7 dicas para melhorar sua relação com a comida

Entenda como as emoções influenciam sua alimentação e descubra como ir além da fome física para aderir a uma rotina mais saudável

Muitas vezes, o que parece fome pode ser ansiedade, carência, frustração ou tédio
Muitas vezes, o que parece fome pode ser ansiedade, carência, frustração ou tédio Foto : Freepik

Com a correria do dia a dia, a alimentação deixou de ser um ato para nutrir o corpo, e se tornou mais automática e emocional. Com isso, o índice de obesidade tem disparado no mundo e, no Brasil, não é diferente. Uma pesquisa feita pela Federação Mundial da Obesidade (World Obesity Federation – WOF) aponta que 31% dos brasileiros são obesos. Além disso, o estudo mostra que, a cada 10 pessoas, 3 têm o IMC (Índice de Massa Corporal) acima do normal no país.

O que há pouco tempo atrás era exceção, hoje se tornou regra. Cada vez mais as pessoas estão se “viciando” em açúcar, ultraprocessados e artificialidades, como resultado de uma qualidade de vida ruim. Muitas vezes, o ato de comer é transformado em entretenimento.

É comum se pegar pensando se “merece comer aquela besteirinha”, um pote de sorvete ou uma barra de chocolate inteira como fonte de prazer. Seja por uma desilusão amorosa, ansiedade ou estresse, frequentemente a comida assume o papel de conforto emocional.

De acordo com a psicóloga, empresária e hipnoterapeuta Brunna Dolgosky, as pessoas têm usado a comida como um entorpecente, uma distração ou punição, esquecendo que seu verdadeiro papel é regenerar.

“Nós ainda vivemos em um ritmo acelerado, em constante estado de alerta. A mente sempre sobrecarregada e sem espaço para perceber as reais necessidades do corpo”, explica. Nesse cenário, alimentar-se, que deveria ser um gesto de presença e autocuidado, se transforma em uma resposta automática ao estresse, ao cansaço ou ao tédio.

🍔 Comer por fome ou por emoção?

Geralmente, não é o corpo quem tem fome, mas a mente. São as emoções que influenciam diretamente o comportamento alimentar. Segundo a psicóloga, na terapia de hipnose é comum que a mente busque conforto no alimento. “A ansiedade busca controle, e comer vira um refúgio imediato; a tristeza busca acolhimento, e o alimento assume o lugar do afeto; o tédio busca estímulo, e comer se torna entretenimento”, complementa.

Para quem deseja melhorar a relação entre a mente e a comida, a especialista compartilha algumas orientações fundamentais. Confira:

1. Aprenda a reconhecer seus gatilhos emocionais

“Antes de comer, pare e se pergunte: ‘O que eu estou sentindo agora?’. Muitas vezes, o que parece fome é, na verdade, ansiedade, carência, frustração ou tédio”, esclarece. Segundo a profissional, nomear a emoção já é um passo poderoso para retomar o controle sobre suas vontades.

2. Esteja presente ao se alimentar

A recomendação é evitar comer no “modo automático”, distraído por telas ou trabalho. A atenção fará toda a diferença na relação com a comida. “Comer com presença, sentindo o sabor, o cheiro, a textura dos alimentos, ajuda a reconectar o corpo e a mente, diminuindo o impulso por exageros e aumentando a percepção da saciedade”, entende terapeuta.

3. Desconstrua crenças sabotadoras

“Frases como ‘eu não tenho controle’, ‘sou viciado em doce’ ou ‘não consigo mudar’ moldam comportamentos”, lembra. Esses são exemplos de armadilhas comportamentais, que podem — e devem — ser reescritos.

4. Reeduque a mente para o prazer equilibrado

Comer bem não precisa ser sinônimo de punição. É possível ensinar a mente que há prazer em alimentos que nutrem de verdade, sem exageros ou culpa. “Quando o prazer é genuíno, o corpo agradece, e o excesso se torna desnecessário”.

5. Crie rituais de autocuidado ao comer

Transforme o ato de se alimentar em um momento de reconexão. “Organize um ambiente calmo, escolha alimentos com intenção, agradeça antes de comer”, orienta Brunna. Esses hábitos podem resgatar o aspecto simbólico e sagrado da alimentação.

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6. Encontre prazer além do prato

“O alimento não está ali para nutrir o corpo, mas para proteger uma parte da mente que ainda carrega medo, solidão ou sensação de vazio. Por isso, buscar o prazer fora da comida é essencial, como praticar hobbies, se movimentar e se conectar consigo mesma. Quanto mais fizer isso e se sentir preenchida, menos a comida irá precisar ocupar esse lugar”, reflete.

7. Não hesite em pedir ajuda

Se você sente que já tentou de tudo, mas ainda come sem entender por quê ou vive em conflito com o próprio corpo, talvez existam emoções mais profundas pedindo acolhimento. Buscar suporte terapêutico pode ser essencial nesse processo.