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Robério Diógenes, ator de “O Agente Secreto”, revela bastidores das gravações

Ator cearense que dá vida ao Delegado Euclides Cavalcanti comemora fase na carreira e comenta o processo de criação do personagem

Ítalo Martins, Robério Diógenes e Wagner Moura em cena do filme "O Agente Secreto", que tem quatro indicações ao Oscar 2026
Ítalo Martins, Robério Diógenes e Wagner Moura em cena do filme "O Agente Secreto", que tem quatro indicações ao Oscar 2026 Foto : Victor Jucá / Divulgação / CP

Que “O Agente Secreto” é um sucesso, não é mais novidade. O filme chegou gerando dúvidas que pairavam sobre as cabeças dos brasileiros a fim de descobrirem, afinal, quem era o agente secreto. Estaria Wagner Moura fazendo mais um filme de ação e/ou como “Tropa de Elite” (2007)? Descobrimos que não. Em contrapartida, outras dúvidas surgiram. Algumas muito mais complexas, que colocam à prova o ecossistema que Kleber Mendonça Filho construiu para falar, sobretudo, da ditadura militar no Brasil (em especial, em Recife). O recorte pode ser novo, a história já conhecida, mas a maneira de conduzir o espectador é a perfeita amostragem da perseguição, do silêncio e do desequilíbrio dos poderes à época. Há quem diga que o filme fala de memória, e isso é confirmado pelo elenco e direção. Porém, ele entrega a ambiguidade em todos os personagens, incluindo uma felina, e sabe explorar cada um dos polos com primor e complexidade.

É com essa premissa que conhecemos o Delegado Euclides Oliveira Cavalcanti, cuja primeira cena em que aparece revela os opostos: uma investigação enigmática em meio ao carnaval. Trecho que arrancou boas risadas de quem estava na sala de cinema. O delegado, cravejado de confetes, camisa aberta e marcas de batom, é sisudo e, em nenhum momento, se deixa abalar pelos trajes. Vivido por Robério Diógenes, o ator revela que em nenhum momento utilizou do humor para dar vida ao personagem.

“O que é engraçado são as circunstâncias dadas. É o esdrúxulo, o patético. Você ri daquilo que parece até alegoria, mas ‘aquilo’ é feito com verdade, com intenção”, salienta.

Segundo ele, não houve qualquer flerte com a comédia, tanto que poderia perder a “força do personagem”.

Euclides Cavalcanti é a representação do que se entende por fazer justiça com as próprias mãos. É firme com o que precisa ser feito (dentro do que ele acredita ser necessário para manter o posto de autoridade máxima da cidade), mas não hesita em acrescentar nomes à sua lista de “protegidos”. É assim com Marcelo/Armando, interpretado por Wagner Moura, e é assim com uma patroa afortunada que passa por oitivas após ser a principal suspeita de ter contribuído para a morte de uma criança, assim como o caso do menino Miguel, em 2020.

“É um grito de protesto e de indignação. Quando Kleber joga aquele delegado protegendo esta figura, esse poder, ele está mostrando o quanto é falha a nossa sociedade”, tanto que, em cena, o delegado corrobora com a versão da interrogada, “ele diz: ‘criança é fogo, né?’, como se a criança fosse a culpada. É uma cena muito forte”, avalia Robério.

Apesar das atrocidades (explícitas ou não), é quase impossível sair da sala de cinema sem simpatizar com o personagem. Talvez seja pelo figurino característico dos anos 1970, combinando listras e óculos escuros, ou pela representação paterna para com os protegidos, mas a proximidade com o delegado é inevitável. O intérprete avalia que isso se dá pelo subtexto, como se houvesse uma conversa entre a obra e o espectador: “como se ele olhasse nesta quarta parede e dissesse ‘eu gosto de você que está assistindo esse filme. Não se preocupe, vai dar tudo certo’”. Do outro lado, o público compra a promessa, já que não vê todas as decisões e contradições da autoridade em cena.

GRANDE PERSONAGEM

O cearense Robério Diógenes não esperava um grande destaque em “O Agente Secreto”. Quando fez o teste, ainda não sabia a dimensão que o personagem receberia. Ele conta que só percebeu a relevância do trabalho quando observou as 140 menções ao delegado no roteiro original. A responsabilidade era grande pois o diretor havia “entregado um filho para criar” nas mãos do ator. O resultado é o que Robério chama de “defender o personagem”, neste caso, de maneira tão enfática que até mesmo ele não se reconhecia no set de filmagem.

“Como ator, você se joga. Você sabe que a proposta é aquela”, e complementa: “quando vesti o figurino, eu entendi a proposta do personagem. Ficava me olhando no espelho e não me reconhecia.”

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