Gabi Lamas (São Lourenço do Sul), Batuca na Bituca (Taquara), Ziladxg e A Virgo (Novo Hamburgo), Leu Kalunga e Freak Brotherz (Pelotas), Jalile e Camila Dalbueno (Porto Alegre), Cha de Broders (Santa Maria), Fabiano Torres Trio (Santana do Livramento), Rap Pampa Crew e Código Penal (Uruguaiana, Sapucaia do Sul), Supervão e Miri Brock (São Leopoldo, Santa Maria) são as bandas selecionadas para as próximas etapas do Som do RS, um programa de valorização da música e das bandas do sul do país. A nova etapa inclui ensaios, uma composição coletiva, a produção de shows, imersão, novas mentorias e a grande final em 2026.
A seleção dos grupos foi feita pelos mentores, juntamente com a equipe do Som do RS e um representante do Museu do Hip Hop, rede parceira do projeto. Os critérios adotados para a escolha foram: dinâmica, presença, estética, diversidade, inclusão e formação da proposta.
Som do RS começou mapeando e cadastrando bandas nas nove regiões do RS. Cada grupo/banda inscrito teve acesso a cinco mentorias ministradas ao vivo pelo streaming com mestres e mestras da MPB, gente que está inserida no mercado da música e que entende muito do assunto: Pena Schmidt, Dani Ribas, Fernanda Couto, Edson Natale, Dríade Aguiar e Cristina Baum. Agora, nesta etapa, o projeto anuncia os grupos selecionados para um plano integral, que consiste na produção e posterior apresentação dessas bandas em eventos produzidos pelo projeto e ainda mentorias presenciais, gravações e imersão em São Paulo.
O projeto Som do RS é financiado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc, repassados pela União ao Estado do Rio Grande do Sul. Confira as nove bandas selecionadas.
Batuca na Bituca, do Vale do Paranhana, mistura elementos do indie rock anglo-saxão com ritmos brasileiros como samba, forró, xote e baião, em letras que abordam temas existenciais, sociais e políticos. Tem dois EPs: Acalanto para o Mundo Moderno e Antes de Envelhecer. Em 2024 lançou seu primeiro álbum de estúdio, o Batuca na Bituca, com repercussão e premiações em festivais: Fisga de Anzol (campeã do II Festival Itinerante de Música Brasileira em 2023), Fantasia de Fevereiro (primeiro lugar no 19° Festival Alegretense da Canção em 2024) e E o Botequim? que se consagrou a música mais popular do 1° Festival POA Autoral, em 2025.
A Cha de Broders apresenta um rock alternativo performático. Lançou EP Dreaming Wide Awake gravado ao vivo no Theatro Treze de Maio, em Santa Maria, cuja faixa They Try foi premiada em um festival e o clipe de HyperWaves indicado na categoria Melhor Videoclipe no 3º Prêmio Maria Cult (2023). Em suas composições, a banda mistura os riffs e o peso do metal melódico, a leveza do rock alternativo, ritmos brasileiros, sintetizadores e loops de percussão eletrônica.
Fabiano Torres, celebra a pluralidade das culturas, que caracteriza uma cidade fronteiriça como Sant’ana do Livramento. Considerado uma das grandes afirmações da gaita ponto, apresenta em seus shows a música regional do RS, conversando com o contemporâneo e trazendo os balanços e sotaques de outros lugares onde circulou. Ao celebrar estes sons e suas tradições, Fabiano e banda preservam o legado e fortalecem a identidade regional em suas composições.
O projeto autoral da cantora e compositora Gabi Lamas, acompanhada por André Paz, Gabriela Lery, Lígia Lazevi, e João Bauken, acaba de lançar Bibelô, disco de estreia. Criado em 2023, vem alçando voos na cena independente do RS. Tão divertido quanto pesado, mistura ritmos brasileiros como sertanejo, baião e milonga com uma pegada de rock alternativo e performático, onde o drama cotidiano encontra a ironia e o deboche. Natural de São Lourenço do Sul (RS), Gabi Lamas também atua como diretora de arte e realizadora no audiovisual e traz, através de seu projeto musical, um convite ao caos afetivo, ao humor melancólico e à liberdade de rir do próprio desequilíbrio.
Camila Balbueno é cantora, compositora e produtora cultural da cena musical de Porto Alegre. Desde 2014, constrói uma trajetória autoral marcada pelo cruzamento entre o pop, o rock gaúcho e a milonga, com temas como amor, corpo e identidade a partir das suas vivências. Participou de projetos como Noite dos Museus, Vozes Contemporâneas, em Palmeira das Missões, Sarau Elétrico, Porto Verão Alegre. Realizou shows autorais em espaços como Teatro de Arena, Bar Ocidente, Espaço Força e Luz e faz parte do lineup do Caxias Soul Duetos 2025, projeto através do qual leva seu trabalho autoral para a Serra Gaúcha em agosto e setembro de 2025. A mineira Jalile, residente em Porto Alegre, tem em sua trajetória interferências culturais diversas, formando sua identidade artística. Sua obra vem com estética autêntica, contemporânea e tropical, com o R&B, o soul e o groove em fusão com ritmos nacionais como o axé, brega e funk. Nas letras, ‘causos’ de romances e sofrências cantadas com muito drama, humor e irreverência.
Leu Kalunga é uma multiartista que tece suas artevivências nordestinas em Pelotas de forma independente. Produz o projeto ForróGodó que circula com repertório pé de serra, canções autorais e apresenta um pouco do nordeste, valorizando o intercâmbio cultural. Junto ao Coletivo e Bloco Carnavalesco de Mulheres Percussionistas - Batucantada, atua na direção de harmonia. Integra o grupo musical Filhas de Obá e o duo Jukiras. Compositora, narra em suas letras as experiências coletivas que lhe atravessam e propõe um espaço de aconchego para contar histórias que por muito tempo foram silenciadas. De Pelotas, a Freak Brotherz vem cheia de grooves intensos do hardcore, funk, heavy metal, rap e música brasileira. Formada pelos irmãos Solano e Danilo Ferreira, tem três álbuns lançados: Dentro da Ideia, Guerra Invisível e Guerra Declarada. Dividiu palco com nomes como Raimundos, Charlie Brown Jr., Ultramen e Engenheiros do Hawaii, além de participar de importantes festivais, entre eles Skol Rock, Aldeia Atlântida e RodaSom e Fórum Social Mundial.
Rap Pampa Crew é a fusão dos artistas da cidade de Uruguaiana: o skatista, historiador e filósofo Luciano Ordai e Will Bueno, artesão e poeta afro. O grupo tem em seus beats a escola do boom bap dos anos 80/90, com canções que abordam problemas sociais, abuso de poder, racismo, aporofobia e a necropolítica, que afetam de forma majoritária o povo negro. Punk rock hardcore, passando pelo metal, reggae, dub, ska, e o rap dos anos 90 entram na mistura da banda, que vem da terra da Califórnia da Canção Nativa e do famoso carnaval de rua do RS. Inicialmente como grupo de rap tradicional e com elementos eletrônicos e DJ, a Código Penal foi se instrumentalizando até atingir a formação atual onde mistura o peso do hardcore com rap com pitadas de soul e funk. Influências de Body Count, Public Enemy, Beastie Boys, Dead Kennedys entre outras bandas estilo Street dos anos 80/90.
Cantora, compositora e produtora cultural gaúcha com uma trajetória de dedicação à música, Miri Brock traz em suas canções a mistura de beats dançantes e letras que celebram amores fluidos, temperadas com a sensualidade do pop brasileiro. Seu primeiro EP entrou para a lista dos 40 melhores do ano, na 13a posição, pelo site Hits Perdidos e a tour do disco passou por importantes eventos e casas de show como Infinu (Brasília), Picles (São Paulo), Áudio Rebel (Rio de Janeiro), Sofar Sounds (POA), Festival Morrodália, Feira de música internacional Mate América do Sul, entre outros. A Supervão é uma banda de indie rock formada em 2016 em São Leopoldo. Se primeiro álbum, Faz Party, veio pelo selo Natura Musical e a banda esteve em importantes festivais como Bananada, Picnik, Morrostock e MECA, além de uma apresentação no Centro Cultural São Paulo (CCSP).
Produtor, rapper, MC e DJ, Zilladxg iniciou sua carreira aos 15 anos em Esteio, no RS. Sinônimo de autenticidade seja nas rimas ou na produção, traz novas nuances ao gênero do rap, mesclando épocas e referências de forma única. Sua marca registrada é o jogo de palavras e seu flow é inconfundível, sendo sempre destaque nas músicas em que participa. Com sua banda Bala Cachorro, apresenta um repertório versátil num mix de rap, jazz, samba, psicodelia e rock. A Virgo é uma banda independente de Novo Hamburgo e traz a mistura de rock alternativo, lo-fi, psicodelia contemporânea e referências à música brasileira. No palco, entrega uma performance vibrante e imersiva, com guitarras, sintetizadores, percussões e vozes que transportam o público para uma jornada sensorial.