Marina Käfer

A estética “clean girl” apagou as tatuagens?

Marina Käfer reflete sobre como as tendências podem anular personalidades

Tatuagem são símbolos que expressam identidade, mas também são influenciadas por trends
Tatuagem são símbolos que expressam identidade, mas também são influenciadas por trends Foto : Pinterest / Reprodução / CP

Essa semana, fui fazer uma nova tatuagem e parei pra pensar: cadê as mulheres estilosas e tatuadas? Por que não vejo mais pessoas tatuando histórias ou memórias na pele?

Nos últimos anos, a estética clean girl dominou o Instagram, os desfiles, os editoriais de beleza e, claro, o desejo coletivo de quem busca aquela imagem do “acordei assim”. Pele impecável, cabelo preso com gel, brincos dourados, roupa neutra e um ar de saúde que beira o glow que veio de Deus. E os looks dizem: saí do meu pilates e estou aqui, lindíssima e com a saúde em dia. Mas em meio a tanto minimalismo surge uma pergunta provocativa: a era clean girl deixou as mulheres sem tatuagem?

A resposta não é um simples “sim” ou “não” — mas sim, um “depende”.

O visual clean evidencia-se por uma estética leve, natural e “polida sem esforço”. Nesse cenário, tatuagens muito grandes, coloridas ou de traços pesados podem destoar da proposta. Afinal, a pele nesse universo funciona quase como uma tela em branco — fresca, luminosa, hidratada e sem ruídos visuais. Isso não significa que tatuagens foram abolidas, mas sim reposicionadas em lugares mais discretos e que possam ser “escondidas”.

Eu sempre amei tatuagem e acredito que os desenhos representam muito nossa essência, fazendo o nosso corpo ser único, como nossas cicatrizes.

Assim como eu, as adeptas do estilo continuam se tatuando, mas agora preferem traços finíssimos, símbolos minimalistas e locais discretos, como a lateral do pulso, a costela ou a nuca. A nova tatuagem da clean girl é quase um sussurro na pele: ela existe, mas não grita.

Frases delicadas, números romanos, desenhos lineares — tudo cabe nesse novo código visual.

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Enquanto isso, tatuagens marcantes, que cobrem braços ou pernas inteiras, aparecem mais frequentemente em estéticas opostas, como o indie sleaze, o post-punk ou o novo grunge que ressurge em 2025 com força total.

A tatuagem nunca deixou de ser um símbolo de identidade. Mas como toda forma de expressão, ela também é moldada pelas tendências do momento, querendo a gente ou não.

Não deixe de ser você mesmo ou fazer o que gosta por tendência. Na minha opinião, o ser igual a todo mundo é tão chato, que estamos vivendo pelo hype baseado no que o OUTRO gosta, não o que gostamos.

A moda diz: não use cores, vai lá e ficamos todas na cor nude, deixando o dia até mais triste. Quanto mais diferentes somos, mais criativos seremos e mais felizes estaremos. ✨


Marina Käfer é formada em Design de Moda e pós-graduada em Comportamento do Consumidor e Moda, Mídia e Mercado. Já foi professora consultora de varejo em instituições como Senac e Sebrae. Tem especializações em styling, jornalismo de moda e visagismo, com experiência no mercado plus size.