Recentemente, o Boston Consulting Group (BCG), em colaboração com a Fashion for Good, desenvolveu o relatório “Scaling Next-Gen Materials in Fashion: An Executive Guide”, que revela que a indústria da moda precisa acelerar a adoção de materiais da última geração para garantir um futuro mais sustentável.
De acordo com a análise, mais de 80% das empresas de moda não têm metas de fornecimento sustentável que abranjam todos os seis materiais principais — algodão, poliéster, náilon, fibras celulósicas artificiais (MMCFs), couro e lã. Além disso, a extração, processamento e produção desses materiais representam 91% das emissões totais de gases de efeito estufa (GEE) da indústria e 30% do custo de mercadorias vendidas (COGS).
“Embora materiais como algodão regenerativo e poliéster reciclado de garrafa para tecido, que já são utilizados na indústria, contribuam para melhorar a sustentabilidade, não são suficientes. Materiais de última geração, incluindo poliéster reciclado de tecido para tecido ou algodão cultivado em laboratório, possuem fibras e materiais inovadores, sustentáveis e com desempenho ou funcionalidade aprimorados”, explica Fernando Lunardini, diretor executivo e sócio do BCG.
A expectativa do BCG é de que a demanda por esses insumos supere a oferta até 2030, quando quase 13 milhões de toneladas de materiais inovadores podem entrar no mercado, representando cerca de 8% do mercado total de fibras (contra 1% atualmente).
No entanto, para que estes novos produtos sejam comercializados é preciso mais avanço tecnológico e otimização de custos, de acordo com a pesquisa.
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Para acelerar essa adoção, o estudo recomenda que a indústria estabeleça iniciativas individuais, esforços colaborativos com outras marcas e fornecedores, ou uma combinação de ambas as abordagens com foco em demanda, custo e capital. Entre elas estão:
✅ Definir um planejamento e estabelecer metas. As marcas devem definir objetivos claros e mensuráveis para a adoção de materiais de próxima geração e comunicar esses compromissos publicamente;
✅ Mobilizar capital para escalar a inovação. É recomendável que as empresas invistam em companhias inovadoras que estão desenvolvendo materiais de próxima geração;
✅ Instituir políticas para incentivar a adesão. Atuando em conjunto com os governos, as marcas podem sugerir políticas que incentivem a adoção de materiais de próxima geração.
“Sem essas ações, o acesso a materiais de última geração permanecerá limitado e concentrado entre alguns poucos selecionados. O ritmo da mudança deve acelerar, e as marcas são essenciais para essa transformação. A ação individual permite que elas conduzam estratégias que se alinham com seus objetivos de negócios, garantindo uma vantagem competitiva. Simultaneamente, a ação coletiva amplifica o impacto — reunindo a demanda, harmonizando as estratégias de fornecimento e consolidando recursos para mitigar riscos e obter economias de escala”, finaliza Lunardini.
O estudo completo está disponível, em inglês, no site do BCG.
