Planejamento financeiro para aposentadoria ainda começa tarde no Brasil

Com expectativa de vida em alta, dados do IBGE e da Serasa indicam que maioria dos brasileiros se organiza tarde para a aposentadoria

Decisões financeiras ao longo da vida influenciam a renda na aposentadoria
Decisões financeiras ao longo da vida influenciam a renda na aposentadoria Foto : Freepik / Divulgação / CP

O aumento da expectativa de vida no Brasil e o crescimento do público com mais de 50 anos na economia ampliam um desafio recorrente: o planejamento financeiro para a longevidade. Dados oficiais e pesquisas de mercado mostram que grande parte da população chega à aposentadoria sem preparação adequada para sustentar o orçamento ao longo dos anos.

Segundo o IBGE, a expectativa de vida no país alcançou 76,6 anos em 2024. O avanço da longevidade prolonga o período de dependência da renda previdenciária e torna mais frequente o impacto de despesas que tendem a crescer com o tempo, especialmente as relacionadas à saúde.

Apesar desse cenário, uma pesquisa nacional da Serasa, realizada com 1.052 pessoas aposentadas ou próximas da aposentadoria, revela que 60% dos brasileiros só começam a se planejar financeiramente até cinco anos antes de parar de trabalhar. O levantamento mostra ainda que 37% não fizeram nenhum planejamento e que 53% precisaram continuar trabalhando para complementar a renda após a aposentadoria.

Planejamento a longo prazo

Para Sérgio Batista, gerente de Análise e Planejamento Financeiro do Banco Mercantil, os dados revelam uma combinação de fatores estruturais e comportamentais. “Viver mais é uma conquista, mas exige organização financeira contínua. Quem chega à aposentadoria sem planejamento tende a enfrentar mais dificuldade para lidar com despesas previsíveis, como saúde, e com imprevistos ao longo do tempo”, afirma.

Além da falta de planejamento de longo prazo, o especialista aponta que decisões cotidianas têm peso significativo no desequilíbrio financeiro. Parcelamentos frequentes, consumo por impulso e compromissos assumidos sem avaliar o impacto nos meses seguintes reduzem a margem do orçamento e comprometem a previsibilidade da renda. “Muitas vezes o problema não está apenas no quanto se ganha, mas em como o dinheiro é administrado ao longo do ano”, observa.

Outro ponto destacado é a ausência de controle sistemático dos gastos. Embora muitas pessoas saibam quanto recebem, nem sempre acompanham com clareza para onde os recursos são direcionados. Segundo Batista, criar o hábito de monitorar despesas ajuda a identificar excessos e a corrigir rotas antes que o desequilíbrio se torne estrutural.

Investimentos

O especialista também chama atenção para o costume de manter recursos parados sem rendimento e para decisões de consumo tomadas por impulso. “Pequenas pausas antes de uma compra e a busca por alternativas seguras para preservar o valor do dinheiro contribuem para maior proteção financeira, especialmente na maturidade”, explica.

Com o envelhecimento da população brasileira, a combinação entre dados demográficos, pesquisas de mercado e orientação especializada reforça a necessidade de tratar o planejamento financeiro como um processo contínuo, que começa antes da aposentadoria e se estende ao longo de toda a longevidade.

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6 dicas para organizar as finanças pensando na longevidade

  1. Revisar o orçamento com regularidade, identificando gastos fixos e variáveis.
  2. Avaliar o impacto dos parcelamentos antes de assumir novos compromissos financeiros.
  3. Acompanhar os gastos do dia a dia para ter clareza sobre para onde vai o dinheiro.
  4. Evitar compras por impulso, criando pausas antes de decisões de consumo.
  5. Buscar alternativas seguras para que o dinheiro não fique parado sem rendimento.
  6. Considerar despesas que tendem a crescer com o tempo, especialmente as relacionadas à saúde.