O câncer colorretal, doença que provocou a morte da atriz Lua Blanco, aos 39 anos, neste domingo (18), pode se desenvolver silenciosamente e apresentar sintomas apenas em estágios mais avançados. O diagnóstico precoce é um dos principais fatores para aumentar as chances de cura.
No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima 53.810 novos casos anuais para o triênio de 2026 a 2028. A doença atinge o intestino grosso, também chamado de cólon, e o reto. Embora seja mais frequente em pessoas acima dos 50 anos, pode acometer adultos mais jovens.
Entre os fatores associados ao seu desenvolvimento estão alimentação inadequada, sedentarismo, obesidade, tabagismo e histórico familiar.
O que é o câncer colorretal?
O câncer colorretal é um tumor que se desenvolve no cólon ou no reto. O tipo mais comum é o adenocarcinoma, que frequentemente se origina de pólipos, pequenas lesões na parede intestinal que podem sofrer alterações ao longo dos anos e se transformar em tumores malignos.
Uma das características da doença é a possibilidade de evoluir sem manifestações evidentes. Por isso, a identificação de lesões precursoras e o acompanhamento médico são importantes para reduzir os riscos e permitir intervenções antes do agravamento do quadro.
Quais são os sintomas do câncer colorretal?
Segundo Artur Ferreira, oncologista da Oncoclínicas, alterações persistentes no funcionamento do intestino estão entre os principais sinais de alerta. Prisão de ventre, diarreia, sangue nas fezes, dores abdominais e perda de peso sem explicação são manifestações que precisam ser investigadas.
"Apesar de a doença muitas vezes ser silenciosa, o paciente deve observar se há alterações do hábito intestinal, tais como constipação, diarreia, afilamento das fezes, ausência da sensação de alívio após a evacuação, massas palpáveis no abdome, sangue nas fezes, dores abdominais, perda de peso sem motivo aparente, fraqueza e sensação de fadiga", explica.
Os sintomas não significam necessariamente a presença de câncer, pois podem estar associados a outras condições intestinais. Entretanto, quando persistentes, exigem avaliação médica. Uma pesquisa revela que brasileiros reconhecem sinais do câncer de intestino e demoram para agir, reforçando a importância do acompanhamento.
O que aumenta o risco de desenvolver a doença?
Os hábitos alimentares e o estilo de vida estão entre os fatores que podem contribuir para o desenvolvimento do câncer colorretal. Dietas ricas em carnes processadas e com baixa quantidade de fibras, sobrepeso, obesidade, sedentarismo, tabagismo e consumo de bebidas alcoólicas estão associados a um risco aumentado.
Doenças inflamatórias intestinais, como a retocolite ulcerativa e a doença de Crohn, também merecem atenção. Além disso, pessoas com histórico familiar de câncer colorretal ou determinadas alterações genéticas hereditárias podem apresentar maior predisposição.
Como é feito o diagnóstico?
A colonoscopia é um dos principais exames utilizados para identificar alterações no intestino grosso e no reto. Além de detectar tumores em estágios iniciais, permite localizar e remover pólipos que poderiam evoluir para lesões malignas.
O oncologista ressalta que essa possibilidade representa uma vantagem importante na prevenção do câncer colorretal, já que o exame pode identificar alterações antes mesmo de a doença se instalar.
A idade para iniciar o rastreamento deve considerar as recomendações médicas, o histórico familiar e os fatores de risco individuais. Pessoas com sintomas suspeitos devem procurar atendimento independentemente da faixa etária.
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Câncer colorretal tem cura?
O câncer colorretal pode ser curado, principalmente quando diagnosticado precocemente. As estratégias de tratamento variam conforme a localização do tumor, o estágio da doença e as condições de saúde do paciente.
Entre as opções estão cirurgia, radioterapia, quimioterapia, imunoterapia e terapias-alvo. Procedimentos como ablação e embolização também podem ser utilizados em situações específicas.
Os tratamentos locais atuam diretamente sobre o tumor ou determinadas lesões, enquanto os sistêmicos utilizam medicamentos que circulam pelo organismo. A escolha depende de uma avaliação individualizada realizada por uma equipe multidisciplinar.
Mitos e verdades sobre o câncer colorretal
Apesar de sua frequência, a doença ainda desperta dúvidas que podem interferir na prevenção e no diagnóstico. O oncologista Artur Ferreira esclarece oito questões importantes.
Quem tem câncer colorretal precisa usar bolsa de colostomia?
Mito. A colostomia é necessária apenas em determinadas situações, como obstruções intestinais, cirurgias de emergência ou tumores localizados em regiões específicas do reto. O procedimento permite a eliminação das fezes por uma abertura no abdome, conectada a uma bolsa coletora, e pode ser temporário ou definitivo. Com os avanços das técnicas cirúrgicas, muitos pacientes conseguem realizar o tratamento sem necessidade de uma colostomia permanente.
Prisão de ventre aumenta o risco de câncer colorretal?
Depende. A relação entre constipação intestinal e câncer colorretal ainda é investigada, e os resultados dos estudos são conflitantes. A prisão de ventre, isoladamente, não é considerada um fator de risco estabelecido. Entretanto, mudanças persistentes no hábito intestinal precisam ser avaliadas.
Homens têm mais risco de desenvolver a doença?
Verdade. Em nível mundial, a incidência do câncer colorretal é ligeiramente maior entre homens. Entretanto, essa diferença não justifica recomendações de rastreamento distintas exclusivamente em razão do sexo.
Todo pólipo intestinal se transforma em câncer?
Mito. Embora muitos tumores colorretais tenham origem em pólipos, apenas parte dessas lesões apresenta potencial de transformação maligna. Quando identificados durante a colonoscopia, os pólipos podem ser removidos e analisados, contribuindo para a prevenção da doença.
Comer carne vermelha e processada aumenta o risco?
Verdade. O consumo elevado de carne vermelha e, principalmente, de carnes processadas está associado ao desenvolvimento do câncer colorretal. A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece a relação entre o consumo de carnes processadas e o aumento do risco da doença. Reduzir a ingestão de embutidos, como salsicha, bacon e presunto, e priorizar uma alimentação rica em fibras são medidas recomendadas para diminuir esse risco.
O câncer colorretal sempre apresenta sintomas?
Mito. A doença pode se desenvolver sem provocar dor ou alterações perceptíveis, principalmente nos estágios iniciais. A ausência de sintomas não elimina a possibilidade de câncer, o que reforça a importância do rastreamento quando indicado.
Doenças inflamatórias intestinais aumentam o risco?
Verdade. Pessoas com doenças inflamatórias intestinais crônicas, especialmente quando extensas e de longa duração, apresentam risco aumentado de câncer colorretal. O acompanhamento médico regular contribui para o controle da inflamação e para a identificação precoce de alterações.
É possível prevenir completamente o câncer colorretal?
Mito. Embora hábitos saudáveis possam reduzir significativamente o risco, não existe uma forma de garantir proteção absoluta contra a doença. "Deve-se investir em uma dieta rica em fibras e uma menor ingestão de carnes vermelhas e processadas, praticar atividades físicas, evitar bebidas alcoólicas e tabagismo e manter o peso adequado", orienta Ferreira.
O especialista também destaca a importância de investigar e tratar doenças inflamatórias intestinais e realizar os exames de rastreamento quando recomendados. Essas medidas contribuem para a prevenção e ampliam as possibilidades de identificar alterações antes que evoluam para quadros mais graves.
