A marca brasileira de moda autoral Souedo está ampliando sua presença no eixo Rio-São Paulo. Ao se inserir no circuito cultural da capital paulista, a marca busca se aproximar do centro da moda, apresentando uma estética que nasce na Amazônia, mas dialoga com repertórios cosmopolitas.
Propondo uma abordagem que ultrapassa o campo tradicional do design de roupas, a marca se define como criadora de ‘antologias vestíveis’. O conceito sugerem que as peças não precisam indicar tendências, mas construir capítulos visuais de memória, identidade e pertencimento. O sócio e diretor criativo da marca, Daniel Azevedo, afirma que cada peça funciona como parte de uma história maior. “A Amazônia não aparece na Souedo como um elemento folclórico ou decorativo”, diz.
Segundo ele, o local é uma maneira de pensar o tempo, a matéria e o corpo. “Crescer nesse território nos faz entender que natureza, mito e memória não são abstrações. São parte do cotidiano. Isso inevitavelmente molda a forma como criamos”, completa.
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Origem na fotografia
Nascida há dois anos, a marca tem raízes na fotografia, quando Daniel trabalhava como fotógrafo. Investigando temas como corpo, ancestralidade e consumo consciente, percebeu que algumas das fotografias apresentadas em sua primeira mostra fotográfica, no mesmo ano, poderiam se transformar em estampas.
O transporte da linguagem fotográfica para o tecido faz da roupa um suporte de imagem e memória, como aponta o diretor criativo. “A roupa passa a funcionar como uma continuação da imagem, como uma narrativa que se desloca pela cidade”, explica.
Coleção e processo criativo
A primeira coleção da marca, intitulada Criptídeos, se constrói nesse território híbrido entre o real e o imaginário. Inspirada em mitologias aquáticas e nas narrativas orais da Amazônia, a coleção explora figuras de metamorfose: criaturas que transitam entre mundos, como a sereia. A proposta é traduzir esse imaginário em silhuetas, texturas e materiais que evocam a fluidez da água e a organicidade da floresta.
O diretor conta que o processo criativo da marca sempre começa pela imagem ou pela narrativa. “Não penso primeiro em uma peça, mas em uma atmosfera. Pode ser uma fotografia, um mito ou uma memória. A roupa surge quase como consequência, como se fosse a materialização daquele universo.”
Nesse percurso, a marca também incorpora elementos materiais profundamente ligados ao território amazônico. Um dos exemplos é o uso do tururi, fibra natural extraída da entrecasca da palmeira ubuçu e trabalhada por comunidades indígenas Ticuna, que aparece em peças e aplicações como forma de valorizar saberes tradicionais e estabelecer uma relação mais consciente com os processos de produção.
