Talvez um dos nomes mais esperados pelo público para o 33ª edição do Porto Alegre Em Cena, Taís Araujo sobe ao palco do Teatro Simões Lopes Neto (R. Riachuelo, 1089) neste sábado e domingo, dias 12 e 13 de setembro, para apresentar a peça teatral que marcou o seu retorno à quinta arte. Em cartaz desde abril, a peça já passou pelo Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais.
Na montagem, Taís vive Mayah, uma mulher de quase 40 anos inconformada em ter que reproduzir acordos sociais, emocionais e identitários. Movida por um desejo de ruptura profunda, ela inicia uma travessia de autoconhecimento e transformação, que se realiza a partir do encontro com outras mulheres. Em tempo de questionamento sobre os espaços que os corpos ocupam, principalmente nas redes sociais, o espetáculo promove uma reflexão sobre o que pode ser “necessário” para se sentir confortável, visto e acolhidos na própria pele , além de pautar temas como solidão e medo.
A atriz é acompanhada por duas musicistas: Dani Nega, que também assina a direção musical, e Layla, responsável por tocar ao vivo instrumentos como a kora africana, uma espécie de harpa bastante utilizada na África Ocidental. Para a diretora do espetáculo, a atriz e professora Yara de Novaes, cada trabalho é único. “Todo trabalho tem um universo próprio que precisa ser investigado, estudado. A cada revelação sobre universo mais perguntas se formam e mais ideias acontecem. É nessa dinâmica que o espetáculo vai se erguendo.”
No caso de “Mudando de Pele”, o universo parte da montagem teatral da autora inglesa Amanda Wilkin, de 2021, com título original “Shedding a light”. Segundo Yara, o texto não foi adaptado. “A maravilhosa Nathalia Cruz fez o que a gente chama de ‘dramaturgismo’. Ela articulou o texto com a proposta artística e essa com a recepção do público”, pontua Yara. Além de Yara e Nathália, espetáculo tem produção da Quintal Produções, tradução de Diego Teza, cenografia de André Cortez, direção de movimento e colaboração artística de Cristina Moura e desenho de luz de Gabriele Souza. O figurino, um dos grandes destaques da montagem, pela simplicidade e simbologia, é assinado por Teresa Nabuco com um objetivo: revelar o estado da personagem em camadas.
* Sob supervisão de Luiz Gonzaga Lopes