O 33º Porto Alegre em Cena conta com duas atrações imperdíveis nesta terça e quarta-feira: “Choque! Procurando Sinais de Vida Inteligente”, com Danielle Winits e direção de Gerald Thomas, e “Tchau, Amor”, da Inquieta Cia, do Ceará. Os ingressos estão disponíveis no site do festival.
Após temporadas de sucesso no Rio de Janeiro e em São Paulo, é a vez do Salão de Atos da PUCRS (Av. Ipiranga, 6681) receber, às 20h, em seu palco, a peça “Choque!” Inspirado no monólogo “Procurando Sinais de Vida Inteligente no Universo”, escrito pela norte-americana Jane Wagner e originalmente encenado em 1985 por Lily Tomlin, o espetáculo ganhou uma nova abordagem pelas mãos de Thomas. A montagem preserva a estrutura da obra, mas incorpora questões como redes sociais, inteligência artificial e a cultura dos influencers.
“Eu acrescentei questões atuais, questões cibernéticas, questões de Instagram, Facebook, Elon Musk, essa porcariada toda, Donald Trump, enfim, essa coisa toda, esse mundo que a gente vive hoje numa outra velocidade, numa outra loucura, num fascismo, vamos dizer assim”, afirma Thomas.
O diretor explica que a atualização mantém o “esqueleto” do texto original, mas permite discutir transformações ocorridas nas últimas quatro décadas. A personagem central é uma ex-consultora criativa que se tornou catadora de lixo e acredita ter recebido um contato extraterrestre. A partir dessa situação, questiona se ainda existem sinais de inteligência no mundo.
“Eu buscava uma atriz maravilhosa, eu encontrei uma atriz maravilhosa, que ficou cada vez mais maravilhosa e mais maravilhosa”, diz Thomas sobre Danielle Winits, que interpreta múltiplas vozes em cena. Segundo o diretor, a reação do público em São Paulo confirmou suas expectativas: “Ela foi realmente consagrada, ovacionada no palco da FAAP em São Paulo.”
Apresentação da Inquieta Cia
No Teatro Bruno Kiefer da Casa de Cultura Mario Quintana (Andradas, 736), “Tchau, Amor” terá sessões às 20h. A montagem da Inquieta Cia tem uma premissa que parece o começo de uma piada infame: a Dona do Bar (Geane Albuquerque), o Garçom (Wellington Fonseca), a Cliente (Melindra Lindra) e o Seresteiro (Gyl Giffony) estão em um bar, onde todos parecem presos a uma relação de codependência. Para o público, o universo aparentemente único do bar é redimensionado em vários outros espaços de suas próprias vivências.
A direção e o texto são de Andréia Pires, que explica que a peça nasceu durante a pandemia e teve como estímulo inicial o livro “Jogo da Amarelinha”, de Julio Cortázar. A dramaturgia foi construída ao longo dos ensaios, a partir dos exercícios realizados pelos atores.
“Essa construção narrativa performática, ela vai nascendo dos próprios atores, na relação com essa história que também surge na sala de ensaio”, afirma Andréia.
A montagem cruza teatro e dança e incorpora referências como “Café Müller”, de Pina Bausch, e “Rosas Danst Rosas”, de Thierry De Mey e Anne Teresa De Keersmaeker. A movimentação corporal se torna parte da narrativa de um bar em processo de falência afetiva. “É uma peça que fala do fim de quem vai embora e de quem fica. O que acontece se alguém for embora? O que sobra para quem fica?”, questiona a diretora. Para ela, o espetáculo aborda relações amorosas, familiares, profissionais e de amizade em momentos nos quais, embora a relação pareça encerrada, as pessoas não conseguem partir. “Então, é sobre olhar, observar e notar que eu preciso ir embora desse lugar, dessa relação”, resume.
*Colaboração de Larissa Har.