Por trás do vestido amarelo manteiga, peça-desejo dessa estação, vem a reflexão: como vestir essa tendência trazendo a minha identidade? Como transformar uma peça tão presente e comum na moda atual em algo único?
Na moda, não é sobre o que você usa, mas sobre como você usa. Essa é uma daquelas frases que parecem simples à primeira vista, mas que carregam uma profundidade que só se entende com o tempo.
Já reparou como uma mesma roupa pode ter vidas completamente diferentes dependendo de quem a veste? Um vestido amarelo manteiga, por exemplo, pode parecer sofisticado em uma pessoa, despojado em outra, ousado em mais alguém — e continua sendo o mesmo vestido amarelo manteiga.
O que muda não é o tecido, nem a cor, muito menos a modelagem, mas sim a forma como cada um o incorpora à sua própria história dentro do vestido. É nesse detalhe que o estilo pessoal se destaca.
O estilo não é algo que se compra ou muda a cada estação, nem algo que segue uma cartilha de tendências. Ele se constrói pouco a pouco, entre escolhas conscientes, ou até mesmo errando em algumas compras que te ajudam a entender o próprio guarda-roupa. É a soma dos nossos gostos, das nossas referências, das nossas memórias. É quando uma peça ganha significado porque lembra um momento, uma pessoa ou uma fase da vida.
E talvez seja exatamente isso que torna o estilo tão fascinante: ele não precisa ser perfeito, precisa ser verdadeiro. Há quem brilhe em jeans e camiseta, há quem não abra mão de um salto alto ou de um batom marcante. O que realmente importa é a forma como cada elemento conversa com quem você é, e não com quem esperam que você seja.
O curioso é que, no fim, as roupas sempre passam. Elas saem de moda, envelhecem, deixam de nos servir e podemos até passar para outra pessoa. Mas o nosso estilo permanece, mudando a tendência, se adaptando às estações. Ele se reinventa junto com a gente, acompanha as mudanças e amadurece sem perder a essência.
Mais do que vestir-se bem, estilo é linguagem. Uma forma silenciosa de se apresentar ao mundo. É a impressão que permanece mesmo quando já não exista a memória exata da peça que usávamos. Porque o que fica não é o vestido amarelo manteiga, o sapato ou a bolsa. O que fica é a presença de quem os usou.
Moda é cenário. Estilo é identidade. Identidade essa que ninguém pode copiar, nem usando o mesmo vestido amarelo manteiga.
Marina Käfer é formada em Design de Moda e pós-graduada em Comportamento do Consumidor e Moda, Mídia e Mercado. Já foi professora consultora de varejo em instituições como Senac e Sebrae. Tem especializações em styling, jornalismo de moda e visagismo, com experiência no mercado plus size.
