A moda de luxo contemporânea tem trazido sustentabilidade e valorização do trabalho artesanal para o centro de suas produções, como evidenciou a Copenhagen Fashion Week (CPHFW). Ocorrido na Dinamarca, o evento comemorou sua vigésima edição com uma política de moda sustentável que serve de inspiração para a produção e o consumo conscientes.
Desde 2023, marcas que desejam desfilar no calendário oficial da CPHFW precisam atender a 19 requisitos mínimos de sustentabilidade. Com critérios que vão da governança e escolha de materiais até condições de trabalho e produção dos próprios desfiles, a medida posiciona a capital dinamarquesa como referência prática em um movimento que busca reorganizar a indústria da moda.
A especialista em negócios de moda Symone Rech, fundadora da plataforma New & Now, explica que a Copenhagen Fashion Week se tornou sinônimo de responsabilidade ambiental por dois motivos. “O primeiro está na própria cultura nórdica, historicamente marcada por transparência e cuidado com o meio ambiente. O segundo foi a decisão estratégica de transformar esse tema em estrutura, não apenas em narrativa.”
Antes de anunciar os requisitos mínimos que passariam a valer em 2023, a organização do evento criou um conselho consultivo de sustentabilidade, além de implementar um plano de ação com metas pré-estabelecidas. "Existe uma política concreta. Não é só 'a vibe sustentável'. Tem lista, tem critério, tem prestação de informação para fazer parte", destaca Symone. Os 19 padrões obrigatórios abrangem áreas como direção estratégica, materiais utilizados, condições de trabalho na cadeia produtiva e restrições a itens de uso único na produção dos desfiles.
O impacto dessas medidas ultrapassou as fronteiras dinamarquesas. Outras semanas de moda começaram a adotar o modelo de Copenhagen como base para suas próprias políticas, como o British Fashion Council, em Londres, e parcerias anunciadas em Berlim. “Copenhagen não transforma toda marca em sustentável, mas cria um contexto onde responsabilidade vira exigência e onde a conversa amadurece”, resume Symone.
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Valorização do feito à mão
Promovendo um movimento em direção contrária à aceleração do consumo e à produção em larga escala, o trabalho artesanal reassume protagonismo. A valorização da técnica e da atenção dedicada a cada etapa do fazer surgem como resgate nostálgico e resposta direta à padronização excessiva e à lógica do imediatismo.
As peças desenvolvidas manualmente carregam a singularidade que escapa à produção industrial. Neste contexto, o artesanal não deseja a perfeição mecânica, mas a busca pela excelência construída a partir do gesto humano e do cuidado contínuo, como aponta a cofundadora e diretora comercial da marca de luxo Estúdio Renata Braga.
A nova casa de luxo, pertencente ao grupo Homem do Sapato, surge como maneira de garantir identidade às peças em um processo de produção que equilibra forma, acabamento e funcionalidade. “O artesanal resgata o valor do tempo e do cuidado, algo que o consumo acelerado acabou deixando em segundo plano. No luxo, cada escolha importa: o material, o processo e o ritmo de produção”, declara Renata.
Mais do que uma tendência, o retorno do artesanal aponta para uma mudança de comportamento que cria uma relação mais consciente entre produtores e consumidores. A especialista de moda Symone Rech ressalta que ainda não existe um sistema de produção e consumo totalmente sustentável. "Sustentabilidade não é um estado final, é uma direção, feita de avanços graduais, escolhas melhores e redução de impacto."
