A alta-costura retorna à capital francesa para quatro dias de desfiles, um evento exclusivamente parisiense que reúne um seleto grupo de marcas que atendem a critérios precisos e criam as peças que mais tarde desfilarão nos tapetes vermelhos. O termo “alta-costura”, frequentemente usado para se referir à moda de luxo, é um conceito legalmente protegido e não deve ser confundido com o “prêt-à-porter”.
Para obter essa designação, uma marca de moda deve atender a critérios específicos. As peças devem ser originais, feitas sob medida e à mão, desenhadas exclusivamente pelo diretor artístico permanente da casa, em ateliês localizados na França.
Além disso, a marca deve possuir dois ateliês distintos: um para tailleur (alfaiataria), com peças estruturadas e arquitetônicas, como jaquetas, casacos ou calças; e outro para flou, dedicado a peças fluidas, como vestidos ou blusas.
O comitê regulador também exige uma equipe de pelo menos 20 funcionários, além da apresentação de dois desfiles anuais em Paris, em janeiro e julho, com no mínimo 25 looks, incluindo opções para o dia e para a noite. Há, no entanto, certa flexibilidade para marcas menores. “Se tiverem apenas 21 ou 22 looks, não vamos agir como policiais”, afirma Pascal Morand, presidente executivo da Federação de Alta-Costura e Moda (FHCM), que organiza a Semana de Alta-Costura e a Semana de Moda de Paris. Nem sempre, segundo ele, é necessário realizar dois desfiles por ano.
Círculo seleto
Apenas 13 marcas detêm atualmente a designação de “alta-costura”, entre elas gigantes do luxo como Dior, Chanel e Givenchy, além de Jean Paul Gaultier, Maison Margiela, Alexis Mabille, Schiaparelli e Julien Fournié.
A designação é concedida por apenas um ano e deve ser renovada a cada temporada.
Algumas importantes casas de moda francesas não constam da lista, como Saint Laurent e Hermès. A Saint Laurent abdicou do status de alta-costura em 2002, quando Yves Saint Laurent deixou a marca, enquanto a Hermès planeja retornar até 2027.
Além dessas casas consagradas, há sete membros correspondentes, cujas atividades se enquadram no conceito de alta-costura, mas que não estão sediados em Paris. Entre eles estão as italianas Armani e Valentino, a libanesa Elie Saab e a dupla holandesa Viktor & Rolf.
A FHCM também convida estilistas selecionados para apresentar suas coleções a cada temporada. Entre outros, o sírio Rami Al Ali, a francesa Julie de Libran, o suíço Kevin Germanier e a sul-coreana Miss Sohee estão entre as 28 marcas participantes desta edição.
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História
A alta-costura antecedeu o prêt-à-porter, que oferece uma moda industrial e fabricada em maior escala. Esse estilo, que surgiu em Paris no final do século XIX com figuras como Charles Frederick Worth, Jeanne Paquin e Paul Poiret, é legalmente protegido e regulamentado desde 1945 pelo Ministério da Indústria francês.
“A alta-costura pode parecer um pouco antiquada”, reconhece Morand, mas é um “laboratório” de criatividade. “É um símbolo da identidade francesa”, afirma. Em dezembro, passou a integrar o patrimônio cultural imaterial da França, primeiro passo antes da submissão de sua candidatura a Patrimônio Mundial da Unesco.
