O que mulheres precisam saber sobre viagens solo na natureza

Dicas e relatos de viajantes mostram como planejamento e rede de apoio podem enriquecer a experiência em destinos de ecoturismo

Viajantes solo mostram como explorar a natureza pode ser uma experiência transformadora
Viajantes solo mostram como explorar a natureza pode ser uma experiência transformadora Foto : PlanetaEXO / Divulgação / CP

Para muitas mulheres, a ideia de viajar desacompanhada pelo Brasil desperta preocupações relacionadas à segurança e à solidão. Mas, com planejamento, escolha criteriosa de roteiros e apoio de comunidades e empresas locais, é possível transformar a viagem solo em uma experiência estruturada, acolhedora e de autonomia – especialmente se o destino envolver natureza e aventura, como ocorre no ecoturismo.

O medo de viajar sozinha é recorrente entre as mulheres. A engenheira baiana Mariana Sampaio, de 26 anos, sentiu-se assim antes de ir ao Vale do Pati, região da Chapada Diamantina, e à Amazônia. Contudo, enfrentá-lo foi o que transformou a jornada em um processo de autoconhecimento: “A sensação pode ser um pouco amedrontadora, mas é libertadora”, relata Mariana. “Hoje eu me conheço mais porque me permiti conhecer outras pessoas”, completa a viajante solo.

Mariana Sampaio superou o medo ao explorar a Amazônia e a Chapada Diamantina sozinha | Foto: PlanetaEXO / Divulgação / CP

Relatos como esse aparecem na fala de outras viajantes solo, que optaram por explorar a natureza brasileira sozinhas e não se arrependeram da experiência, conforme aponta a plataforma de ecoturismo sustentável Planeta EXO. Nascidas no Brasil e em outros países, elas procuram encorajar outras mulheres a seguir o exemplo delas. Veja abaixo os aprendizados que elas compartilham:

👩🏽‍🦱👩🏽‍🦳 Fazer uma viagem solo não é estar sozinha

Uma das principais crenças da viagem solo é a solidão. Na prática, muitas mulheres relatam o oposto, contando que ficaram mais abertas a novas conexões, como aconteceu com a ecóloga neozelandesa Olivia Bird, de 24 anos.

Quando decidiu subir o Monte Roraima, Olivia temeu ser a única estrangeira no grupo, mas o receio se dissipou rapidamente ao ser acolhida por outras brasileiras viajando sozinhas e ao conviver com mulheres indígenas que atuavam na expedição. “Há outras mulheres fazendo o mesmo, você não precisa se sentir sozinha”, afirma.

A trilha, relatam as viajantes, cria laços imediatos, entre visitantes, guias e comunidades locais | Foto: PlanetaEXO / Divulgação / CP

⛺ Estrutura faz diferença

A preocupação com a segurança no Brasil é real, mas a realidade dos destinos de natureza surpreende, como foi o caso para a bióloga alemã Kristina Wagner, 44, que se planejou antes de explorar a Amazônia e o Pantanal.

“Eu me senti segura o tempo todo. As pessoas estavam sempre tentando me ajudar”, relata. Ela destaca que a tranquilidade veio da decisão de viajar com operadores experientes e guias locais, que conhecem rotas, protocolos e dinâmicas regionais.

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A estadunidense Samantha Sage, 34, que visitou o Jalapão (TO) e a Amazônia, compartilha a perspectiva de que os guias ajudam a construir segurança. “Os guias fazem toda a diferença”, comenta. “Viajar solo me ajudou a construir confiança na minha própria personalidade”, afirma.

No Jalapão, a viajante Samantha Sage descobriu que viajar solo constrói confiança pessoal | Foto: PlanetaEXO / Divulgação / CP

🌳 Natureza como aliada da saúde mental

Inserir-se na natureza pode ser um alívio para a saúde mental em meio às pressões do dia a dia. Para a gerente de marketing paulistana Andreia Yamasaki, 35, o momento é reconfortante: "É um respiro. Eu não vou deixar de ir a um destino só porque não tenho companhia", revela.

A paulistana Andreia Yamasaki encontrou na Chapada Diamantina um respiro mental | Foto: PlanetaEXO / Divulgação / CP

A busca por esse conforto não tem limite de idade. Depois de criar três filhos e consolidar sua carreira, a psicoterapeuta holandesa Katharina Bongaertz, 60, encontrou no Brasil um novo capítulo da paixão por viajar: já escalou o Pico da Neblina ao lado do povo Yanomami, por exemplo. "É importante desafiar a si mesma e encontrar novas fronteiras em todos os níveis”, diz.

📗 Guia prático do Ministério do Turismo

Neste ano, o Ministério do Turismo lançou um guia inédito para mulheres que viajam sozinhas. Mais de 2.700 mulheres de todos os cantos do Brasil foram entrevistadas para a elaboração do material.

Além de reunir recomendações referentes à segurança e aproveitamento geral da experiência, o Guia para Mulheres que Viajam Sozinhas também mapeou diferentes perfis, incluindo mulheres maduras, mães que viajam com seus filhos e entusiastas de ecoturismo.

Com base na experiência de desbravar destinos naturais pelo Brasil, as mulheres que compartilharam suas histórias nesta reportagem também deixam alguns conselhos para outras aventureiras que desejam viajar sozinhas:

  • Aplique a “Regra dos 10 Minutos” (Andreia): Permita-se reclamar por 10 minutos diante de um imprevisto. Depois, siga em frente.
  • Vá com medo mesmo (Mariana): O receio é natural. O importante é diferenciar medo real de paralisia mental.
  • Priorize estrutura e guias locais (Kristina e Olivia): Escolher operadores comprometidos com turismo responsável aumenta a segurança e fortalece a economia local.
  • Esteja aberta ao improviso (Samantha): Imprevistos fazem parte da experiência e, muitas vezes, se tornam as melhores histórias.