Em meio a uma rotina cada vez mais acelerada e a um cenário de consumo mais contido, a Páscoa segue ocupando um espaço que vai além do comércio. Em 2026, a data aparece menos associada ao excesso e mais ligada ao ritual, à introspecção e à convivência. Levantamento da Hibou Pesquisas e Insights em parceria com a Score Agency mostram que 40% dos brasileiros pretendem ficar em casa sem receber visitas e 53% admitem que vão gastar menos. Ainda assim, 70% mantêm o almoço em família, sinal de que a celebração continua preservando seu valor simbólico.
Os dados indicam que a restrição orçamentária não esvaziou o significado da data, apenas mudou sua forma. Entre os entrevistados, 41% ainda evitam carne na Sexta-feira Santa, 46% associam a Páscoa à ressurreição e 44% a veem como um feriado religioso.
Ao mesmo tempo, 80% percebem os ovos de chocolate mais caros e 66% avaliam que a celebração se tornou mais comercial. O resultado é uma adaptação prática: menos volume de compra, mais seletividade e maior atenção ao que realmente importa no ritual.
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Essa permanência do sentido da Páscoa também aparece no campo da espiritualidade. Para a psicóloga e coordenadora do curso de Psicologia do Instituto Brasileiro de Gestão de Negócios (IBGEN), Andréa Fidelis, a experiência espiritual não deve ser entendida apenas como adesão passiva a uma religião, mas como uma busca pessoal por sentido, verdade e aprofundamento da existência. Na leitura da especialista, a espiritualidade passa pelo questionamento e pela consciência, e não apenas pela repetição de certezas prontas.
Na sua avaliação, a vivência espiritual também exige responsabilidade individual. “A fé não precisa significar aceitação automática de regras ou verdades prontas, mas pode estar ligada a um processo consciente de busca, reflexão e elaboração pessoal sobre a vida e a morte”, acentua. Nessa perspectiva, diz, a Páscoa também se conecta à maturidade espiritual, ao convidar cada pessoa a olhar para a própria trajetória.
No campo da saúde emocional, a data também pode ser lida como um convite à transformação interna. O psicólogo clínico Luti Christóforo afirma que a Páscoa simboliza encerramentos e recomeços, e ajuda a pensar sobre processos que precisam ser finalizados para que algo novo possa surgir. Segundo ele, muitas pessoas permanecem presas a vínculos, culpas, padrões emocionais e versões antigas de si mesmas por medo da incerteza, mesmo quando essas permanências geram sofrimento.
Para o especialista, recomeçar não acontece sem perda. O processo envolve luto, elaboração e coragem para deixar para trás o que já não faz sentido. Essa “morte simbólica”, como ele define, pode representar o fim de uma fase, de um papel ou de uma identidade que já não corresponde ao presente. A ressignificação, nesse contexto, aparece como caminho para integrar o passado sem permanecer aprisionado a ele.
