A Nike sempre foi sinônimo de acerto quando o assunto é a camisa da seleção brasileira. Ao longo das Copas, a marca conseguiu transformar o uniforme em um verdadeiro objeto de desejo — não só pelo futebol, mas pelo peso cultural e estético. Só que dessa vez, algo saiu do controle.
O problema não foi a tradição, nem a expectativa. Foi execução.
A cor amarelo que a nova versão vem como “amarelo Canary”, que historicamente carrega identidade, alegria e reconhecimento global, apareceu dessa vez com um tom questionado, menos vibrante, menos “Brasil” e com um apelido nada brasileiro, vamos falar a verdade né?!
Pode parecer detalhe, mas não é.
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A camisa da seleção não é só uniforme esportivo: é símbolo. Quando a cor perde força, a conexão emocional também enfraquece.
Outro ponto foi o conceito “Vai Brasa”… que tentou trazer um tom de vibração, energia e movimento, mas acabou não se traduzindo de forma clara e gerando um estranhamento no jeito do Brasileiro torcer. (Você fala “vai brasa” quando está empolgado no futebol? Não né, nemhum brasileiro torce assim…)
Elementos gráficos e texturas pareceram genéricos, sem a potência visual que marcou versões icônicas do passado. Faltou narrativa e conexão com quem torce, com o povo que vive o futebol.
Faltou aquele detalhe que faz a peça sair do campo e ir direto para a rua.
E é justamente aí que outras versões ganharam espaço, como a Adidas, trazendo uma coleção nova que virou febre.
Enquanto a camisa oficial parecia “fria”, versões de torcedor e releituras de outras marcas captaram algo essencial: o sentimento. Apostaram em releituras retrô, tipografias mais marcantes, referências culturais brasileiras e até uma estética mais “lifestyle”, que conversa com moda, não só com futebol. Resultado? Viralizaram, esgotaram e viraram item de estilo.
O erro da Nike não foi técnico, foi no lado estratégico e principal na conexão com o torcedor. Em um momento em que moda e esporte estão mais conectados do que nunca, a marca entregou performance, mas esqueceu do desejo.
Porque no fim, a camisa da seleção precisa fazer mais do que vestir o jogador.
Ela precisa fazer o torcedor querer usar, dentro e fora do jogo.
Marina Käfer é formada em Design de Moda e pós-graduada em Comportamento do Consumidor e Moda, Mídia e Mercado. Já foi professora consultora de varejo em instituições como Senac e Sebrae. Tem especializações em styling, jornalismo de moda e visagismo, com experiência no mercado plus size.
