O concurso é de beleza, mas parte importante da disputa deste ano passa por outro território: o das causas sociais. Entre as candidatas ao Miss Universe Brasil, a defesa das mulheres aparece como a principal bandeira coletiva, reunindo projetos voltados à proteção feminina, saúde, autonomia econômica, autoestima e enfrentamento da violência de gênero.
Levantamento realizado com as participantes da atual edição mostra que as pautas ligadas ao fortalecimento feminino concentram a maior parte das iniciativas apoiadas pelas concorrentes ao título nacional.
O dado ganha peso diante de um cenário ainda alarmante no país. Em 2025, o Brasil registrou 1.568 feminicídios, o equivalente a mais de quatro mulheres assassinadas por dia por razões de gênero, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Entre as candidatas, cerca de um terço desenvolve ações diretamente ligadas ao fortalecimento de mulheres. Os projetos incluem combate à violência doméstica, incentivo à denúncia, acolhimento de vítimas, empreendedorismo feminino, combate à pobreza menstrual, prevenção ao câncer, fortalecimento da autoestima e promoção da independência financeira.
Bruna Zanardo, Miss Universe Rio de Janeiro, destaca sua atuação no combate à violência contra a mulher. Lauren Antonia Lupato, Miss Universe Cataratas do Iguaçu, no Paraná, apoia causas relacionadas à autoestima, igualdade e dignidade feminina. “Minha causa é dedicada especialmente às mulheres que passam por momentos delicados ligados à saúde”, afirma Lauren.
Andrezza Jamylle, Miss Universe Acre, atua com mulheres que sofreram abusos físicos e psicológicos. Segundo ela, o trabalho busca atuar tanto na prevenção quanto no acolhimento. “Desenvolvo uma ação direta voltada à prevenção, à cura emocional e à mudança de mentalidade das mulheres da minha região”, explica.
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Saúde da mulher também está entre as pautas
A mobilização reflete uma mudança no papel ocupado pelas representantes dos concursos de beleza. A visibilidade conquistada pelas candidatas tem sido usada também para ampliar debates sociais e aproximar comunidades de temas de interesse público.
A saúde da mulher aparece entre as principais preocupações. Natália Silva, Miss Universe Maranhão, atua em iniciativas ligadas à pobreza menstrual e à falta de saneamento básico. “Cresci vendo meninas da minha região faltarem à escola por não terem acesso às condições mínimas e a itens básicos de higiene”, relata.
Outra iniciativa é liderada por Carina Manzi, Miss Universe Litoral Paulista. Madrinha da Casa Mulher é Vida desde 2022, ela apoia a instituição que acolhe mulheres em tratamento contra o câncer. A causa tem relação direta com sua trajetória familiar. “Passei por essa realidade ao acompanhar minha mãe durante o tratamento de câncer de mama. Quando falo dessa causa, falo com o coração”, afirma.
Experiências pessoais viram projetos
Além das pautas voltadas às mulheres, as candidatas também atuam em áreas consideradas prioritárias para o desenvolvimento social do país. Educação, formação de jovens, apoio a crianças em situação de vulnerabilidade, inclusão de pessoas com deficiência, saúde mental, proteção animal, assistência a idosos e combate às desigualdades estão entre as frentes identificadas pelo levantamento.
Muitas dessas iniciativas nasceram de experiências pessoais. Há candidatas que transformaram vivências relacionadas à violência, ao câncer, à obesidade, à vulnerabilidade social e à exclusão em projetos de acolhimento, conscientização e transformação comunitária.
Patricia Marchi, Miss Universe Vale do Paraíba, em São Paulo, é cofundadora do projeto Até que Ele Venha, criado em 2015 para apoiar mulheres em processo de reabilitação e em situação de vulnerabilidade social. Jaque Ciocci, Miss Chapada Diamantina, na Bahia, desenvolve ações voltadas ao empreendedorismo feminino como ferramenta de inclusão e geração de autonomia econômica.
Ao reunir representantes de diferentes estados, origens e realidades, o Miss Universe Brasil também expõe as preocupações sociais de uma nova geração de candidatas. Em um país onde milhares de mulheres ainda enfrentam violência, discriminação e desigualdade, a visibilidade do concurso passa a ser usada como espaço de mobilização, escuta e defesa de direitos.
Gaúchas defendem saúde infantil e identidade regional
No Rio Grande do Sul, Júlia Guerra, representante estadual, leva ao concurso uma causa ligada à infância e à saúde. Voluntária do Instituto do Câncer Infantil há mais de 13 anos, ela defende a conscientização sobre o diagnóstico precoce do câncer infantil. Já Giovanna Togni, representante do Vale dos Vinhedos, associa sua participação à valorização da identidade regional, das tradições locais, do acolhimento e da diversidade, reforçando o papel das rotas turísticas no novo desenho da competição.
Para Natália Guimarães, diretora de estratégias do Miss Universe Brasil, Miss Brasil 2007 e Top 2 Miss Universo 2007, o perfil esperado de uma candidata hoje vai além da presença no palco. “A organização busca mulheres preparadas, profissionais, comprometidas e que entendam a responsabilidade de representar um país inteiro. Uma miss precisa ter entrega, postura e saber se conectar
