Depois de temporadas marcadas por descolorações intensas, contrastes evidentes e cores que se repetiam nos salões, as tendências de cabelos para 2027 apontam para uma beleza mais natural e personalizada. A ideia não é abandonar as técnicas sofisticadas, mas fazer com que o resultado pareça menos construído e valorize as características individuais de cada pessoa.
Essa é a leitura de quatro nomes conhecidos do hairstyling brasileiro: Mario Henrique, Romeu Felipe, Vivi Siqueira e Mel Schlukebier. Reunidos em São Paulo durante a terceira edição do Best Class, os profissionais destacaram fios luminosos, tons mais suaves, cores sem marcações e menor dependência de retoques frequentes entre os movimentos que devem ganhar força.
Personalização deve substituir a cor da vez
Para Vivi Siqueira, hairstylist e embaixadora de L’Oréal Professionnel, 2027 dificilmente será definido por uma única tonalidade. Tons quentes e frios devem conviver nos salões, escolhidos conforme pele, olhos, sobrancelhas, estilo e personalidade.
“O cabelo de 2027, para mim, é natural, porém muito luminoso e fluido. Acredito que os dois tons, tanto quente quanto frio, vão estar muito em alta, dependendo da personalidade de cada mulher”, afirma.
Segundo ela, o movimento aponta para uma beleza cada vez menos padronizada. “Não acredito em uma tendência que seja algo único para todo mundo. Acredito em uma tendência adaptada para cada mulher, porque é personalizada, é uma beleza única.”
Cabelos saudáveis e iluminação mais suave
A valorização das características individuais também aparece na leitura de Romeu Felipe, embaixador de Wella. Segundo o hairstylist, mudou inclusive a maneira como muitas clientes chegam aos salões.
Se antes era comum levar uma fotografia e pedir a reprodução daquele cabelo, cresce agora a procura por uma cor desenvolvida especialmente para cada pessoa.
“O cabelo para o ano que vem vai ser um cabelo com bastante naturalidade, muito saudável. Hoje, a cliente busca uma assinatura”, explica. Para o profissional, harmonizar a cor dos fios com o tom da pele, dos olhos e das sobrancelhas passou a ocupar um papel importante nessa construção.
“Passamos por uma fase de cabelos muito descoloridos, muito processados, e hoje a busca é por um cabelo que tenha mais harmonia, uma iluminação mais suave, tom sobre tom”, diz.
Isso não significa necessariamente procedimentos mais simples. O efeito natural pode exigir diversas etapas no salão. “É aquele cabelo que levou oito horas para fazer, mas fica super natural. São camadas de cor, um cabelo que realmente tem uma assinatura única”, completa.
Mechas marcadas perdem espaço
Outro movimento apontado para 2027 é a redução dos contrastes muito evidentes entre os fios. Mel Schlukebier, hairstylist e embaixadora de Truss Professional, aposta em uma construção de cor mais contínua, com transições suaves.
“A tendência são cabelos monocromáticos, sem aquelas mechas marcadas, com muita fluidez e muita naturalidade. Um cabelo monocromático, tom sobre tom e com um contraste suave”, explica. Na prática, a proposta cria profundidade e luminosidade sem deixar divisões tão aparentes entre a cor natural e as áreas iluminadas.
Old money hair traz raízes mais naturais
Mario Henrique relaciona essa busca por naturalidade ao chamado old money hair, expressão que vem sendo usada para descrever cabelos sofisticados, mas com aparência pouco artificial. Mais do que uma técnica específica, o hairstylist interpreta o conceito como uma mudança de comportamento.
“O cabelo old money é um comportamento que traz liberdade. A liberdade de deixar aquela raiz crescida sem nenhum problema, de não se escravizar por um retoque e não depender do salão de beleza para se sentir bonita”, afirma. A ideia dialoga com uma rotina de manutenção menos rígida, em que o crescimento da raiz consegue se integrar melhor ao restante do cabelo.
Bege, nude e tons frios entram no radar
As cores também começam a mudar. Depois do longo domínio dos dourados e reflexos bastante aquecidos, Mario Henrique percebe maior procura por nuances frias. “Agora, a cor do momento que as brasileiras estão procurando é o calor dando lugar para o frio. Saímos desse cabelo muito dourado, com reflexo muito quente, e partimos para cabelos mais frios, mais bege, pastel e nude”, afirma.
Para ele, essa paleta deve continuar ganhando força ao longo de 2027. Apesar das diferentes apostas, os quatro profissionais chegam a um mesmo ponto: o cabelo do próximo ano tende a seguir menos uma fórmula pronta e mais aquilo que combina com quem o usa. Naturalidade, saúde dos fios e personalização aparecem, assim, como o fio condutor das próximas tendências.
