Entenda como o uso das cores tem transformado os projetos de arquitetura residencial

Mais do que complemento estético, as tonalidades podem influenciar sensações, comportamento e a forma como os moradores se relacionam com a própria casa

Para garantir a harmonia do ambiente, o projeto deve se relacionar com a personalidade da casa
Para garantir a harmonia do ambiente, o projeto deve se relacionar com a personalidade da casa Foto : Juliana Deeke e Rafael Renzo / Divulgação / CP

Na execução dos projetos de arquitetura de interiores, a etapa de definição das cores agrega muito mais que a simples inserção de tons que colorem paredes, mobiliário e itens decorativos. Somada à composição, elas atuam na atmosfera do lugar, a noção de espaço, moldam sensações, o comportamento e a identidade das pessoas que o habitam.

Dentro desse leque de sentimentos o morador pode experienciar a calma, relaxamento e conforto e outras percepções mais intensas como energia e a fome. Para o arquiteto Raphael Wittmann, à frente do Rawi Arquitetura + Design, as cores não são apenas escolhas dentro de um aspecto exterior, mas um direcionamento humano sobre o que realizar ou viver dentro de cada espaço.

“Sou completamente a favor de tons mais acentuados, desde que devidamente avaliados. Um projeto com cores provoca alegria, entusiasmo e uma sorte de estímulos que contribuem para as tarefas cotidianas e prazer de estar em casa”, analisa. ​

De acordo com o profissional, o primeiro passo dever ser considerar a harmonia do ambiente. Nesse processo, Raphael leva em consideração a luz natural existente, que pode alterar o discernimento das cores, como também a personalidade dos clientes. “A partir disso posso promover a distribuição para a aplicação da cartela de cores tanto nas paredes, no mobiliário ou nos tecidos que farão parte do ambiente”, analisa.​

| Foto: Rafael Renzo / Divulgação / CP

Junto com a concepção do moodboard que auxilia o Raphael na construção das referências de materiais a serem utilizados no projeto, entra em cena o estudo do círculo cromático, ferramenta essencial para as respostas sobre as combinações de cores.

Ele explica que, assim como na moda, o entendimento das relações complementares, análogas ou análogas triádicas, que formam um triângulo nessa representação, facilitando a criação de paletas equilibradas e atraentes para ambientes diversos. “Por meio dos matizes, analisamos os tons quentes, frios e aquelas que são completamente opostas”, complementa.

🎨 Influência nos sentimentos​

O círculo cromático se traduz como uma representação simplificada das cores enxergadas pelo olho humano e é composto por 12 partes que incluem os tons primários (amarelo, vermelho e azul), secundários (mistura entre as primárias) e terciários (resultante da mescla entre primárias e secundárias).

Enquanto os gradientes análogos oferecem relações mais suaves, sendo uma boa opção para ambientes mais tranquilos, as complementares provocam contrastes vibrantes e são ideais para espaços mais dinâmicos, explica o profissional.

Entretanto, justamente por influenciarem diretamente nas sensações, as cores devem ser aplicadas com equilíbrio, levando em conta a função de cada cômodo. “Na cozinha, por exemplo, as cores contrastantes despertam a fome e isso não é interessante. Ao mesmo tempo, em um dormitório, afetam a qualidade do sono”, avalia Raphael. O segredo, segundo ele, é equilibrar vibrantes e neutras para aplicá-las em elementos decorativos. ​

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🎨 Dimensões do ambiente e as cores

Para criar ilusões de profundidade ou altura, as cores podem ser usadas estrategicamente nas paredes para ajustar proporções visuais. Pintar o teto com tons escuros pode reduzir a sensação de espaço vertical, mas também pode adicionar personalidade e formar um ambiente mais equilibrado e confortável.​Já as cores claras são caminhos lógicos para ampliar visualmente um espaço e refletir a luz. Todavia, isso não quer dizer que um cômodo pequeno deva ser, predominantemente dessa forma, sendo visto, muitas vezes, como sem expressão. “É possível sim adicionar outras tonalidades e, ainda assim, manter essa percepção de ambiente mais espaçoso e aberto”, ressalta o arquiteto.

Texturas e materiais naturais, de uma maneira geral, são elementos que corroboram na missão de reafirmar a individualidade de cada cor nos projetos residenciais.