Você acorda, prende o cabelo. Vai tomar banho, passa os dedos e pronto, lá vem ele. De novo. Fio por fio, como se cada um estivesse dizendo silenciosamente: "está na hora de partir". E o mais assustador: você nem sabe o porquê. Mas calma. Existe um motivo. Ou melhor, vários.
De acordo com o tricologista e cirurgião capilar Marcos Mendes, a queda de cabelo que se intensifica entre o outono e o inverno tem uma explicação mais profunda do que os clichês de "falta de vitaminas" ou "ciclo natural do cabelo. “A verdade é que essa época do ano é um combo de gatilhos para o couro cabeludo, e boa parte das pessoas está passando por isso sem nem perceber”, afirma o especialista.
🍂É o clima? É o banho? É o corpo falando?
O frio chega e traz com ele hábitos e condições que desregulam completamente o ciclo capilar: o sol desaparece, a vitamina D despenca, e, junto com ela, também reduz o suporte hormonal que mantém os fios firmes na raiz.
Banhos mais quentes também contribuem para a queda dos fios. Isso porque a água escaldante remove a proteção natural do couro cabeludo, enfraquece a raiz e resseca a fibra capilar.
É preciso também ficar atenta à alimentalão. Nesta época do ano, é comum que troquemos as frutas e saladas por massas e industrializados, diminuindo a ingestão de nutrientes essenciais para o cabelo.
"É uma época em que muitos fatores se somam silenciosamente. O corpo entra em modo de adaptação, e o cabelo, que não é prioridade metabólica, responde com queda. Não é um colapso, é um alerta", destaca o médico.
💇♀️Queda sazonal: não é mito, mas também não é desculpa
Existe, sim, uma queda de cabelo fisiológica, chamada eflúvio telógeno sazonal, que tende a se manifestar nos meses mais frios. O ciclo do cabelo entra em uma espécie de "reorganização": mais fios migram da fase de crescimento para a fase de queda. Resultado? Um volume visivelmente maior de fios no travesseiro, no pente, no ralo.
Mas isso não justifica toda e qualquer queda, nem deve ser usado como argumento para normalizar situações que fogem do esperado.
Quando a queda ultrapassa o que é fisiológico e começa a afetar a densidade, o contorno capilar ou durar mais do que três meses, é hora de investigar. Pode existir uma deficiência oculta, um desequilíbrio hormonal, uma sobrecarga emocional ou até uma predisposição genética que está sendo ativada.
⛄Ninguém fala, mas o couro cabeludo sofre no frio
Todo mundo se preocupa com a pele no inverno, mas quase ninguém pensa no couro cabeludo. Ele é pele também, e sofre.
A água quente, os xampus agressivos, o uso excessivo de toucas, a falta de ventilação, o ressecamento do ar e até a diminuição na transpiração afetam diretamente o microambiente onde os fios nascem. Um couro cabeludo inflamado, desidratado ou abafado pode se tornar solo fértil para a queda capilar e ninguém percebe até que a situação fique visível demais.
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💇♀️“O que eu faço então?”
Talvez a pergunta seja: “do que o seu corpo está tentando te avisar?”
Em vez de sair desesperadamente comprando shampoos antiqueda ou tomando suplementos sem indicação, o mais inteligente é observar o contexto. Seu corpo está pedindo socorro em silêncio e o cabelo é só o primeiro a gritar.
“A queda de cabelo é um sintoma, não uma sentença. E muitas vezes, tratar o cabelo é tratar a rotina. Dormir melhor. Comer de forma mais consciente. Olhar os exames. Reduzir os excessos. E sim, quando necessário, entrar com protocolos clínicos para restaurar o ciclo capilar com segurança”, afirma Mendes.
🔬Como buscar as respostas?
O primeiro passo é sair do piloto automático.
1. Exames de sangue para avaliar ferro, vitamina D, zinco, vitamina B12, ferritina, hormônios da tireoide e até níveis de estresse oxidativo podem revelar mais do que você imagina.
2. Consultar um tricologista é fundamental para diferenciar uma queda passageira de uma alopecia em estágio inicial. Tratar cedo pode evitar a perda definitiva dos fios.
3. Em alguns casos, protocolos como LED capilar, PRP (plasma rico em plaquetas), microinfusão de ativos, uso de minoxidil tópico e implantes subcutâneos para bloquear o DHT podem ser indicados.
