A quiropraxista Júlia Guerra, 35 anos, natural de Soledade, representa o Rio Grande do Sul no Miss Universe Brasil 2026. Eleita Miss Universe Rio Grande do Sul, ela chega à etapa nacional em uma edição marcada pela renovação do concurso, pelo aumento no número de candidatas e por discursos mais amplos sobre beleza, identidade e representatividade.
Para Júlia, levar a faixa gaúcha ao concurso nacional é uma forma de honrar a trajetória de mulheres que ajudaram a construir a presença do Estado nos concursos de beleza. “É um privilégio e uma honra, vindo de um Estado onde sabemos que as mulheres são construídas na força de uma tradição que enraíza valores e princípios”, afirma.
A candidata destaca que o Rio Grande do Sul sempre teve mulheres de destaque no cenário da moda e da beleza. Estar nessa continuidade, segundo ela, é também uma responsabilidade. “Construir um legado, honrando quem veio antes e abrindo um caminho para quem vem depois, é motivo de grande satisfação e alegria para mim”, diz.
Quando pensa na mulher gaúcha, Júlia afirma que deseja levar ao Miss Universe Brasil uma imagem associada à força, à coragem e à resiliência. “Quero carregar o brilho nos olhos de quem pertence a uma cultura de mulheres fortes, resilientes e corajosas. Carrego isso na minha história e, com certeza, carregarei isso no palco do MUB”, afirma.
O Miss Universe Brasil 2026 chega em um momento de mudanças no formato, com mais candidatas e novas formas de discutir beleza. Para Júlia, a ampliação representa uma oportunidade de troca entre mulheres de diferentes histórias e origens. “Acho importante toda mudança e toda evolução. Todas merecem um espaço. Para mim, é compartilhar com mais mulheres, conhecer mais histórias e criar mais laços com as mulheres diversas do nosso País”, diz.
Mais do que aparência
Durante muito tempo, concursos de beleza foram associados a padrões fechados. Júlia acredita que, hoje, uma candidata precisa comunicar muito mais do que imagem. Para ela, a mulher que ocupa esse espaço precisa ter conteúdo, profundidade e propósito.
“Essa opinião é muito pessoal, não acredito que todo mundo pense assim, mas, para mim, a mulher precisa ser plural, ter conteúdo para além da sinopse, ser profunda, carregar causas, saber onde quer chegar e qual o propósito de sua caminhada”, afirma.
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A relação com autoestima, imagem e exposição pública também faz parte da trajetória da candidata. Júlia reconhece que esse é um processo interno e, muitas vezes, difícil. “Você pode se amar, mas sempre vai ter alguém para tentar fazer com que tudo que você acredita sobre si mesma seja invalidado”, diz.
Para ela, cuidar da saúde mental é parte importante dessa construção. “Acho que essa construção depende muito mais de ter um psicológico forte. Cuidar da saúde mental faz com que mantenhamos a confiança e a crença na nossa personalidade, na construção de quem realmente somos e no nosso valor. Aí, sim, tudo fica mais leve”, afirma.
Redes sociais e exposição
As redes sociais aproximam o público das candidatas, mas também aumentam a cobrança. Júlia vê esse ambiente como uma das partes mais potentes e, ao mesmo tempo, mais desafiadoras do processo.
“Ter o apoio e se conectar verdadeiramente com pessoas em todos os lugares do Brasil e do mundo através de uma plataforma é maravilhoso, mas infelizmente lidamos com muitos ataques e muito hate, de pessoas que não nos conhecem e que buscam nos atingir de alguma forma”, afirma.
Para manter o equilíbrio, ela diz que é preciso lembrar quem se é fora das telas. “Às vezes, os comentários maldosos vêm de pessoas que projetam suas próprias frustrações em nós. Então, é focar no que é bom e colocar nossa energia em quem merece ela”, diz.
Causa ligada à infância
Além da trajetória nos concursos, Júlia carrega uma causa que faz parte de sua vida há mais de uma década. Ela é voluntária no Instituto do Câncer Infantil há mais de 13 anos e deseja usar sua visibilidade para falar sobre diagnóstico precoce.
“Essa é uma pauta que eu carrego desde sempre, porque nossa luta maior é com relação ao diagnóstico precoce. Ele só acontece se todos nós soubermos quais os principais sinais e sintomas que se apresentam nas crianças, para que iniciem o tratamento o mais cedo possível e aumentem as chances de cura”, afirma.
Júlia também diz que se reconhece como uma mulher plural e quer representar mulheres que não desistiram de sonhar. “Acredito que represento muito as mulheres, principalmente as que não desistiram de sonhar, as que são independentes, que lutam e que não se moldam aos padrões impostos pela sociedade”, diz.
Para meninas e mulheres gaúchas que acompanham o Miss Universe Brasil e se inspiram nessas trajetórias, Júlia deixa uma mensagem de coragem. “Nós somos inspiradas o tempo todo por mulheres que não tiveram medo de ser elas mesmas. Que sejamos nós as próximas a fazer história, a fazer a diferença no mundo em que vivemos”, conclui.
