Essa semana, fui fazer uma nova tatuagem e parei pra pensar: cadê as mulheres estilosas e tatuadas? Por que não vejo mais pessoas tatuando histórias ou memórias na pele?
Nos últimos anos, a estética clean girl dominou o Instagram, os desfiles, os editoriais de beleza e, claro, o desejo coletivo de quem busca aquela imagem do “acordei assim”. Pele impecável, cabelo preso com gel, brincos dourados, roupa neutra e um ar de saúde que beira o glow que veio de Deus. E os looks dizem: saí do meu pilates e estou aqui, lindíssima e com a saúde em dia. Mas em meio a tanto minimalismo surge uma pergunta provocativa: a era clean girl deixou as mulheres sem tatuagem?
A resposta não é um simples “sim” ou “não” — mas sim, um “depende”.
O visual clean evidencia-se por uma estética leve, natural e “polida sem esforço”. Nesse cenário, tatuagens muito grandes, coloridas ou de traços pesados podem destoar da proposta. Afinal, a pele nesse universo funciona quase como uma tela em branco — fresca, luminosa, hidratada e sem ruídos visuais. Isso não significa que tatuagens foram abolidas, mas sim reposicionadas em lugares mais discretos e que possam ser “escondidas”.
Eu sempre amei tatuagem e acredito que os desenhos representam muito nossa essência, fazendo o nosso corpo ser único, como nossas cicatrizes.
Assim como eu, as adeptas do estilo continuam se tatuando, mas agora preferem traços finíssimos, símbolos minimalistas e locais discretos, como a lateral do pulso, a costela ou a nuca. A nova tatuagem da clean girl é quase um sussurro na pele: ela existe, mas não grita.
Frases delicadas, números romanos, desenhos lineares — tudo cabe nesse novo código visual.
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Enquanto isso, tatuagens marcantes, que cobrem braços ou pernas inteiras, aparecem mais frequentemente em estéticas opostas, como o indie sleaze, o post-punk ou o novo grunge que ressurge em 2025 com força total.
A tatuagem nunca deixou de ser um símbolo de identidade. Mas como toda forma de expressão, ela também é moldada pelas tendências do momento, querendo a gente ou não.
Não deixe de ser você mesmo ou fazer o que gosta por tendência. Na minha opinião, o ser igual a todo mundo é tão chato, que estamos vivendo pelo hype baseado no que o OUTRO gosta, não o que gostamos.
A moda diz: não use cores, vai lá e ficamos todas na cor nude, deixando o dia até mais triste. Quanto mais diferentes somos, mais criativos seremos e mais felizes estaremos. ✨
Marina Käfer é formada em Design de Moda e pós-graduada em Comportamento do Consumidor e Moda, Mídia e Mercado. Já foi professora consultora de varejo em instituições como Senac e Sebrae. Tem especializações em styling, jornalismo de moda e visagismo, com experiência no mercado plus size.
