O Rio mostrou mais uma vez por que tem uma das semanas de moda mais autênticas do Brasil e aclamado pelo retorno após 10 anos, com desfiles que foram além da roupa e entregaram conceito, identidade e emoção. A Blue Man abriu os trabalhos com aquele DNA praiano que a gente ama, mas atualizado: shapes mais modernos, uma leitura fresh do beachwear e um toque fashionista que leva a marca muito além da areia.
Helô Pinheiro, nossa eterna Garota de Ipanema, desfilou lindamente aos 82 anos. Também vale destacar a presença de personalidades da vida carioca, como Laurinha do Camarão, um vendedor de mate e atendentes de barraca de praia, modelos da vida real do grande “escritório” do carioca: a praia.
Já Isabela Capeto trouxe um dos momentos mais especiais da temporada. Com seu colorido marcante e a valorização do feito à mão, o desfile ganhou ainda mais significado com a presença e a colaboração de sua filha na criação da coleção. Foi uma apresentação sensível, afetiva e cheia de personalidade, exaltando o artesanal como luxo contemporâneo.
A Misci fez história ao realizar o primeiro desfile na Sapucaí. E não foi só sobre o lugar: a marca apresentou um discurso potente com o uso de couro vegano feito de capim e redes de pesca descartadas, unindo sustentabilidade, estética forte e identidade brasileira.
Apartamento 03 apostou na delicadeza da renda, equilibrando leveza e sofisticação. O styling trouxe também o sportswear como aliado, com destaque para os tênis e a parceria com a Decathlon, em um encontro interessante entre o casual e o refinado.
Lucas Leão surpreendeu com uma alfaiataria impecável, fugindo do óbvio da moda carioca. Estruturado, elegante e com informação de moda, ele mostra que o Rio também sabe ser preciso e sofisticado, deixando a beleza clean em segundo plano, porque o que realmente importa é a roupa.
Poesia e identidade
Helô Rocha entregou poesia na passarela: sua identidade apareceu com força por meio do violino e das rendas, criando uma atmosfera sensorial e extremamente feminina.
E nas tendências? O destaque vai para o high-low da praia com brilho, uma mistura inesperada que apareceu lindamente no desfile da Salinas, mostrando que o beachwear pode, e deve, ir além do óbvio.
No fim, o RIOFW voltou potente, autoral e cheio de narrativas que reforçam a força da moda brasileira hoje, em uma das maiores vitrines do Brasil. Quem também amou essa edição? Eu já tô com minhas Havaianas na mala e pronta para a próxima.
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Marina Käfer é formada em Design de Moda e pós-graduada em Comportamento do Consumidor e Moda, Mídia e Mercado. Já foi professora consultora de varejo em instituições como Senac e Sebrae. Tem especializações em styling, jornalismo de moda e visagismo, com experiência no mercado plus size.
