Pesquisa Catho: 60% das mulheres 50+ veem mercado de trabalho retraído

Diante do etarismo e da falta de inclusão, profissionais maduras enfrentam desafios para se recolocarem e buscam valorização no mercado

Mulheres 50+ seguem enfrentando desafios no mercado, buscando valorização e novas oportunidades
Mulheres 50+ seguem enfrentando desafios no mercado, buscando valorização e novas oportunidades Foto : Foto: Freepik / Divulgação / CP

As mulheres com mais de 50 anos enfrentam uma percepção de mercado desafiadora: 60% acreditam que as oportunidades de emprego para profissionais maduros estão retraídas, segundo uma pesquisa da Catho sobre etarismo. Esse percentual é maior em comparação às mulheres mais jovens, das quais apenas 41% compartilham essa visão. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que 27% da população brasileira já tem mais de 50 anos, reforçando a necessidade de adaptações no mercado de trabalho para acolher melhor esses profissionais.

Patricia Suzuki, diretora de Gente e Gestão da Catho, comenta que essas mulheres enfrentam uma dupla discriminação — de gênero e idade — que exige soluções voltadas à inclusão e à valorização da experiência no ambiente corporativo. Para ela, o momento é de transformação: "nunca é tarde para transformar desafios em oportunidades".

Desafios culturais e sociais

As mulheres acima dos 50 anos lidam com desafios específicos no reposicionamento profissional, muitos deles relacionados ao preconceito etário e de gênero. Esse preconceito, ainda comum no mercado de trabalho, faz com que as mulheres sejam vistas como menos adaptáveis às mudanças, o que limita suas oportunidades de recolocação. "Muitas vezes, essas profissionais enfrentam a desvalorização de suas habilidades e estereótipos que limitam seu crescimento", explica Patricia.

Um dos principais desafios para as mulheres maduras é a interrupção na carreira para cuidar da família, o que pode gerar lacunas no currículo e desatualização em relação a novas tecnologias e processos. "Essas pausas podem dificultar a transição de volta ao mercado, mas investir em cursos, certificações e novas habilidades é crucial para se manter competitiva", orienta Patricia.

De acordo com a Catho, 61% das empresas ainda não possuem programas de inclusão para profissionais com mais de 50 anos, e 40% dos gestores demonstram resistência em contratar ou desenvolver esses colaboradores, indicando a necessidade de uma mudança cultural nas organizações.

Setores mais receptivos

Apesar da resistência em algumas áreas, setores como o varejo, especialmente supermercados, e a educação têm se mostrado mais receptivos à contratação de mulheres maduras. Patricia também destaca a importância da convivência intergeracional no ambiente de trabalho. "A troca de experiências entre gerações é benéfica, favorecendo o aprendizado e a empatia. Profissionais 50+ podem inspirar os mais jovens, enquanto as novas gerações trazem inovação e habilidades tecnológicas", afirma.

Para enfrentar os desafios do mercado atual, Patricia destaca que as mulheres em transição de carreira devem focar no desenvolvimento de competências técnicas e comportamentais. "É fundamental ter familiaridade com ferramentas digitais, além de resiliência, capacidade de adaptação e inteligência emocional", afirma.

Ela reforça que as mulheres maduras oferecem diferenciais competitivos valorizados pelas empresas. "A vasta experiência de vida, somada à capacidade de resolver problemas, é um atributo muito valorizado. As empresas estão percebendo a importância de integrar equipes diversificadas, gerando ambientes de aprendizado e troca de experiências", completa.

Superando preconceitos e barreiras emocionais

Patricia reconhece que a transição de carreira pode afetar a autoestima das mulheres, especialmente após anos dedicados à família. "Investir no autoconhecimento e estabelecer metas realistas são formas de manter a confiança durante essa fase", sugere. Ela também recomenda a participação em grupos de networking, que pode oferecer apoio e oportunidades. "Cuidar da saúde mental e emocional é essencial, por isso, é importante buscar atividades de autocuidado durante o processo de transição", completa.

Para as mulheres em transição de carreira, o networking é uma ferramenta poderosa. "Participar de eventos e usar redes sociais para se conectar com outros profissionais são estratégias eficazes para aumentar a visibilidade", orienta Patricia. Segundo a Catho, 17% dos profissionais acima dos 50 anos investem em networking, enquanto 20% buscam cursos de capacitação para se manterem competitivos no mercado.

Mulheres maduras possuem características que vão além das competências técnicas, como resiliência e ética de trabalho. Segundo a pesquisa da Catho, 18% das mulheres 50+ destacam a experiência como seu principal atributo no ambiente corporativo, seguidas pela capacidade de trabalho em equipe (13%) e ética no trabalho (12%). "Essas habilidades comportamentais tornam as mulheres maduras ainda mais competitivas em um mercado que valoriza tanto a inovação quanto a sabedoria", afirma Patricia.

A transição de carreira pode ser um período desafiador, especialmente para mulheres que precisam conciliar responsabilidades familiares. Patricia sugere que essas profissionais estabeleçam prioridades e metas realistas para equilibrar vida pessoal e trabalho. "Dividir grandes objetivos em etapas menores pode tornar o processo mais gerenciável e menos estressante", diz. Além disso, ela recomenda criar limites saudáveis entre o trabalho e o lazer, além de contar com uma rede de apoio, seja familiar ou profissional.


🎯Dicas para manter a confiança e motivação

1. Invista no autoconhecimento

Reflita sobre suas habilidades e conquistas passadas. Entender seus pontos fortes ajuda a construir uma base de confiança sólida.

2. Estabeleça metas realistas

Definir metas claras e alcançáveis dá direção e senso de progresso. Focar em pequenos passos ajuda a evitar o estresse e a manter a motivação.

3. Participe de grupos de networking

Compartilhar experiências com outras mulheres que também enfrentam transições oferece apoio emocional e inspiração.

4. Mantenha o aprendizado contínuo

Cursos e treinamentos são ferramentas valiosas para atualizar competências e reforçar a autoconfiança.

5. Pratique o autocuidado

Exercícios físicos, relaxamento e atividades de bem-estar mantêm a saúde mental e emocional, fundamentais para uma transição positiva.

6. Desenvolva a inteligência emocional

Aprender a gerenciar emoções ajuda a lidar com a pressão e a se adaptar a novas situações, facilitando tomadas de decisão.

7. Celebre pequenas conquistas

Valorizar cada etapa alcançada fortalece a motivação e ajuda a transformar incertezas em oportunidades.

8. Explore setores promissores

Áreas como educação, saúde e bem-estar oferecem boas perspectivas de recolocação para mulheres maduras.

9. Persista diante das barreiras

Encare cada desafio como uma chance de demonstrar sua força e resiliência. Persistência é essencial para encontrar novas oportunidades.

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