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Tiradentes respira cinema

O cinema está em debate na Mostra de Tiradentes 2026, movimentando universo audiovisual brasileiro

Atividades da Mostra de Cinema de Tiradentes envolvem debates
Atividades da Mostra de Cinema de Tiradentes envolvem debates Foto : Marcos Santuario / Especial / CP

A 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes começou como o próprio cinema brasileiro. Veio intensa, cheia de contradições, encontros improváveis e atravessada por política, emoção e desejo de futuro.

Na noite da última sexta-feira, a abertura do evento tornou a Cine-Tenda lugar pequeno para tanta gente disposta a reafirmar, em pleno coração histórico de Minas Gerais, que o audiovisual é mais do que entretenimento. É território de disputa simbólica, de memória e de imaginação coletiva.

Quem acompanhou a cerimônia de abertura sentiu que não foi apenas protocolar. Foi um manifesto. Realizadores, jornalistas, gestores públicos, artistas e representantes da sociedade civil dividiram o mesmo espaço para celebrar o cinema, mas também para discutir suas condições de existência. A coordenadora-geral da Mostra, Raquel Hallak, lembrou que Tiradentes sempre apostou em novos protagonismos, em cinemas que emergem de “muitos Brasis” e desafiam formas únicas de ver e existir. Em sintonia com outros setores e eventos, ao defender a regulação das plataformas, a democratização das políticas públicas e o fortalecimento do audiovisual como força econômica e simbólica, Raquel reafirmou o festival como lugar de pensamento e ação.

A noite foi marcada também pela homenagem à atriz e diretora Karine Teles, que recebeu o Troféu Barroco com emoção visível. Ao longo de mais de duas décadas, Karine construiu uma carreira sólida, inquieta e profundamente conectada ao Brasil real. Suas personagens, trabalhadoras, mães, mulheres em atrito com um mundo hostil, condensam contradições sociais, afetivas e políticas. Em seu discurso, a atriz foi enfática em que persistir na cultura não é romântico, é duro. Ainda assim, é necessário. Sua trajetória, entre o cinema autoral e o audiovisual de grande alcance, sintetiza o espírito da Mostra de Tiradentes.

A presença da ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo, e da secretária do Audiovisual, Joelma Gonzaga, reforçou o peso político da abertura. Ambas destacaram que o atual reconhecimento internacional do cinema brasileiro não é acaso. “É resultado direto de políticas públicas”. Quando um filme brasileiro entra em cartaz, como lembrou Joelma, é o próprio país que se projeta no mundo.

No segundo dia, Tiradentes viveu um de seus rituais mais potentes: o cinema na praça. Sob o céu limpo depois de um dia de chuvas, e em o frio típico da serra, uma multidão se reuniu para assistir a “Querido Mundo”, de Miguel Falabella e Hsu Chien. O filme fez sua estreia mundial no Festival de Gramado do ano passado e agora arrancou aplausos por aqui. Em preto e branco, a produção emocionou ao narrar histórias de ruína e reconstrução, coroando a noite com delicadeza e silêncio atento. Depois da sessão, o diálogo entre equipe e público, com a presença dos diretores a Miguel Falabela e Hsu Chien, reafirmou o sentido coletivo da experiência cinematográfica.

Entre debates, fóruns, rodas de conversa, homenagens e o vibrante Cortejo da Arte pelas ruas históricas, a Mostra segue pulsando até o dia 31. São filmes, encontros e ideias atravessados pelo tema da “Soberania Imaginativa”, reafirmando Tiradentes como um espaço onde o cinema brasileiro pensa a si mesmo, provoca, incomoda e insiste em existir. Neste domingo o destaque é a presença da atriz Letícia Sabatella, que participa de um dos encontros da Mostra, e a exibição na praça do longa-metragem “Pequenas Criaturas”.

Atriz Letícia Sabatella em Tiradentes | Foto: Marcos Santuario / Especial / CP

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