Produções em que roupas, cores e tecidos seguem uma mesma linguagem visual a partir de tecidos, cores ou conjuntos são conhecidas há muito tempo no mundo da nova. Chamado de “total look”, o conceito agora também começa a ser utilizado na arquitetura de interiores.
Em projetos residenciais recentes, diferentes arquitetos vêm recorrendo à continuidade entre pisos, paredes, painéis e marcenaria para criar ambientes visualmente mais fluidos. O resultado é a redução de contrastes que privilegia uma atmosfera de acolhimento.
O interesse por ambientes que transmitam calma e conforto visual é um movimento apontado por estudos de comportamento e relatórios como Pinterest Predicts e WGSN. Eles identificam uma valorização de ambientes sensoriais, acolhedores e emocionalmente restauradores em que as escolhas de decoração, mobília e composição vão além da estética.
A designer de interiores Giselle Ramos afirma que a busca por projetos que transmitam serenidade a partir da estética tem crescido e explica o que isso significa. “Quando piso, marcenaria e revestimentos dialogam entre si, o ambiente ganha unidade visual e permite que a luz, as proporções e a própria experiência de habitar assumam o protagonismo” , diz Giselle.
A continuidade no ambiente destaca a textura dos materiais, a incidência da luz, os detalhes do mobiliário e a composição dos espaços, enquanto os revestimentos deixam de competir entre si.
Arquitetura e moda
A aproximação entre os dois campos é de longa data. Cores, materiais e movimentos estéticos transitam entre os dois universos há décadas. Recentemente, conceitos como o de “quiet luxury”, traduzido para “luxo silencioso”, influenciaram tanto o vestuário quanto os interiores.
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Nos projetos de arquitetura, a linguagem de continuidade costuma aparecer por meio da continuidade dos materiais no ambiente. A estratégia faz com que um mesmo acabamento, ou acabamentos muito próximos, percorra diferentes planos do ambiente. O resultado são espaços que parecem visualmente mais amplos e equilibrados.
Segundo a designer Giselle, a menor quantidade de materiais envolvida no ambiente destaca a importância das escolhas. “A madeira, por exemplo, deixa de ser apenas um revestimento e passa a construir a identidade do ambiente”, exemplifica. “É um exercício de coerência, em que todos os elementos colaboram para uma mesma narrativa espacial.”
Acabamento em diferentes produtos
Se antes reproduzir um mesmo acabamento em diferentes aplicações exigia soluções artesanais ou adaptações de projeto, hoje já existem tecnologias que possibilitam uma correspondência muito mais precisa entre categorias variadas de produto, ampliando as possibilidades.
Para a gerente de Marketing de Duratex e Durafloor, Patrícia Cisternas, a busca por continuidade no design de interiores vem orientando o desenvolvimento de novos produtos. “A demanda por acabamentos capazes de atravessar diferentes aplicações tem crescido entre arquitetos que buscam maior unidade visual nos ambientes”, observa.
