Lu Brito

A escolha estratégica do modelo de negócio para a dupla jornada feminina

Lu Brito propõe soluções para alinhar o empreendedorismo às demandas da vida cotidiana das mulheres

O Brasil conta com cerca de 30 milhões de empreendedores, dos quais mais de 10 milhões são mulheres
O Brasil conta com cerca de 30 milhões de empreendedores, dos quais mais de 10 milhões são mulheres Foto : Freepik

Por todos os lugares e eventos que frequento, quando me apresento, a reação ao modelo de negócio da minha empresa é sempre a mesma: “Sério? Que diferente?”, “Como encontrou e descobriu essa ideia?” ou “que demais atender as crianças!”.

Fácil nunca foi. Basta observar o contexto em que nós, mulheres, nos encontramos no mercado de trabalho e no universo dos negócios para entender de onde tiramos inspiração para criar nossos empreendimentos. É importante trazer aqui o cenário em que nós estamos.

Dados mostram que, em 2024, as mulheres representaram 54,6% dos potenciais empreendedores no Brasil, de acordo com o relatório do Monitor Global de Empreendedorismo (GEM). Esse número marca um aumento em relação ao ano anterior, quando os homens eram maioria entre os aspirantes a empreendedores.

O Brasil conta com cerca de 30 milhões de empreendedores, dos quais mais de 10 milhões são mulheres. No entanto, a burocracia e a sobrecarga do trabalho doméstico continuam a ser obstáculos significativos. Nós, mulheres, dedicamos, em média, nove horas a mais por semana em tarefas domésticas em comparação aos homens.

A maioria das empreendedoras atua no setor de serviços (55,9%), seguida pelo comércio (25,4%) que é um mercado incrível com grande potencial de crescimento.

Como empreendedora, eu e muitas que eu conheci durante essa jornada, nos encontramos nesses dados. Desde 2015, quando comecei a minha jornada empreendendo, encarei os desafios apontados pela pesquisa.

Sempre vivi uma dupla jornada, muito desafiadora: trabalhar o dia inteiro e cuidar das crianças. Uma logística de escola, creche, refeições, lanches, transporte, autocuidado. Uma rotina gigante que todas nós sabemos bem. Mesmo quem não tem filhos reconhece essa realidade, pois observa de perto os familiares, amigas, mães, tias, dindas que passam por essa rotina.

Por quatro anos, eu consegui equilibrar alguns pratos, mas, claro que alguns caíram. Quando decidi pedir demissão, foi a escolha mais difícil de se tomar porque significou assumir uma grande responsabilidade, mesmo com todo o apoio do meu companheiro. Agora, imagine as mães solo? Aproximadamente 15% dos lares brasileiros são chefiados por mães solo, sendo que a maioria (72,4%) vive apenas com os filhos, sem uma rede de apoio próxima, conforme os dados do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas.

O modelo de negócio no setor de eventos, me fez estrategicamente encontrar a melhor forma naquele cenário de conseguir conciliar os dois ou três papeis. Havia encontrado uma solução em que, durante a semana faria toda gestão de levar e buscar na escola, cuidar da logística da casa, e aos finais de semana, trabalhar em eventos sociais.

Sim, encontrei um modelo de negócio que atende às minhas necessidades pessoais. E o objetivo desta coluna de hoje é compartilhar esse contexto e deixar a mensagem que, no empreendedorismo, é possível encontrar um formato de negócio que torne a jornada menos pesada. Procurem fazer trabalhos prazerosos, além do dinheiro, mas que contemplem vocês nas diversas “caixinhas” que administram diariamente.

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Você que está aí pensando em empreender, empreenda! Mas busquem o equilíbrio. O jogo é feito de altos e baixos, mas se você tiver uma rede de conexão potente, um objetivo claro e um nicho específico, metade do caminho já estará percorrido.

Espero que a leitura sirva de inspiração e após terminá-la, você recalcule sua ideia ou crie uma nova, do zero, a seu favor.

Um abraço, leitoras!

Boa semana!


Lu Brito é mãe, empreendedora há mais de nove anos e CEO do espaço kids Gurizada Faceira. Atua como gestora de projetos e comunidade no ecossistema de inovação, gestora de projetos na B2Mamy e mentora de startups. Também é líder de inovação e articulação na Odabá - Associação de Afroempreendedores do RS.