Oi, comunidade! Bora conversar um pouco sobre dúvidas e saúde mental?
Há duas semanas, tive momentos intensos de reflexão. Entrei em contato com uma amiga empreendedora para convidá-la para um evento que eu tinha certeza que ela iria adorar e, além disso, acrescentaria muito para o negócio dela. Me emocionei com as mensagens que vieram dela porque, naquela semana, eu tive um momento desafiador e ela estava passando também por algo. Frases que falam muito e que reforçam a importância de falar também sobre o outro lado do empreendedorismo.
“Não posso ir, entrei em um escritório novo, acabou minha liberdade”
“Sim, sigo empreendendo, mas quase parando, né. Sem recurso financeiro e tempo. E as pessoas que trago para trabalhar comigo não ficam. Enfim, mais do que desafiador, sabe?”
Quando penso no texto que quero que chegue até vocês, fico muito atenta a tudo que está acontecendo. Durante anos, a figura da empreendedora foi celebrada como símbolo máximo da liberdade profissional, da criatividade sem limites e da autonomia absoluta. No entanto, nem todas as jornadas empresariais seguem o rumo esperado. Seja por desafios financeiros, mudanças de mercado ou simples exaustão, muitas empreendedoras optam ou são forçadas a regressar ao mercado de trabalho tradicional, agora como colaboradoras. Essa transição, por mais lógica que pareça, está longe de ser fácil.
Voltar a ter chefe, líder, horários fixos e estruturas rígidas pode ser um choque para quem passou anos a tomar todas as próprias decisões. A empreendedora que regressa traz consigo uma bagagem valiosa de experiências, mas também enfrenta um mundo corporativo que pode olhar com desconfiança para a sua trajetória. “Será que esta pessoa vai saber seguir ordens?” ou “Quanto tempo vai aguentar aqui antes de tentar outra vez?” são perguntas silenciosas que ecoam nos bastidores de muitas entrevistas.
Para a ex-empreendedora, a adaptação exige humildade, resiliência e, sobretudo, uma mudança de mentalidade. É preciso reconhecer que ser colaboradora não é sinónimo de fracasso, mas sim uma nova etapa com oportunidades diferentes para aprender, colaborar e até inovar dentro de uma nova estrutura.
Por outro lado, as empresas que souberem acolher estas profissionais com visão estratégica, capacidade de resolução de problemas e espírito de liderança informal, ganham aliadas poderosas para a inovação interna. O segredo está em valorizar a experiência sem ignorar as necessidades de adaptação.
O regresso ao mercado de trabalho é, em muitos casos, um processo emocional e profissional complexo, mas pode também ser uma redescoberta gratificante do propósito e do valor de contribuir para algo maior, mesmo sem estar no comando.
E o mais importante: conversar com outras mulheres. Isso faz com que você perceba, primeiro, que não está sozinha nesse momento. Essa conversa com a minha amiga foi um combustível e também uma inquietação quando ela me disse as seguintes frases:
“Eu confesso que também fiquei surpresa quanto a ti. Tu é um modelo para nós. Eu te admiro muito e pessoas como tu nos animam a seguir para vencer”.
“Esses dias assisti teu TED no youtube, não há dúvidas de que foi feita pra vencer.”
Nosso diálogo me fez entender que precisamos falar mais sobre a imagem que passamos para as pessoas e lembrar que, embora sejamos inspiração, também temos nossos momentos pensativos e de recuo.
Vocês conhecem alguma empreendedora que voltou para o mercado de trabalho?
Lu Brito é mãe, empreendedora há mais de nove anos e CEO do espaço kids Gurizada Faceira. Atua como gestora de projetos e comunidade no ecossistema de inovação, gestora de projetos na B2Mamy e mentora de startups. Também é líder de inovação e articulação na Odabá - Associação de Afroempreendedores do RS.
