A mais nova tendência das cirurgias plásticas destaca a naturalidade do corpo. Mudanças de comportamento dos pacientes influenciam o aumento na busca por resultados com aspecto natural – especialmente no Brasil, que lidera o número de procedimentos estéticos cirúrgicos.
Em 2026, menos exageros e mais refinamento ocupam o centro das procuras de procedimentos estéticos. Segundo o cirurgião plástico Gerson Julio, os pacientes não desejam transformações radicais, mas aprimoramentos complementares que valorizam os atributos que possuem: “O paciente de hoje quer melhorar respeitando sua anatomia e identidade”, afirma.
O desejo de envelhecer com saúde faz parte da mudança de comportamento dos brasileiros interessados em cirurgias plásticas. Eles procuram manter ou recuperar traços joviais por meio de intervenções que respeitam proporções e expressões faciais, como expõe o cirurgião plástico Vinicius Julio Camargo. “Hoje há uma preferência clara por resultados sutis, harmônicos e que respeitem a individualidade”, aponta o médico.
O uso crescente de medicamentos para emagrecimento também têm influenciado os tipos de procedimento estéticos procurados. Conforme Gerson Julio, as canetas emagrecedoras ampliam a busca por cirurgias e tecnologias focadas na correção da flacidez e na qualidade muscular, uma vez que os efeitos colaterais de seu uso frequentemente levam a uma maior incidência de flacidez cutânea e perda acelerada de massa corporal.
Personalização e identidade
A personalização dos resultados ganha força na nova tendência, como explica Gerson Julio: “Cada paciente responde de forma diferente. A análise da pele, da flacidez, da gordura e até do estilo de vida orienta a escolha da técnica e da tecnologia mais adequada”. Essa abordagem individualizada permite ajustes de intensidade e profundidade com maior precisão, com efeitos mais naturais e duradouros.
Resultados personalizados e alinhados à identidade de cada paciente impulsionam a quantidade de procedimentos feitos no país. Segundo relatório anual da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS), 3.123.758 procedimentos estéticos foram realizados em 2024 no Brasil. Destes, 2,3 milhões são cirúrgicos, categoria na qual o país ocupa a primeira posição.
Para o cirurgião plástico Ezio Carneiro Junior, a quantidade expressiva de operações é impulsionada pelas técnicas e tecnologias avançadas utilizadas pelos médicos brasileiros. “A cirurgia plástica brasileira é um case global de desenvolvimento econômico pela saúde”, avalia ele.
Cirurgias que devem ganhar destaque
Segundo o cirurgião plástico Luiz Haroldo Pereira, membro e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), as principais tendências de cirurgias plásticas para este ano envolvem quatro áreas:
- Lipoaspiração: o procedimento mais procurado do país deve seguir em alta, mas com uma pegada mais leve, focada no contorno natural e na manutenção da proporção do corpo.
- Implantes de mama: volumes menores e formatos anatômicos serão cada vez mais desejados. O reposicionamento mamário com a utilização do próprio tecido da paciente será uma alternativa, permitindo correções sem a necessidade de colocar prótese.
- Abdominoplastia: o abdômen que parece natural e funcional comandará as buscas. Cirurgias combinadas, como o “mommy makeover”, que reúne lipo, abdômen e mamas em um mesmo procedimento para mulheres que sofreram com a transformação do corpo na gestação também crescem nas procuras.
- Pálpebras: a blefaroplastia ganha espaço entre pacientes mais jovens, que procuram eliminar bolsas e flacidez ao redor dos olhos. “O olhar cansado virou uma queixa comum, principalmente por causa do uso constante de telas. Além, é claro, da perda de colágeno natural da idade, que faz com que a queda das pálpebras se acentue”, explica Luiz.
Para o especialista Vinicius, os procedimentos têm em comum resultados mais autênticos, menor agressão ao corpo e um processo de recuperação mais confortável. Ele ainda sinaliza que, além das cirurgias, as mudanças estéticas não cirúrgicas seguem em alta. “Os procedimentos minimamente invasivos continuarão crescendo de forma significativa. Eles atendem à demanda por intervenções com menos tempo de recuperação, menos riscos e resultados naturais”, declara.
