O artista Rodrigo Teaser é considerado um dos mais fiéis imitadores de Michael Jackson. Ele realiza o espetáculo “Tributo ao Rei do Pop” com sua banda no Auditório Araújo Vianna, em Porto Alegre, nesta sexta-feira, às 21h, e conta com a presença de três integrantes da equipe original de Michael: a guitarrista Jennifer Batten, o diretor vocal Kevin Dorsey, e o coreógrafo Lavelle Smith. “A última vez que a guitarrista Jennifer Batten esteve em Porto Alegre com a gente foi em 2019. É legal ela retornar agora”, diz Teaser.
Os ingressos para hoje estão esgotados. Uma nova sessão foi marcada para 15 de novembro deste ano devido à alta demanda, mas na próxima data o trio norte-americano não estará presente.
Apesar de o interesse por tudo relacionado a Michael Jackson crescer nos últimos meses devido ao filme “Michael”, Rodrigo conta que, mesmo antes do filme, já tinha casas cheias para seu show. Mas reconhece que o que está acontecendo agora está “fora da curva”. Mas apesar da demanda, ele revela que tem um compromisso com a qualidade dos seus espetáculos e por isso ele é sincero quando responde que não pode atender a todos os convites que recebe.
Rodrigo Teaser conversou por vídeo com o Correio do Povo sobre sua carreia artística. A entrevista completa com Adriana Androvandi pode ser vista no canal do YouTube do jornal:
Abaixo, um resumo do bate-papo.
Correio do Povo: Rodrigo, a tua carreira já é longa, cerca de 14 ou 15 anos. Como começou esta paixão pelo Michael Jackson e quando foi o momento em que sentiu que poderia ser um profissional?
Rodrigo: Sim, primeiro quero agradecer pessoal de Porto Alegre sempre é muito querido comigo. Porto Alegre foi um dos primeiros lugares que a gente conseguiu visitar fora do eixo Rio e São Paulo com esse show, lá atrás, ainda no começo.
Se eu disser para você que foi planejado, é mentira. Eu comecei como um fã, eu sempre falo que eu não sou um artista que descobriu que podia imitar o Michael, eu sou um fã que foi imitar o ídolo e descobri que podia ser artista. Então tudo que eu faço passa muito por isso esse lugar, da minha gratidão, do meu do meu olhar pro Michael mesmo, como modelo e alguém que me serve como um farol. Minha mãe conta que desde os 5 anos eu me tornei fã do Michael. Eu era uma criança tímida com 9 anos, e ela me incentivou a começar a dançar, fazer apresentação em escola, com cursos e tudo mais, para aprender a lidar com a timidez. Então, foi assim que a vida artística entrou na minha vida. Inicialmente era uma coisa despretensiosa.
Quando me formei no Ensino Médio, a família vem com aquelas questões: e agora, o que você vai fazer? E eu falei: "Olha, eu quero seguir no ramo artístico”. Então, eu te confesso que eu não sei te falar o momento exato em que teve uma mudança no sentido de: “a partir deste momento profissionalizei”. A vida para mim ela sempre foi caminhando de uma forma onde eu ia tentando criar as oportunidades e o mecanismo para poder crescer. No início eu só dançava imitando o Michael. Aí comecei a aperfeiçoar a dança e a maquiagem. Aí eu já fazia aulas de canto e comecei a compor minhas coisas e a cantar Michael nos shows. Era tudo muito dentro de um mercado muito restrito. Quando o Michael se foi, veio a ideia de montar esse show.
Eu e a minha esposa montamos esse show de forma independente, a gente levou dois anos montando. Inicialmente eu achei que seria um show de despedida. Mas já são 14 anos que a gente tá com esse show e são 14 anos de crescimento.
Agora a gente tem um curva totalmente fora do comum, que é o filme. Mas antes do filme “Michael” chegar, a gente já tinha um histórico de esgotar grandes casas pelo Brasil. A nossa média de shows anuais é de 80, o que considero muito para um projeto independente e obviamente que agora, por conta do filme, muita gente tá descobrindo, né?
Correio do Povo: Neste ano tem a participação de três integrantes da equipe original do Michael no teu show. A guitarrista Jennifer Batten, o diretor vocal Kevin Dorsey e o coreógrafo Lavelle Smith. Como é que foi o contato com eles e como é essa participação deles no show?
Rodrigo: A primeira pessoa que eu me relacionei foi o coreógrafo, a gente se conhece já tem 12 anos. Eu mandei uma mensagem para ele como um fã inicialmente. Aí ele viu o projeto e foi muito bacana, porque ele percebeu a minha busca por detalhes. Então ele veio para cá. E nesta turnê ele faz uma participação no palco. E foi por intermédio dele que acabei convidando a guitarrista, Jennifer Batten, e o diretor vocal Kevin Dorsey. Ter essas pessoas ao meu lado permite que a gente se aproxime muito do ideal do Michael em termos de performance.
É óbvio que a gente tá falando de uma realidade que é inalcançável, né? O Michael é o artista que, enquanto vivo, tinha os shows sempre com o maior investimento, com o que tinha de mais tecnológico. Mas em termos de material humano, eu posso te garantir que hoje o nosso show é o que mais pode se aproximar de uma realidade do que o Michael buscava com a equipe dele.
Correio do Povo: Rodrigo, sobre o filme, não vamos aprofundar, mas muita gente reclamou que “faltou isto, faltou aquilo”. Mas o filme é só um recorte da vida do Michael e tem muitas coisas que o espólio não permitiu que aparecessem. Mas pessoalmente senti falta que mostrasse o trabalho dos coreógrafos, porque o Michael era um exímio cantor e bailarino, ele conseguia juntar as duas coisas. Ele teve a influência da dança de rua e, em outros momentos, ele fez o tipo de dança "robô". Como classificas o estilo do Michael?
Rodrigo: Sobre o filme, eu concordo muito com você. Eu sei que muita gente considerou o filme raso e eu acho que a vida do Michael é uma vida muito longa, muito tempo sobre os holofotes, então acho que não caberia em um filme, infelizmente. E acho que talvez a tentativa de falar um pouco sobre tudo fez com que tudo fosse falado de forma muito superficial mesmo. Então, eu acho que o filme perdeu uma oportunidade talvez de explicar alguns traumas de infância, de explicar porquê de alguns comportamentos dele quando adulto, mas mesmo assim eu gosto muito do filme.
Você falou da questão dos coreógrafos, eu acho que tanto coreograficamente como musicalmente faltou o filme ser um pouco mais profundo nisso. Eu acho que seria bonito se o filme mostrasse o quanto Michael era um artista visionário. Porque tanto na música quanto na dança, ele era um artista que estava sempre olhando o futuro sem deixar de prestar atenção no passado.
Então na dança, tanto conversando com o coreógrafo quanto em pesquisas, dá para perceber que o Michael é um artista que, à medida que nos anos 80 a dança de rua ganha um protagonismo e começa a se tornar uma coisa muito popular, ele traz para trabalhar com ele pessoas que são precursores de vários movimentos.
Essa questão do “robô” que você falou, que é o popping, ele traz profissionais do popping, do locking, do breaking, mas ele não abre mão dos dançarinos e dos coreógrafos técnicos. Uma pessoa muito importante na carreira do Michael é um coreógrafo chamado Michael Peters, que vem do musicais. Podemos dizer que Michael tinha seu estilo próprio.
Correio do Povo: Tu vens para Porto Alegre no dia 19 de junho e os ingressos já estão esgotados, por isso abriram uma nova sessão no dia 15 de novembro. Como está sendo conviver com esta demanda?
Rodrigo: Fico muito honrado porque a gente fez show em Porto Alegre no fim do ano passado e antes do filme sair, a gente cogitou voltar a Porto Alegre em junho justamente para esse show especial. E aí acabou que o show já estava agendado e veio o filme, que reacendeu definitivamente o interesse do público no Michael e tudo relacionado a ele. E eu acho que é parte disso é que a gente tá vendo agora se refletindo nessa busca pelo show e tudo mais.
Correio do Povo: Pode nos contar um pouco sobre o set list? Pegas um pouco de cada fase do artista?
Rodrigo: Esse show que a gente está fazendo agora é um formato baseado em um projeto que o Michael fez quando foi contratado pelo sultão de Brunei para fazer um show privado. E a intenção do Michael naquela ocasião era misturar três turnês diferentes dele e fazer um show que contemplasse visualmente, coreograficamente e musicalmente essas três turnês. Só que infelizmente, por tempo, ele não conseguiu executar. O projeto desse show ficou conhecido entre os fãs como "Royal Concert". E é a partir dele que nos inspiramos para nosso show. Então, eu acho que vai ser vai ser um momento muito bonito de realizar esse espetáculo com o público de Porto Alegre.