Lu Brito

Liderança feminina na inovação: a importância de ter mulheres à frente de startups

Lu Brito destaca o cenário do empreendedorismo feminino no ecossistema de inovação e ressalta a necessidade de políticas de incentivo

O empreendedorismo feminino tem ganhado espaço há muitos anos no Brasil, mas ainda há barreiras a serem superadas
O empreendedorismo feminino tem ganhado espaço há muitos anos no Brasil, mas ainda há barreiras a serem superadas Foto : CoWomen / Unsplash

O ecossistema de inovação vem construindo um crescimento econômico em diversos lugares, e claro que a presença feminina no próprio ecossistema ainda enfrenta desafios significativos.

Eu acho bem importante trazer dois contextos quando falamos de empreendedoras: um é o empreendedorismo feminino da economia real, que, em sua maioria, são segmentos do setor de artesanato, prestação de serviços, não escaláveis e sem base tecnológica. Já o outro é o modelo de mercado de startups, que consiste em uma empresa que busca inovar e criar um modelo de negócio com base tecnológica, escalável, repetível e lucrativa de forma mais acelerada.

Os setores mais representados por startups lideradas por mulheres no Brasil incluem:

• Tecnologia da Moda, com uma significativa presença feminina - 61% das startups nesse setor são fundadas por mulheres;

• RH e Gestão de Pessoas, setor que apresenta 26,7% de fundadoras;

• Modelos de Negócios Sociais, com 24,1% das startups lideradas por mulheres;

• Alimentação - as startups nesse setor têm uma representatividade de 22,7% de fundadoras;

• Saúde, com 15,5% de fundadoras;

• Educação, com 12,7%, de representação feminina;

• Serviços Financeiros, onde 8,2% das startups são lideradas por mulheres.

No Brasil, o empreendedorismo feminino tem ganhado espaço há muitos anos, mas ainda há barreiras a serem superadas. De acordo com dados do Sebrae, cerca de 30% das startups brasileiras tem mulheres em cargos de liderança. No entanto, o financiamento para essas empresas continua abaixo da média quando comparado ao de startups lideradas por homens.

Em países de baixa renda, como é o caso do Brasil, onde as oportunidades de trabalho são mais escassas, mais mulheres precisam criar seus próprios meios de sustento, mas é interessante que as tendências variam de país para país.

Muitos fatores contribuem para essa disparidade, quando, novamente, passamos pelos desafios de falta de acesso a crédito, incluindo preconceitos inconscientes, falta de representatividade em grandes fundos de investimento e a dificuldade em acessar redes estratégicas.

Felizmente, iniciativas como Mulheres Investidoras-Anjo, WE Ventures e B2Mamy têm feito há anos um trabalho para apoiar e fomentar o crescimento de startups lideradas por mulheres através de programas de aceleração, espaços seguros de trabalho e eventos que potencializam o networking.

Atualmente, uma em cada dez mulheres está iniciando novos negócios, em comparação com um em cada oito homens. Li um relatório bem interessante sobre Empreendedorismo Feminino 2023/2024, do Global Entrepreneurship Monitor (GEM), que diz que os países de alta renda geralmente apresentam as menores taxas de empreendedorismo feminino e as maiores disparidades de gênero.

Isso provavelmente ocorre porque as mulheres nesses países têm opções de emprego mais estáveis, embora esse fato possa mudar com a crescente instabilidade no mercado de trabalho.

Barreiras no acesso ao financiamento para startups com liderança feminina persistem, tanto na fase inicial quanto na de crescimento, devido à falta de financiamento e vieses estruturais. Isso dificulta a capacidade das mulheres de lançar e expandir negócios escaláveis.

Na semana passada, fui convidada para uma entrevista para expor meu ponto de vista em relação ao empreendedorismo feminino e mencionei a importância de políticas públicas e privadas voltadas para esse público.

Para além de capacitação (porque, na sua maioria, sabem gerir seus negócios), é preciso incluir acesso a psicólogos e psiquiatras, um olhar de fato para a saúde mental das empreendedoras e, claro, acesso à rede de apoio, para que possam contar com profissionais, como babás, ou, ainda, espaços para irem acompanhadas de seus filhos, caso naquele momento não tenham com quem deixá-los.

Como inspiração, trouxe algumas startups criadas e geridas por mulheres. Tenho o prazer de conhecer as fundadoras e sei o quão árduo tem sido a jornada, mas elas estão conquistando seus espaços.

Fica meu convite para conhecerem:

Solo: startup que conecta mães a babás confiáveis, possibilitando cuidado e liberdade por meio de uma plataforma. Fundadora: Mônica Marques;

Ujamaatech: edtech especialista em ajudar empresas e instituições financeiras a desenvolverem soluções de educação para melhorar a qualidade de vida de clientes e colaboradores. Fundadora: Dina Prates;

Awalé: edtech de impacto social que conecta pessoas negras e indígenas a empresas digitais comprometidas com a agenda de diversidade, equidade e inclusão. Fundadora e diretora executiva: Rosangela Menezes;

Um abraço e espero que gostem do conteúdo voltado para área de inovação. Na próxima coluna, vou falar sobre os eventos de inovação e empreendedorismo que acontecem no primeiro trimestre e que você precisa ter na sua agenda.

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E vocês, conhecem startups fundadas e lideradas por mulheres?


Lu Brito é mãe, empreendedora há mais de nove anos e CEO do espaço kids Gurizada Faceira. Atua como gestora de projetos e comunidade no ecossistema de inovação, gestora de projetos na B2Mamy e mentora de startups. Também é líder de inovação e articulação na Odabá - Associação de Afroempreendedores do RS.