquanto estava na capital gaúcha. A abertura desta edição foi com o encontro musical entre gaúchos e argentinos em "La Pampa Grande”, que reuniu Dolores Solá, Liliana Herrero, Carlos Villalba, Hique Gomez, Arthur de Faria, Vitor Ramil, Pedro Longes e Nina Nicolaiewsky cantando e tocando diferentes repertórios, acompanhados pelos violonistas argentinos Diego Rolón e Pedro Rossi e pelo percussionista brasileiro Giovanni Berti.
A dança teve protagonismo, com espetáculos nacionais e estrangeiros. Entre os destaques estão dois espetáculos vindos do Canadá: “Cherepaka”, obra da companhia Nadère Arts Vivants, e Confession Publique, solo da companhia Mayday. Também foram apresentados “Dança Boba”, do Ateliê do Gesto, de Goiás, e dois espetáculos do Ceará: “Tchau, Amor”, montagem com notas de teatro-dança e teatro performativo da Inquieta Cia, e “Clemente”, solo de Andreia Pires com direção de Vinícius Arneiro.
A programação contou ainda com diversos espetáculos do Rio Grande do Sul. Foram eles: "7 Cidades”, da Cia de Arte La Negra Ana Medeiros; “AUTODescrição - Tudo o que eu não vejo”, da Cia. Reverbo; Bayle da obra, dirigido por Moracos Manicongo; “Corpomundo”, da Cia de Teatro e Dança Fábrica de Sonhos - Arte, Inclusão, Diversidade e Pertencimento; “Criaturas da Literatura”, da Cia Teatro Lumbra; “Geppetto”, do grupo Máscara EnCena; “Kaiu da Kombi”, do Ponto de Cultura Kombinação; “Katchaku Katchaka: era uma vez em Odjéidjé”, de Loua Pacom; “Riso de Mãe é Coisa Séria”, do coletivo Fiandeiras Artes da Cena; e “Um Leão na Sala de Aula”, da Cia Gatelupa.
Reside Alegre
Outro importante destaque deste ano foi a realização de mais uma edição do Reside Alegre, residência artística que deu a largada para as atividades do 33º Porto Alegre em Cena com uma série de atividades gratuitas na rua Alberto Torres, no bairro Cidade Baixa, entre os dias 5 e 6 de setembro.
O projeto recebeu o público com ações imersivas como áudio guia, narrativas desdobradas em diversos formatos, além de espetáculos realizados nas casas dos moradores, na Creche São Francisco de Assis, no restaurante KiloGrama e ao ar livre, nas calçadas. A programação foi criada pela diretora e coordenadora argentina Monina Bonelli, a curadora e coordenadora pernambucana Paula de Renor, o curador e diretor Celso Curi e o coordenador Wesley Kawaai, ambos de São Paulo.
O grupo ainda contou com direção de produção artística de Sandra Possani e a participação de 15 alunos do DAD, além da participação da diretora, iluminadora e produtora Nara Lucia Maia, que ocupou o cargo de vizinha-embaixadora, fundamental para a confluência na relação com a comunidade.