Foi dada a largada para a temporada mais aguardada entre os amantes da moda! Por enquanto, o assunto do momento são os desfiles da Semana de Moda Masculina, porém a agenda segue intensa até abril. A partir de 27 de janeiro, iniciam as apresentações de Alta Costura, abrindo caminho para as tão aguardadas Fashion Weeks tradicionais, que seguem a ordem habitual entre as maiores capitais da moda, causando comoção por onde passam.
Porém, antes das atenções às passarelas, os bastidores fervem com as mudanças nas direções criativas entre algumas das marcas de luxo mais populares do mundo. Essas trocas de liderança não apenas apontam novos rumos para as marcas, como também ditam o tom de uma nova fase para a moda como um todo, levantando questionamentos sobre identidade, propósito e o equilíbrio entre inovação e respeito ao legado das grifes.
Destaques das mudanças criativas
A Chanel é uma das marcas que iniciam o ano sob nova liderança, com a estreia de Matthieu Blazy, que de 2021 a 2024 esteve à frente da Bottega Veneta e agora assume o cargo de diretor criativo da maison francesa. Já na tradicional italiana Bottega Veneta, a direção ficou com Louise Trotter, que passou por marcas como Lacoste e Carven. A britânica Trotter é atualmente a única mulher em um cargo criativo no grupo Kering, que controla marcas como Saint Laurent, Gucci e Balenciaga. Além de majoritariamente masculino, o grupo apresenta uma liderança criativa composta exclusivamente por pessoas brancas.
Na Givenchy, Sarah Burton foi anunciada como nova diretora criativa após uma longa carreira na Alexander McQueen, onde trabalhou por 26 anos. Outra mudança significativa ocorreu na marca Céline, com Michael Rider assumindo o comando criativo e trazendo toda a sua experiência anterior na própria marca e também na Polo Ralph Lauren.
Entre as saídas, o destaque é John Galliano, que encerrou sua colaboração de 10 anos com a Maison Margiela, sem que o próximo diretor criativo da marca tenha sido anunciado. A Fendi enfrenta uma situação semelhante, pois o nome do substituto de Kim Jones também não foi divulgado.
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Falta de liderança feminina
Em 2023, a revista Harper’s Bazaar Brasil destacou como a “dança das cadeiras” nos cargos de diretores criativos evidencia uma desigualdade de gênero na indústria da moda, com a maioria dos movimentos privilegiando homens.
No grupo LVMH, conglomerado que controla marcas como Louis Vuitton, Dior e Tiffany & Co, apenas quatro das 14 grifes de moda têm mulheres à frente da direção criativa, são elas Maria Grazia Chiuri (Dior), Camille Miceli (Pucci), Nadège Vanhee-Cybulski (Hermès) e, mais recentemente, Sarah Burton (Givenchy).
Em contrapartida, a Chloé, sob a direção de Chemena Kamali, segue conquistando o público por suas coleções focadas em autenticidade e feminilidade, sinalizando a relevância de mais vozes femininas no mercado.
*Sob supervisão de Brenda Fernández
