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Primeira ópera de Arthur de Faria estreia nesta terça

Projeto Terça Lírica do Memorial do Judiciário do RS apresenta obra que narra relatos de Mrs. Kindersley, primeira mulher a escrever sobre o País

Equipe da ópera: Valquíria Cardoso, Áurea Baptista, Cristine Guse, Mel Souza e autor Arthur de Faria
Equipe da ópera: Valquíria Cardoso, Áurea Baptista, Cristine Guse, Mel Souza e autor Arthur de Faria Foto : Vitória Proença / Divulgação / CP

Pela primeira vez, o projeto Terça Lírica, do Memorial do Judiciário do RS (Praça Mal. Deodoro, 55) faz sua estreia mundial com a ópera "Escritos sobre um Brasil - cartas de Mrs. Kindersley", do pianista, compositor, produtor musical, arranjador, pesquisador e jornalista Arthur de Faria. O evento começa às 19h, com entrada franca.

Com curadoria de Flávio Leite e direção cênica de Áurea Batista, a obra traz a mezzosoprano Cristine Guse como Jemima Kinderslay, autora dos primeiros relatos a respeito do País, por meio de cartas, no século XVI, musicadas por Arthur. Na equipe, também estão a pianista Mel Souza, com assistência de direção de Valquíria Cardoso.

"Os primeiros trechos foram para o espetáculo "Selvageria", da Ultralíricos, coletivo de São Paulo dirigido pelo Felipe Hirsch, que eu integrei por uma década escrevendo a música – muitas vezes fazendo ela ao vivo – em nove espetáculos. Corremos mundo. "Selvageria" foi todo feito só com documentos escritos sobre o País, e essas cartas da Jemima são o primeiro escrito por uma mulher sobre estas terras que nem Brasil eram ainda. A gente fazia as três primeiras cartas no espetáculo, cantadas pela atriz portuguesa Crista Alfaiate", conta o compositor sobre a escolha das "cartas de Mrs. Kindersley" para a primeira ópera de sua carreira.

Nascida em Wickstead (Inglaterra), Jemima (1741–1809) foi a primeira mulher a registrar impressões sobre o País e, por quase meio século, a única viajante a escrever sobre a imensa colônia portuguesa dos trópicos.

Acompanhando o marido Nathaniel Kindersley, oficial de carreira, a viagens pelo mar com bebê recém-nascido, ela passou um mês na Bahia, em 1764. A jornada foi registrada em 68 cartas enviadas a um amigo, e anos mais tarde (1777), publicadas no livro "Letters from the island of Teneriffe, Brazil, the Cape of Good Hope, and the East Indies" (Cartas da ilha de Tenerife, do Brasil, do Cabo da Boa Esperança e das Índias Orientais). Em sete delas, Mrs. Kinderslay conta a burocracia para entrada no País e a vigilância por parte de um soldado português, que não permitia a interação com as damas portuguesas. Ela descreve as belezas naturais do País, mas não sem contrapô-la à má administração dos portugueses, o compara com a Europa (principalmente a Inglaterra) e tenta fazer descrições – sem informações precisas - sobre o funcionamento do governo e sociedade.

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