Confira mitos e verdades sobre a frequência das refeições e o impacto na digestão

Frequência das refeições tem pouco ou nenhum efeito no aumento do metabolismo, explica nutróloga

Frequência das refeições tem pouco ou nenhum efeito no aumento do metabolismo.
Frequência das refeições tem pouco ou nenhum efeito no aumento do metabolismo. Foto : Freepik

A prática de comer pequenas refeições a cada três horas ganhou popularidade com a promessa de que ajudaria a manter o metabolismo acelerado, controlar a fome e promover a perda de peso. Contudo, estudos científicos, como os publicados no "International Journal of Obesity", demonstram que a frequência das refeições tem pouco ou nenhum efeito no aumento do metabolismo.

De acordo com a nutróloga Caroline Accorsi, o que realmente importa para o metabolismo e a perda de peso é a quantidade total de calorias consumidas e a qualidade da dieta.

Quando se trata de digestão, o corpo é capaz de manejar diversas frequências de refeição sem haver riscos de fermentação indesejada ou produção de substâncias prejudiciais, como o álcool em quantidades significativas.

A fermentação que ocorre no cólon é um processo natural, resultando na produção de gases e ácidos graxos de cadeia curta (AGCCs), que são benéficos para a saúde do intestino e do corpo como um todo. Esta fermentação é mais influenciada pela composição da dieta, especialmente o teor de fibras, do que pela frequência das refeições.

O conceito de que a frequência das refeições pode influenciar diretamente a produção de colesterol é um equívoco. A síntese de colesterol pelo fígado é um processo complexo regulado por fatores genéticos e hormonais e não está diretamente ligado ao tempo ou à frequência das refeições.

Estudos no "Journal of Lipid Research" e outras publicações científicas destacam que o impacto das refeições no colesterol está mais atrelado à qualidade dos alimentos consumidos, como o teor de gorduras saturadas e trans, do que à frequência alimentar.

“O importante é que cada indivíduo encontre um padrão alimentar que seja sustentável e que atenda às suas necessidades energéticas, preferências pessoais e saúde metabólica. Médicos especializados podem oferecer orientações personalizadas baseadas em evidências científicas, ajudando cada pessoa a definir a melhor frequência de refeições para seu estilo de vida e condição de saúde”, ressalta Caroline.